sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Faltam 5 semanas

O Natal faz-me lembrar o dia de casamento para os noivos. Muita preparação, muita expectativa, muito frenesim, e depois o dia passa num ápice. A juntar a estas azáfamas juntam-se aquelas próprias de quem espera um bebé para daqui a... um mês. 
A tábua de passar a ferro veio morar para a sala, as gavetas da cómoda que eram exclusivamente da Bárbara [são seis] foram reorganizadas, limpas e arrumadas e já três das gavetas alojam mini roupas fofas, suaves e cheirosas. Ando encantada com o cheiro do detergente de bebé e só me apetecia usá-lo na nossa roupa toda.
Os brinquedos foram limpos e arrumados por idades, os cantinhos da brincadeiras estão a ser repensados para duas. Fui três vezes à Casa Rocha na última semana, comprar beirinhas e fitinhas para os lençóis da alcofa e já mandei aplicar.
Estou constantemente a arrumar e a limpar coisas, e a organizar e a separar, a escolher, a mudar de sítio. E há sempre tudo para fazer. Mas este nesting é delicioso, e entre a ansiedade de conhecer a nova bebé e o desejo de que esta gravidez dure para sempre, é assim que vou esperando por ela: feliz.

domingo, 15 de dezembro de 2013

o melhor do meu dia


Não foi um fim-de-semana nada fácil, mas teve momentos bons, nas tréguas da virose. A Bárbara vomitou muito, a ponto de nem a água segurar. Sinto-me terrivelmente cansada e pesada. Mas no fim do dia, quando finalmente ela adormeceu, olhei para mim e vi-me grande como nunca estive, e mesmo assim gostei do que vi, uma mulher bonita, poderosa. Estou feliz, grande, mas feliz.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sentimentos

Costumava ter um pesadelo que me deixava muito incomodada. Chegava a casa e via tudo revirado. Ficava em pânico com a invasão do meu espaço e das minhas coisas. 
Uma destas noites partiram-me o vidro do carro. Não havia nada mexido, não me faltava nada. Também acho que a desarrumação do meu carro desmotiva até um ladrão. 
Mas, ao contrário do meu pesadelo não senti nada. E até já tratei da substituição do vidro. Continuemos.

Ontem depois de tratarmos do vidro, a caminho de casa, íamos no carro, o Daniel preparava-se para sair da autoestrada e o carro da frente fez uma guinada para a esquerda, e entretanto vimos um carro parado na estrada, à espera que alguém lhe cedesse passagem. Isto de ter uma saída logo antes de uma entrada, não faz sentido.
Com a travagem brusca que o Daniel foi obrigado a fazer, fiquei tão assustada e tão agoniada, tão mal disposta, que mal consegui jantar. 

As emoções estão ao rubro. Tenho deitado uma lagrimita secreta com os momentos mais emocionantes do Masterchef Australia. 

O meu lado de mãe leoa anda a sobressair. Acho que ando meia chatinha com ele. Quando perco a paciência fico mesmo danada. Quando canso, canso mesmo. Comecei a ressonar (no fim da gravidez da Bárbara também aconteceu) e isso abalou a minha autoconfiança. Não consigo (conseguimos) decidir o nome da bebé. Às vezes gosto de todos, outras vezes não gosto de nenhum. 
Mas sinto-me focada, concentrada. Mas assim meia louca. Oh God. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Keep it simple

De tanto tentar simplificar, complico. De tanto tentar organizar, desarrumo. Mas não desisto, para o bem e para o mal não desisto de encontrar o meu ponto de equilíbrio. 
Livrar-me de uma ideia perfeita de mim, da minha família, da minha casa, da minha vida. Livrar-me do perfeccionismo, livrar-me da culpa, da sensação de incompetência. Fazer o melhor que sei, o melhor que posso. Aceitar. Ouvir-me. Acreditar. Confiar. É o que eu quero, acima de tudo. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

***

Hoje é dia de ecografia morfológica e em princípio será a última. Chegou finalmente a altura de preparar a Bárbara para a chegada da irmã. Tive bastantes dúvidas se a deveria levar ou não a assistir ao exame. Pode vir a revelar-se um perfeito disparate, ela pode estranhar ou até mesmo perturbar, pode não se interessar, mas pode gostar de ser envolvida e incluída nesta fase. 
Até agora temos falado no assunto, mas sem maçar muito. Até porque já deu para perceber que ela de facto sente algo a mudar, mas não faz a mínima ideia do que seja uma "irmã". Uma das perguntas que nos fazem mais frequentemente além do nome, é como é que a Bárbara está a reagir. De facto ela vê a barriga crescente, à qual não dá muita importância, mas daí a perceber que está aqui um bebé muito enroladinho à espera de nascer vai uma grande distância. Mas que ela sente, isso sente. Suspeito que o facto de ela andar a pedir mais colo e estar um pouco mais temperamental tenha também a ver com isso. Então é importante que ela comece a ouvir sobre o que vai acontecer, da mesma maneira que também importa reflectir e tomar algumas decisões sobre a forma como vamos gerir o dia do nascimento e os seguintes, o primeiro encontro entre elas, os ciúmes, toda essa logística. 
Para já, vamos mostrando a barriga, falando na mana que é uma bebé muito pequenina a quem a Bárbara vai ensinar muitas e muitas coisas. Não o fazemos nem admitimos que lhe digam que "depois de a irmã nascer é que vai ser, acaba-se a atenção, o mimo todo". Já tive que dar alguns chega para lá no que diz respeito a este tipo de afirmação. Desnecessário, inconveniente e falso. 
Quanto às visitas na maternidade, acho que também se podem dispensar. Se for parto normal são dois dias de internamento, e acho escusado levar a Bárbara para um ambiente em que vai ver a mãe e o pai exaustos, num ambiente hospitalar, a ter que cuidar e tratar de uma nova bebé que afinal merece também atenção exclusiva. Se for dia de semana continua a ir ao infantário, se for fim-de-semana o pai e os avós podem fazer um programa giro com ela. E depois sim, ir buscar-nos à Maternidade, ou receber-nos em casa. Mas há sempre espaço para mudança de planos, não sei como me irei sentir na altura. Depois o resto tomará o seu rumo, o mais naturalmente possível, se tudo correr bem.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

o melhor do meu dia

Rever esta fotografia. A Bárbara com 15 meses.

Hoje

Hoje tentamos um recomeço aos dias ditos normais. A Bárbara voltou para o infantário [muito contrariada] depois de umas semanas a recuperar das constipações e febres. E eu volto ao trabalho, para fechar assuntos que não podem ficar pendentes com a vinda da bebé, mas que não podem interferir nos primeiros meses dela. 
Como sempre sou uma relaxada profissional no que toca a planeamento e dou por mim a 9 semanas do grande dia sem quase nada preparado. Vou tentar começar hoje a separar umas roupinhas.
Já conto com 31 semanas. Foi e está a ser uma gravidez difícil. Descobri tarde e só por isso já me parece mais curta. Mas por outro lado, há vezes em que só quero que passe, porque estou cansada das dores que tenho, da azia, de bambolear, de me ver aumentar. Está a ser uma gravidez difícil porque não conseguimos sentir-nos felizes a cem por cento, porque o desemprego chegou cá a casa, porque o futuro está demasiado incerto, e dia após dia continuamos com medo. Vale-nos uma família que nos dá muito apoio e que apesar de tudo acolhe esta nossa outra filha com a maior alegria do mundo e nos diz "tudo se cria!" e nós queremos muito acreditar, mas às vezes é mesmo muito complicado e não queríamos que fosse assim. 
Independemente de tudo isto é muito bom saber que vem aí mais uma criança, uma irmã para a Bárbara, uma filha mais nova. Sinto-a dentro de mim e gosto de pensar se vai ser muito parecida com a irmã, se vão ser muito amigas. Sinto que vai correr tudo bem. Acordo de manhã e mal pouso a mão na barriga e tenho consciência da gravidez, sinto-me muito feliz. E é a esse sentimento e não aos outros negativos, que me quero agarrar com todas as minhas forças.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aquilo que nos serve

Hoje, imbuídos do espírito dos cinquenta por cento de desconto em cartão, compramos pijamas para nós, em tons de vermelho e azuis, axadrezados, riscados e com esquilos. Cheesy, mesmo. Os pijamas dos grandes são para trocar, não experimentámos e errámos nos tamanhos. Comprei também um pack de seis meias a cinco euros e noventa e nove, duas vermelhas, duas cor-de-rosa e duas azuis escuras. Mal cheguei a casa calcei umas vermelhas e aquele primeiro contacto não foi propriamente amor à primeira vista. Muito pelo contrário. As meias estão a irritar-me solenemente. A costura chateia-me e parece que não aderem ao pé, como outras que tenho. Detesto meias com vontade própria e tenho a certeza absoluta que, tendo adormecido e aquecido os pés, as meias vão borda fora. I'm pissed. 
Vai daí, tomei uma decisão. De hoje em diante vou dedicar-me mais a descobrir quais são os meus tecidos preferidos, a sua composição, quais são as texturas que quero sentir na pele, qual o shampoo que deixa o meu cabelo mais bonito. Porquê? O pijama que comprei era muito giro, de casaco com botões e tal, mas esqueci-me de um pequeno pormenor, a minha barriga de sete meses (já disse que não o experimentei?). Depois estou mesmo irritada com o raio das meias, acho que vou tirá-las e é já. E ultimamente só tenho comprado peças de roupa com que adoro ver-me, isso sabe bem p'ra caraças. E estou farta de gramar com merdas que não me fazem feliz. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

Depois de aplacar febres, desentupir narizes, controlar birras, alinhar em brincadeiras, ser consumida por stresses de freelancer, olhar para a minha casa, fazer um encolher de ombros mental e pensar que a faxina pode esperar (mais um dia), acalmar as minhas dores de costas, o melhor do meu dia (há muitos dias) é finalmente deitar a cabeça na almofada.
E adormecer.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

Foi ler isto sobre o casamento. Parece fácil, não parece? 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Slowing down. Countdown.

É incrível como quando não obedecemos ao corpo ele se revolta e deixa de nos responder. Agora entendo melhor aquele conceito "corpo e mente" e realmente não sei porque andam sempre os dois tão desencontrados. E, como acontece tantas vezes, quando eu mais puxo por mim, mais depressa fico encostada. Depois de uma semana a fazer malabarismos com a Bárbara a recuperar em casa, com o elevador do prédio avariado, com assuntos vários a tratar, tinha que acontecer. E no final da semana não conseguia mexer-me com uma dor estranha. Não eram contracções, não era nas costas, nem nas pernas, era nos ossos ou músculos. Liguei para o meu número S.O.S. e aconselharam-me uma ida às urgências da maternidade. Fiz o primeiro CTG desta gravidez, fui observada, a bebé também [está linda e atravessada], tenho uma articulação inflamada, tomei uma injecção para as dores e trouxe recomendações de repouso, não absoluto, mas o máximo que conseguisse.
Para ajudar, tenho imenso trabalho para pôr em dia e a Bárbara recaiu no fim-de-semana.

Já entrei em contagem decrescente, apesar de não ter assim muitaaa coisa para preparar, há sempre algumas coisas. Não sei se estou a avariar da cabecinha, mas chego ao ponto de planear ementas saudáveis e rápidas para fazer nas semanas de pós parto. Penso em encher a despensa e artilhar a casa, mas depois caio na real, não vou para nenhuma guerra. Contudo, a ideia das ementas acho que é de manter.

Também ando a pensar também em pintar o quarto das miúdas, como eu costumo dizer, fazer um quarto à Pinterest. Mas sou demasiado desorganizada e ou a minha vida é demasiado imprevisível [não sei porquê mas soa-me à mesma coisa] para fazer muitos planos. Lá que sabe bem fazê-los, isso sabe. Pôr em prática, isso é já é outra conversa.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

À medida que o dia passava ia-me perguntando o que seria o melhor. Foi um dia doce, bonito. A Bárbara tem estado adoentada e por isso resolvemos mantê-la em casa por estes dias, mas hoje saímos para almoçar nos meus pais e para a levar ao médico, por haver alguns sintomas que persistem. Ela, que por lhe custar a adormecer com a tosse, acordou tarde, não dormiu a sesta, mas andou sempre a cantar, a rir, a brincar. Até que à noite se "transformou" num diabinho. Foi um berreiro daqueles para lhe vestir o pijama, nem houve história, nem anjo da guarda, e as canções que lhe costumo cantar já de luz apagada serviram para acalmar os soluços do choro com ela no meu colo, e eu sentada na cadeira baixinha, exausta de ouvir chorar e com algumas dores. Com ela muito aninhada no meu peito, agasalhei-a com uma manta e lá cantei a "Sorry", o "João Pestana" e a canção da Lua, como todas as noites. E foi então que se deu o melhor do meu dia, sem qualquer dúvida ou engano, a bebé começou a dar pontapés, a mexer a mexer, a ondular, a serpentear. Não é a primeira vez que isto acontece quando pego na Bárbara ao colo. Acontece quase sempre. Desta vez achei que foi especial, como um pequeno mimo da mais nova para a mais velha que já tinha passado o limiar do cansaço e precisava de conforto naquele momento. Gosto de pensar que as duas vão ser assim, amigas e cúmplices. E que este momento foi apenas um prenúncio do que será a relação entre as duas irmãs, as minhas filhotas, os meus tesouros.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

e porque não?



Há pouco tempo que sigo os blogues da Catarina e da Ana. Rendi-me, agora fazem parte da minha lista diária (ou quase) de visitas, são blogues inspiradores e bonitos. Foi lá que li sobre esta ideia tão simples e tão importante de reflectir sobre o melhor dos nossos dias. Engraçado alguém ter que nos desafiar para isto.
Aqui está tudo dito. Quem se segue?

(a)normalidade dos dias

De vez em quando lá ouço "ah eu sei da tua vida toda, leio o teu blog". Eu rio-me tanto por dentro. Que disparate. Eu nunca faria isso a quem me lê, expor todos os pormenores da minha vida, há dias em que é um tédio! E outros em que me apetece falar de tudo o que vi, ouvi, cheirei e senti. Mas mesmo nesses dias ficaria muita coisa por dizer. É assim. Gostava muito de ter poder de análise e jeito para a escrita suficiente para dizer tudo o que penso sobre a blogosfera, sobre quem lê e quem comenta. Enquanto não acontece, limito-me a reflectir muito, primeiro porque tenho um blog desde 2008 e deve haver uma boa razão para isso. Depois porque cada vez a lista de blogues que visito com alguma regularidade é maior e identifico-me com alguns por motivos vários. Gosto de pensar sobre isto.
Gosto de escrever, mas há dias em que sinto que nada interessa e outros em que não me calava. 
Estes dias têm sido assim, calados por aqui. Mas intensos por casa, com as primeiras maleitas de Outono, mas também as primeiras castanhas. As primeiras contracções (as de Braxton-Hicks), e os primeiros sinais de que é preciso pensar em abrandar. Com dias muito muito ocupados, outros muito muito produtivos, outros muito, mas mesmo muito frustrantes. Daqueles que começam logo mal, com uma multa, ou com uma birra monumental só para tirar o pijama. O que é desafiante e gratificante no final do dia é tentar tirar partido das coisas boas, retê-las e dizer a nós mesmos "não há mal que sempre dure", porque a dada altura as coisas lá se compõem, tranquilizamos os nossos ânimos, sintonizamo-nos e arranjamos forças para avançar. E são assim as nossas vidas, tão ricas, naturalmente normais. Graças a Deus.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Iphone lover

Nunca tive um iPhone, mas ando a pedinchar um há quatro anos e tal à família. Todos se fazem de surdos, e assobiam para o lado. Já tentei negociar. Em troca de um iPhone no Natal ou no meu aniversário, eu aceito até 5 anos sem mais presentes. Nada mau, hã? Mas nem isto tem resultado. Este fim-de-semana e assim de forma meia inesperada, recebi um iPhone 3Gs (não se riam!) do meu irmão, que comprou um mais recente. Eu ia dizer que não? Não ia. Agora ando a explorar as apps que não conseguia instalar no meu Android. Espectacular. E pronto, de brinquedo "novo" estou mais satisfeita. Por agora... por agora.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Quando a Bárbara nos pedia a chupeta, mal a punha na boca, os deditos iam sincronizadamente agarrar uma madeixa de cabelo para fazer uns rolinhos. Era assim que ela relaxava. Desde que deixámos de lha dar, acabaram-se os rolinhos, aquele gesto que eu gostava tanto e que a confortavam tanto. Muito self soothing, já diria a Tracy, bem mais legítimo do que um objecto de latéx. E tão ternurento. Ontem, e como ainda tem dificuldade em adormecer, agora que tem que o fazer sem ajuda, tenho ficado mais tempo com ela. E disse-lhe "faz um rolinho no cabelo". Ela pôs a mão na cabecita e começou a sacudir os caracóis, meia sem jeito. Um movimento não existe sem o outro e vou ter muitas saudades de ver aqueles dedinhos amorosos a encaracolar madeixas. Mas também é tão bom ver que ela é capaz de crescer, de se adaptar e de aceitar aquilo que lhe ensinamos. Antes de me deitar fui aconchegá-la e ela dormia profundamente, pernita dobrada, as mãozitas a agarrar de um lado o Sr. Coelho, do outro lado a Gertrudes. A boca desenhada, perfeita e pequenina. Tão tranquila, tão doce. Tão minha... tão crescida.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quase 28

Hoje foi dia de consulta. A rasar as 28 semanas, a palavra "parto" já vai sendo dita mais amiúde, já vão começar as aulas de preparação, já me vão dizendo quais os motivos para ir à urgência a.s.a.p., digamos que a coisa começa a ficar séria. 
O que mais ouço é "vai ser mais rápido". Por mim tudo ok, eu não quero é que doa. 
A enfermeira Júlia disse-me uma coisa muito engraçada no outro dia: "Já ouviu falar dos bebés que nascem em ambulâncias a caminho do hospital? São os segundos filhos". Fiquei assim a saber que não é só nos filmes que acontece. Por isso, espero chegar a tempo para não ter que dizer à minha filha que ela nasceu ali no semáforo do cruzamento da Júlio Dinis com a Rua do Campo Alegre. Já que não posso piscar os olhos e ela nascer por magia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dores de crescimento

"Quem ama educa". Não sei quem foi o autor desta expressão, se é que houve um. Mas é verdade, quem ama educa, quem ama cuida, quem ama protege. Educar é proteger, porque é cuidar. Isto de cuidar de uma criança não é fácil. Não há direito a descanso, nem tréguas. Assim como não paramos nunca de amar.
E agora que resolvemos dar mais um passo, estamos aqui, como sentinelas, anjos da guarda. Como pais. O passo é tão simples e tão complicado. Tirar a chupeta. A pacificadora. Parece tão cruel. Mas é tão necessário. E decidimos que era agora, tinha mesmo que ser agora. No início parecia ser mais fácil. "Filha, vês, agora já não doem os dentinhos." Mas não houve um encerrar, um ritual. Simplesmente as chupetas saíram de cena, covardes. E a Bárbara continua a perguntar por elas. Demora muito tempo a adormecer e fica carente, muito carente na hora de dormir. Quer abraços, quer colo, quer água, quer xixi, quer mão, quer que me deite ao pé dela, "não vás embora, mamã". E eu vacilo, quase que abro a gaveta e escolho a chucha preferida dela. Decidimos que este fim-de-semana vamos tentar que ela as ofereça (a uma árvore, aos patinhos, aos meninos perdidos do conto do Peter Pan?), que se despeça. A mim custa-me pensar nisto, eu que deixei a chupeta tão tarde.
E entretanto vamos lidando com birras, muitas, e às vezes ficamos esmorecidos. Outras vezes acontecem coisas como o pai pôr a Bárbara de castigo e ela chorar desalmadamente, mas depois passar àquele chorinho mimalho, e eu desatar a rir do outro lado da casa, riso de descompressão. O meu amor pequenino. Mas depois vemo-la mais tranquila, mais cuidada, pronta para fazer aquilo a que se recusava. Amar é cuidar, cuidar é proteger. Cuidamos, protegemos, educamos. É uma doce, ao mesmo tempo árdua, por vezes ingrata missão, esta. Mas a melhor de todas, porque tudo isto é amor.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Hoje

Permiti-me começar a semana devagar. As insónias deram tréguas e agora durmo pesado, tão pesado que acordo sempre com uma leve dor de cabeça por, acho eu, precisar de dormir mais. Hoje especialmente, está a custar manter os olhos abertos e o espírito desperto. Eu encostava-me aí numa parede e dormia, juro. Não tenho desprendimento para isso e como tal estou a tentar produzir. De manta nas pernas, e daqui a pouco um chá, é certo. Mas trabalhar em casa tem que ter alguma vantagem.
Este fim-de-semana delicioso que passou foi também um marco. Faltam três meses. Já estou no último trimestre. Inacreditável. E sem saber bem em que ponto deveria estar agora. Ainda é cedo para ter tudo pronto, mas ainda não preparei quase nada. Não tenho grandes coisas a fazer, nada de especial a comprar. Mas isto dá-me uma sensação de "now what, faço o quê?". É esperar. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cuidar bem por dentro sim, mas cuidar por fora também

Sou uma grande baldas em cuidados próprios. Passo a vida a tentar convencer-me de que tenho que cuidar mais de mim, do meu físico, da minha pele, ter mais paz de espírito, mas a verdade é que basta haver uma altura de grande azáfama e vai tudo pelo cano abaixo, chuto-me logo para canto. Triste, mas é verdade. A questão é que não me sinto bem e (in)felizmente ninguém pode fazer nada por isso, a não ser moi même. Gostava muito de ter uma personal (como é que lhe hei-de chamar?) caregiver, vá, que me fosse buscar à cama com um batido saudável, cheio de sementes, e depois tratasse da minha pele, me passasse o hidratante na barriga, me tratasse do rosto e escolhesse a roupa por mim. Ai eu adorava. Mas isso não é possível. Esta mudança grande é feita de algumas mais pequenas e essas já estou a conseguir interiorizar. Até porque começo a ver-me nas fotos com um ar demasiado cansado, com a pele a gritar por socorro. 
Por exemplo, ir maquilhada para a cama, no more. É uma diferença brutal, acordar com a pele ainda cheia de base e rimmel (ok, acorda-se mais compostinho, até a Tyra o admitiu em tempos), e acordar com a pele limpa da noite anterior. 
Acordar mais cedo, também tem vantagens, como poder fazer tudo com mais calma ainda antes da pequena acordar. Por exemplo, repetir os passos da noite anterior e lavar a cara, aplicar o tónico, o coisinho dos olhos e os hidratantes. É o que tenho feito e compensa. A minha pele (luminosidade boa da gravidez à parte) está muito macia e hidratada. É isto que faço em cinco minutos. 

Começo por lavar a cara com este sabão líquido. O que mais gosto é de não ficar logo com a pele toda repuxada e seca. E limpa em profundidade.

Já uso este, o número 2, há bastante tempo. Quando acabar vou perguntar às entendidas se mudo para outro. Há do 1 ao 4, mas não sei quais são as diferenças. Este tónico é bastante agressivo, e por isso quando o comprei pela primeira vez deram-me esta dica preciosa: nada de andar com o algodão para cima e para baixo a massacrar a pele, antes passar o disco num só sentido (de cima para baixo) em todo o rosto e pescoço. 

Deram-me uma amostra desta maravilha há algum tempo e posso dizer que fiquei completamente rendida. Nem sei quanto custa, a minha amostra ainda dura, mas é assim fabuloso. Efeito imediato nos meus olhinhos inchados. Recomendo vivamente.

Também dura imenso, só é preciso aplicar um bocadinho, é fresco, a textura é muito leve e é um hidratante, mas não chega para uma boa hidratação. Para isso, é o que vem a seguir.

Este sim, é um hidratante, com a vantagem de prevenir os sinais do tempo e ter factor de protecção solar 25. Também há para vários tipos de pele.

E pronto, em poucos minutos está a festa feita e os resultados são notórios. Eu confio muito na Clinique e uso há muitos anos, não me vejo com coragem de mudar. Depois da acne violenta da adolescência comecei por usar produtos da Avene, enjoei, passei para a linha Biopur da Biotherm, mas também acabei por me fartar embora achasse a linha bastante boa. Tenho uma pele bastante oleosa e não é qualquer produto que me serve. Sou muito cuidadosa a escolher as bases, por exemplo e aí a minha escolha recai na Lancôme. 
Eu sou daquelas parvinhas que até há bem pouco tempo achava que usar isto e não usar era igual ao litro. Não sei porque é que Deus me fez tão ingénua, mas estou contente por ter acordado para a vida, ainda bem é que isso aconteceu antes de chegar aos 60.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

26

A minha cabeça está cheia de "e se"? 
São 6 meses passados, 26 semanas. Daqui a duas começo as aulas de preparação para o parto. 
Para mim faz todo o sentido voltar a ir, porque da primeira vez tranquilizaram-me muito. E lá está, ando cheia de "e se's" na cabeça. 
O parto da Bárbara correu muito bem. Ok, estava em Barcelos a dormir num hotel, a aproveitar o que eu julgava ser o nosso último fim-de-semana a dois. E era. Fiz o check-out às 2 da manhã, já contei isto. Vim para o Porto na paz dos anjos, de águas rebentadas, só com duas contracções com intervalo de 20 minutos. Cheguei uma hora depois a uma maternidade vazia, fui directamente para a sala de partos com as contracções a galopar. Fui andar, levei massagens da enfermeira (fui mesmo sortuda!), mas às 7 da manhã estava a delirar com dores. Mesmo. Eu não dizia coisa com coisa, lembro-me de olhar para o meu homem e perguntar-me "mas quem é este?". Depois de uma epidural muitíssimo bem dada e eficaz, entrei directamente para o céu dos partos. Conversava, ria, via se o meu homem se sentia bem (eu ainda tinha dormido duas horas mas ele estava de directa), aguentava os aumentos da dose de oxitocina, até fiquei a saber coisas engraçadas que a enfermeira Sylvie me contou. Ela é francesa e no país dela, aquele dia em que eu ia ser mãe, era o dia da Mãe. Deixei de sentir as contracções, sentia-me óptima. A equipa mudou às 8 da manhã e só esperavam que a Bárbara nascesse às 14h. Mas às 10h, a dilatação estava completa e meia hora depois, tinha-a no meu peito. Foi aí que começou outro parto, desta vez com uma mulher aos gritos. Só aí, porque durante toda a noite era um silêncio naquela ala. Na altura da expulsão nem sei quantas pessoas havia na minha box. Tirando uma enfermeira parvinha (tem sempre que haver uma parvinha), todos foram impecáveis, simpáticos. Tive o melhor de tudo.
E por isso, às vezes acho que é pedir demais que tudo corra assim tão bem. Será que a epidural vai pegar tão bem? Será que a equipa vai ser tão boa? Será que me vai calhar a parvinha? Será que a bebé vai nascer bem? Só me resta esperar que sim, que tudo vai ser tranquilo e glorioso, como foi da primeira vez. Que ainda hoje, quando me lembro, faço um sorriso de orelha a orelha. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Recomeçar

Tenho um projecto novo que para começar exigiu uma parte burocrática, de pesquisa, de escrita e eu tenho sempre algum medo disto, intimida-me. Agora, se tudo correr bem, chegará um parecer favorável, mas não consegui esperar para chegar ao mais empolgante, desenhar. Pensar nos espaços. Tinha tantas saudades. Mais do que aquelas que queria admitir.

("Desenha António, desenha e não percas tempo", escrevia o velho Miguel Ângelo para admoestar um aprendiz preguiçoso.)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


Ao fim de algum tempo voltámos lá abaixo, ao countryside. Ironicamente, implicando viagens e alguns horários desregulados, foi dos dias mais tranquilos que tivemos nos últimos tempos. Sempre com uma nuvem de preocupação por cima, mas um bocado mais distraídos dos nossos dias de sempre e sem a correria que tem havido nos nossos finais de semana.
A manhã hoje foi um bocadinho mais difícil para todos, o quente da cama sabia-nos tão bem. Mas há uma vida que não pára, há que tratar dela. Afinal, e apesar de tudo, temos ainda muito por que viver.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Eu gostava de viver num mundo civilizado - Parte II

Estava eu no hipermercado a pesar um saco de limões quando me viro para trás, vou contra um cesto de compras e me estatelo no chão. A dona do cesto, uma fulana mal encarada que estava na balança ao lado, além de ter deixado o cesto a mais de 1 metro de onde estava e feito de conta que não era nada com ela, nem desculpa me pediu. Protestei, mas virou-me a cara e quem me ajudou a recompor foi o senhor da balança. A sério, eu ainda há dias falei destas coisas, mas espanto-me sempre. Perguntaram-me "então e nem por estares grávida pediram desculpa?", mas eu não preciso de estar grávida para ter direito a ser respeitada e a receber um pedido de desculpas. Vinha pelo caminho a pensar que esta pessoa deve estar de muito mal com a vida, para justificar a falta de respeito e de cortesia. Ou é simplesmente má? Ou amargurada? Não sei. Mas o que eu sei é que não sou assim e o meu objectivo é educar as minhas filhas para fazerem precisamente o contrário, responsabilizarem-se pelos erros e saberem pedir desculpa. 
Apesar de ter tido algum aparato, não me magoei. Parece que caí em câmara lenta e consegui não cair de barriga. Mas ficou a doer-me a alma. Que mundo este. Eu gostava muito que acabasse a guerra e a violência, mas já ficava contente se visse mais bondade nos corações das pessoas com quem me cruzo todos os dias. É que é exactamente este tipo de comportamento insensível, que eu imagino que tenha por exemplo, a mãe de um assassino em série, um terrorista, violador ou ladrão. E isso dá um medo do caraças.

Os meus sítios

O beach office não é o único sítio para onde levo o computador e me sento a trabalhar. Há alguns meses descobri que na praça da alimentação do shopping mais próximo da minha casa há condições para isso, e que é um sítio bastante procurado. Entretanto já descobri outros (shoppings), mas este fica muito à mão e em caminho. Trabalhar fora de casa para mim sempre foi muito mais produtivo. Gosto de estar rodeada, gosto de ver os outros fazerem o mesmo que eu. Gosto do ruído de fundo e da concentração que consigo ter. E por isso venho. 
Normalmente sento-me sempre na mesma mesa. É a que costuma estar vaga, tem tomada eléctrica perto e um candeeiro mesmo por cima. No outro dia o meu homem veio comigo e queria sentar-se na mesa ao lado. Para mim era indiferente, mas depois lembrei-me que é lá que se costuma sentar um grupo de homens, todos os dias. Uns dias são 3, outros são 4. Falam baixinho e parecem ser amigos há muito tempo. Então sugeri que nos sentássemos na mesa do costume, expliquei porquê e ele ficou a olhar para mim meio espantado. E de facto, 2 minutos depois estava o primeiro homem a chegar. Sentou-se, e depois chegou outro e mais outro. E por ali ficaram. Hoje já cá estiveram, e já foram. Nem os ouço, mas até gosto da companhia. E não são os únicos que me habituei a ver por cá. Há o senhor careca do iPad, o rapaz do Toshiba que vem sempre com montes de papelada, o grupo das sindicalistas (como eu lhes chamo porque estão sempre a falar de episódios de trabalho), e o casal dos Macs. 
À falta de colegas de trabalho tenho estes companheiros das manhãs, que gosto sempre de ver por aqui. O Homem é mesmo um bicho de hábitos. E eu não fujo à regra.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Reencontros

Fiz a primária num colégio de freiras. Entrei com 5 anos para um mundo protegido mas muito rigoroso. E ao mesmo tempo amigável e acolhedor. Éramos muitos e lembro-me dos nomes de quase todos. Tenho muitas recordações, muito boas. Mas a verdade é que na altura de seguir para a escola preparatória nos separamos. Para a minha escola foi só uma colega a quem rapidamente perdi o rasto, e de alguns ia sabendo, de outros continuei amiga até hoje. 
Há uns meses atrás, graças às maravilhas facebookianas foi criado um grupo de antigos alunos do colégio onde foram publicadas algumas fotos de turma. Às tantas lá apareceu a nossa, uma foto muito bem compostinha tirada nos jardins da igreja, com a nossa Irmã, e eu, como sempre fazia nessa altura, a piscar os olhos por causa da luz. Começaram a aparecer as identificações, a adicionarem-se amizades e criou-se o grupo da nossa turma. Falou-se num encontro para café mas não aconteceu, depois num jantar, mas adiou-se. Até que finalmente se marcou uma data, um local e juntaram-se oito pessoas. Como eu tinha a Bárbara adoentada não fui jantar, mas fiz questão de ir lá ter para a sobremesa depois de a deitar. Pelo caminho fui sentindo um nervoso miudinho, e ainda pensei "tu queres lá ver que no facebook é tudo uma galhofa e eu agora vou lá chegar e eles vão estar todos envergonhaditos e calados?". Enganei-me redondamente. Todos em amena cavaqueira, descontraídos a fazerem um apanhado das vidas e dos percursos de cada um. Custou-nos desligar e ficou a promessa de novo encontro. Ah e uma foto, muito tremida que o dono do restaurante nos tirou. Mas o que mais adorei? Os sorrisos dessa foto não enganam. Estávamos todos genuinamente felizes por ali estar. E todos com uma mesma cumplicidade que já existia há muitos anos, há sensivelmente 25 anos atrás.

Da semana passada

Ontem, já no fim do dia e do fim-de-semana (tão breve) preparei as roupas, fiz os menus e a lista de compras para a semana. Vi o que tinha "na despensa", fiz máquinas de lavar. Planeei o trabalho e calendarizei coisas importantes. Eficiência? Sabem bem que não, é mesmo só para evitar uma semana dos infernos como a que passou. A começar com meltdowns da Bárbara todos os dias ao jantar e quando eu digo meltdowns é porque nem posso chamar birras, foi mais do que isso. Foi um desabar mesmo, de um momento para o outro ela sucumbia ao cansaço que até aí nem era visível. Passava da genica e da brincadeira, a um estado de exaustão já difícil de reverter. Tivemos dias em que foi imediatamente cama, porque só aceitou leite e histórias. Outros houve em que conseguimos acalmá-la e dar-lhe o jantar. Se por um lado posso culpar a enorme constipação com que ela anda, por outro também fui em parte responsável porque houve dias em que me distraí com a hora do jantar, ou perdi mais tempo com compras de última hora e com questões de trabalho, a parte da organização falhou, again.
Também foi semana de ecografia e é sempre uma semana especial. Está tudo bem com a pequena (é mesmo uma pequena, ohhhhh, para aqueles que ainda depositavam esperança num engano). O médico pôs a maquineta em modo 3D e conseguimos ver uma carinha laroca muito parecida com uma outra cá de casa. Adorei! Sempre disse ao Lopes que gostava que elas fossem muito parecidas. Mas o que realmente me trouxe alívio e felicidade foi estar tudo a correr bem. E até me queixei menos desde então, de dores e enferrujamentos vários.
A Bárbara continua um pouco a leste disto de estar quase a ser irmã mais velha. Por mim, fine. Ela percebe quando tiver que perceber e nós cá estaremos para agir em conformidade. De resto, está encantadora a catraia. Canta que nem um rouxinol, adora andar com relógios (do pai, da avó) e de óculos de sol. Uma pindérica. Já diz que está zangada, cansada e com sono. E ontem trouxe-me o telemóvel e disse "pega, Sara".
Às vezes nem acreditamos que vamos passar por tudo de novo, com a new baby girl. Pelas fases giras, e pelas outras menos boas. Nem sempre me sinto com força para enfrentar de novo noites mal dormidas, cólicas, dentes. Estamos "mal" habituados, a Bárbara já dorme a noite inteira há mais de um ano. Por outro lado, já temos experiência e já não vamos enfrentar as "primeiras vezes" com tanta dúvida. Espero eu.
Dito isto, é começar a semana chuvosa com alegria. Já dá vontade de pensar em castanhas e botas quentinhas. Havendo saúde (e esta com a saúde!, pensam vocês), não é preciso muito mais.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Eu gostava de viver num mundo civilizado

Acredito que esta minha tendência, vá, para reparar nestas coisas seja também fruto de uma qualquer oscilação hormonal bem própria do meu estado de graça. Também mas não só. Há algum tempo que tenho vindo a reparar com especial atenção na quantidade de gente mal educada que anda por aí. 
Por exemplo, no trânsito. Não há dia nenhum em que pegue no carro e não encontre os chamados malucos da estrada, que não respeitam sinais de STOP ou de perca de prioridade, que vêm de trás e aceleram a marcha só para não facilitar a entrada na autoestrada ou na faixa, sei lá, ficava aqui o dia todo. 
Nos supermercados e lojas. As filas prioritárias, os elevadores, são para esquecer. Estão lotados com toda a gente menos aquela que realmente precisa. E quem precisa leva com uns olhares desconfiados"hmmm, será que aquilo é mesmo síndrome de Down?, não sei não". 
No mundo do trabalho. Nunca vi tanta porcaria, tanta falta de dignidade numa oferta de emprego. Ou pedem pessoas para trabalhar horas incontáveis de graça ou quase, ou colocam uma lista tão extensa de requisitos que é quase impossível não nos sentirmos humilhados ou inibidos de responder. Ou então, quando se trabalha, as merdas que têm que se aturar, nomeadamente de alguns clientes que se vêem no direito de exigir e exigir mais e de ser mal-educados, rudes e pedantes (o que para mim é tudo a mesma coisa).
Na internet nem se fala. Basta ler a caixa de comentários de algum grupo no facebook, ou de um blog, sobretudo de um com grande número de leitores para bater com os olhos em barbaridades de fazer arrepiar. Não há noção dos limites, é assustador.
O meu homem diz que gente mal educada sempre houve. Eu acredito. Mas a verdade é que nunca me cruzei com tanta. E quantidade de pessoas bem educadas, gentis, simpáticas está a escassear. Muitos dizem que é da crise. Eu também acho que é a crise. Mas não a financeira.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ter tempo

Levantar cedo, por muito que custe, proporciona manhãs muito tranquilas. Cá em casa temos muita dificuldade em fazê-lo. Muita mesmo. Lembro-me que quando era miúda, a minha mãe ou o meu pai iam acordar-me para a escola já prontos, ou quase prontos, já vestidos, frescos e bem cheirosos. Ok, ainda assim nem sempre as saídas de casa eram pacíficas, mas nós éramos três filhos e nunca ninguém ia para lado nenhum sem pequeno-almoço. Acho que vale a pena o esforço. Há mais tempo para imprevistos, chega-se mais cedo e o dia começa melhor.
O mesmo se passa com outras horas e outros momentos do dia. Planear, prever, programar é importante, com tempo, para poupar tempo. E para poder aproveitá-lo em coisas realmente importantes. Então, viver a vida com pressa, num frenesim, é cada vez mais coisa para me deixar com a sensação de que não estou a vivê-la de todo. E a perder muita coisa boa.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

*

Tenho um sítio na praia onde gosto de trabalhar. Chamo-lhe o meu beach office, é já conhecido neste blogue. Tenho electricidade, tenho internet e um ambiente calmo. Algumas vezes sinto-me desconfortável por causa da temperatura, e nem sempre a luz é a melhor, sobretudo se for para trabalhar com imagem. Ou seja, não dá para vir todos os dias (até porque o café aqui é caro), mas de vez em quando sabe muito bem estar neste espaço, de grandes janelas. E sobretudo com um dia como hoje, morno e solarengo. De vez em quando páro o que estou a fazer e olho lá para fora, para o areal e para o mar, que hoje parece um enorme lago. Há três ou quatro pessoas na esplanada, umas estão a conversar, outras a ler. A mim só me apetece largar a correr pela areia. Mas além de não ter propriamente mobilidade para isso, era um bocado parvo. Mas com este cenário, não dá uma vontadinha danada?

sábado, 5 de outubro de 2013

Nós os dois

Saímos pouco só os dois, ou os dois só com adultos. E muitas vezes parece que nem faz falta, que podemos bem passar sem estar num ambiente que não tenha a ver com crianças, brinquedos e escorregas. Mas faz. Antes de sermos três, éramos dois e há que nos "acharmos" no meio de tantos desencontros, de nervos, às vezes de amuos e de zangas. Para nós funciona muito bem, é um timeout precioso, para namorar, relembrar o que nos move. Soube tão bem irmos Porto adentro a fervilhar de vida nas ruas, restaurantes e bares, rumo à Champanheria da Baixa. Beber uma sangria de espumante (para mim uma versão álcool free mas muito muito boa), ouvir boa música  num espaço lindo e conversar horas a fio foi um bálsamo. Queremos mais e vamos repetir. Espero que sim.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A nossa casa

Foi há um ano que nos instalámos aqui, neste apartamento não muito grande, sem varanda, neste terceiro e último andar, vindos de três meses de inferno num outro apartamento, mais caro, mais fraco, com má vizinhança (alguma duvidosa) e muito barulhento. 
Arriscámos, com uma filha pequena a começar o infantário, e exaustos que estávamos, ao enfiar tudo de novo em caixotes e desmontar móveis, mudar tudo, mudar de novo.
Um ano depois posso dizer que, mesmo com todas as contrariedades que temos passado, mesmo quando suspiramos por uma casa, casa mesmo, estamos e somos felizes aqui, nesta casa sossegada e tranquila. É uma boa casa, como diria a Xana Toc Toc, "pequenina, acolhedora".
A Bárbara também é feliz aqui. Percorre a casa, gosta de aqui estar. Eu gosto de aqui estar. Tenho o silêncio que preciso para me concentrar no trabalho, tenho um espaço agradável que posso cuidar. 
Até podermos ter a nossa casa com jardim, é aqui o nosso lar. Até o espaço apertar, até podermos respirar mais fundo, é aqui o nosso lar.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estar grávida

Não tenho feito outra coisa senão queixar-me. Nem que seja calada, de mim para mim, mas muitas vezes verbalizo, tem que ser. 
Não durmo nada de jeito há meses, primeiro porque tinha insónias, agora continuo com insónias e não tenho posição. Não sei pôr as almofadas, perco-as durante a noite, fico nervosa porque quero mexer-me e não acordar o Daniel, mas quero mexer-me furiosamente, como os cães quando procuram posição para aninhar. Dão voltas e voltas e mais voltas até que ficam. E eu estou assim. 
Lesionei a virilha, ou o aductor, ou ambos, nem sei, sei que o estrago foi considerável. 
Doem-me as costas, na zona lombar e por vezes se me sento ainda demoro uns bons minutos para conseguir voltar a pôr-me de pé. 
Tenho azia, cada vez mais e os enjoos voltaram para me atormentar. Não consigo comer carne umas vezes, arroz outras.

Os pés e as mãos já se me incham e ontem tirei a aliança. Mas custa-me, falta-me qualquer coisa aqui no anelar esquerdo, no sítio onde está uma tira de pele mais clara.
E as caimbras.
E é a bexiga, que aqui a mocinha mais nova acha que é um trampolim fantástico. Nem falo da incontinência.

Sinto-me com mau feitio, mas ao mesmo tempo tranquila. Só não suporto programas de talentos com plateias aos gritos, ou as notícias, ou documentários sobre presidiários perigosos (sorry babe). 
E tenho fome de loba, mas fo-me-de-lo-ba. Mas depois começo a comer e fico logo cheia. Emociono-me com anúncios de televisão e oculto da cronologia do facebook todas as más notícias, sobretudo as que se referem a crianças pequenas. 
Estou arrependidíssima de ter optado por ser seguida apenas no público, e não fazer uma eco de 4 em 4 ou de 5 em 5 semanas, como na gravidez da Bárbara está a deixar-me um bocadinho desesperada, mas é segredo.

Não estou uma pessoa propriamente adorável. Mas no meio disto tudo, de tanta queixa e angústia, sinto-me feliz. Sinto-me com esperança, curiosa, atenta, até bonita. Talvez por finalmente abraçar, (ou aceitar nem sei) estas minhas dores. Saber que chateiam, que moem, que limitam, mas que não tenho que gostar delas, não tenho que achar que são por uma boa causa, que são, mas eu queria era passar bem. E por saber que há mulheres que passam por muito pior, muito muito pior e enfrentam tudo e enfrentariam mais ainda. Nem sempre ser forte é aguentar tudo calada, por vezes é mesmo dizer "já chega", "não quero", "dói". Isso não significa que se vão baixar os braços, mas sim aceitar que não se é invencível, nem perfeito. Admitir que se é humano. Isso sim, é uma grande força.

Também podemos ser felizes à chuva




















Íamos espreitar as promoções da KNOT da Senhora da Luz, mas demos com o nariz na porta. Do carro para a loja, da loja para o carro, café e birras pelo meio. Mas depois parámos na Praia do Molhe para ela correr à vontade, sem dar a mão ou andar ao colo. Ela quer ser independente, explora, comenta, pergunta e canta muito. Mesmo quando começou a chover, só queria subir as escadas "xóxinha". Eu cá, só queria era que me levassem ao colo. É só para verem como as coisas são.

sábado, 28 de setembro de 2013

Le weekend

É porreiríssimo dormir 10 horas (yay!) e começar o dia a pôr a cria de castigo à conta de para aí umas 5 birras seguidas, assim só ao pequeno-almoço. E agora pai e filha vão passear e eu vou ficar a mudar camas, fazer máquinas de roupa e lavar a louça do pequeno-almoço. Tão bom...


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

*

Há dias em que estou sentada na cadeira a trabalhar e estou desconfortável. Não tenho posição e tudo comicha. Tudo me chateia. Sei que o problema não é da cadeira, nem da roupa, nem do cabelo. É aquela chamada, aquela conversa, aquele assunto que parece que nunca mais fica resolvido. 
Há dias em que estou sentada na cadeira, cheia de fome e o meu corpo não se mexe. Como se, ao levantar-me, deixasse de segurar um pilar mesmo mas mesmo importante e o mundo ruísse. Mas na verdade, é o meu mundo que se desmorona de cada vez que não me levanto para comer.
Há dias em que estou sentada na cadeira e só queria fazer outra coisa, ver outra coisa, ouvir outra coisa, estar noutro lugar. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Certa vez, numa das primeiras sessões de psicoterapia depois de ter sido mãe em que me queixava do meu cansaço e às vezes de alguma falta de paciência, a "minha" psicóloga disse-me assim: "Num avião, quando caem as máscaras de oxigénio, as instruções mandam que primeiro seja a mãe a colocar e só depois esta deve colocá-la ao seu filho. Uma mãe desmaiada, em nada pode ajudar. Uma mãe cuidada também será capaz de cuidar. Vamos por isso tratar da mãe, para que depois possa tratar da sua filha".
Foi das coisas que mais me fez eco, em anos e anos. E que me fez perceber que, muitas vezes, as preocupações e angústias que vemos nos nossos filhos e a forma como encaramos os seus problemas ou adversidades, nada mais são do que projecções das nossas próprias angústias, das nossas próprias incapacidades. Temos muito medo que o nosso filho se sinta só, quando nos sentimos sós, durante tanto e tanto tempo. E é preciso resolver-nos por dentro, as mães, os pais, as famílias, para sermos capazes de fazer crescer crianças saudáveis e felizes. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

*

Ter que sair e tratar de outros assuntos, afastar-me da "cena do crime", é uma grande ajuda para relativizar aquilo que nos pode parecer um bicho de sete cabeças e que na verdade não passa de uma questão tão resolúvel como outra qualquer. E podemos tratar da nossa vida. Depois, nem sempre há que agir, por vezes devemos pensar primeiro, por vezes dormir sobre o assunto. E sobre isso, nem de propósito encontrei isto num artigo de uma revista, uma história de Gonçalo M. Tavares (sou fã):

"(...)
A importância da almofada
"Quem quiser bom conselho consulte o travesseiro"
Antes de agires, dorme. Antes de falares, dorme.
Antes de protestares, dorme. Antes de gritares, dorme.
Antes de dizeres que não, dorme. Antes de dizeres que sim, dorme. Antes de dizeres talvez, dorme.
Antes de falares muito, dorme. Antes de ficares calado, dorme. 
E assim sucessivamente.
O travesseiro, almofada, dá bons conselhos. Descansar é, então, uma forma de afinar o nosso ouvido interno; ou melhor: uma forma de afinar a voz sensata que fala para o ouvido que ouve com atenção. E tudo isto, voz e ouvido, no mesmo organismo. Dormir é, em suma, a forma activa de preparar uma acção - eis a definição completamente definitiva do senhor J."

Vale a pena ler tudo.
E agora, estou mais tranquila e mais capaz. E o jantar é frango com beringelas. 

Mood sazonal

Assim, sem contar, mil assuntos para resolver e alguns aborrecimentos e preocupações, tudo ao mesmo tempo. Esta minha vida. Ora há-de ser um mar calmo, ou uma catarata do Iguaçu. 
Hoje para mim é Outono (e eu até gosto do Outono), da janela para fora e do peito para dentro.
Oh well. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Século XXI

Estou de saída para Vila Verde para uma reunião de trabalho, para lá chegar levo coordenadas no GPS do telemóvel, e para a reunião, fotografias no iPad e imagens do Google Earth. Novas tecnologias rule, oié.

sábado, 21 de setembro de 2013

Home alone versão mãe e filhas

Desde 5ª feira à noite até amanhã, estou completamente sozinha com a minha pequena... as minhas pequenas. O meu homem para conferências noutra cidade, os meus pais em terras de nuestros hermanos con mi hermana e mesmo alguns dos meus amigos mais chegados estão de viagem. De modos que, tentando ter dias o mais normal e tranquilos possível, estes têm acabado invariavelmente comigo a tombar na cama sem poder com uma gata pelo rabo (uma das expressões favoritas da minha mãe). Não se pode delegar nada, nem dizer "vá, vai lavar os dentes", ou "vai tomar banho", ou "lê uma história e dorme", "aquece o teu leite". No way. Agora que ela dorme a sesta e eu ia aproveitar para fazer umas 90 coisas, estou também quase a fechar os olhos. E hoje ainda há jantar de aniversário. O que vale é que é de família e há-de haver alguém que me renda por um bocadinho, pelo menos o tempo de eu poder comer duas garfadas seguidas. Ou ir fazer xixi sozinha. Ena... isso é que era. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Zara Home

Sempre que entro na Zara Home (e são muitas as vezes), invade-me uma sensação de bem estar. Gosto de quase tudo, quando quero oferecer um presente é lá que vou procurar, podia passar horas ali, a ver tudo ao mais ínfimo pormenor. E depois é a qualidade. Foi lá que comprei uma das camisas de noite para levar para a maternidade aquando do nascimento da Bárbara e passados dois anos e bastante uso, mantém-se linda e branca. Também compro lá a roupa de banho, as toalhas, sempre brancas, as toalhinhas de mãos em conjuntos de 3, a roupa de cama, nossa e da Bárbara, os pijamas e camisas de noite dela. Vai tudo passar para a irmã num estado impecável. E por isso já estou de olho em algumas peças para as duas, para a estação fria e para estarem quentinhas em casa. So cute.





Para a pequenina.


E para a miss Bárbara.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Due date


Bem dizia a enfermeira Júlia que me dava umas poucas semanas até esta gravidez me começar a pesar. E pesa literalmente, curiosamente não no meu peso, mas no meu corpo. E tudo aquilo que só senti no final da primeira gravidez, sinto-o agora, a meio caminho. Dores imensas na lombar, dores no fundo da barriga e pés inchados no final do dia. Se estou sentada umas horas a trabalhar, sinto-o. Se ando bastante a fazer umas compras, ou se ando na brincadeira com a pequena, sinto-o. O corpo, digo. E de noite, as insónias.

Chego a casa e fecho a porta já sem aguentar colares, pulseiras, sapatos, a própria roupa. Preciso de me pôr imediatamente confortável, relaxar cinco minutos no sofá, levantar as pernas e fechar os olhos.
Paralelamente a estas "dores", penso, planeio muito e apetece-me fazer. Ando sempre de caderno atrás a apontar ideias, o que falta, o que é prioritário, porque já me falha a memória e parece-me tudo complicado. Quando a Bárbara nasceu, estávamos temporariamente em casa dos meus pais e tive muito apoio, não tinha que me preocupar com refeições, nem com roupa, nem com nada que envolvesse a casa. Pude dedicar-me em exclusivo à minha bebé, à minha recuperação e à minha adaptação à maternidade. Desta vez... será bem diferente, não necessariamente pior. Por isso dou por mim a pensar em menus de refeições que possam ser feitas em 15, 20 minutos, meia hora. One pot meals em 15 minutos, é possível? E que o Daniel possa fazer. Aliás, toda a organização que tenho feito em casa é feita a pensar nele, de forma a que se consiga orientar sem a minha ajuda ou sem a minha presença, desde as roupas da Bárbara, a tudo o que possa precisar quando eu não estiver a postos para socorrer. Tenho-lhe explicado como se trata da roupa, como se escolhem os programas de lavagem da máquina da roupa, a separar por cores, a sistematizar as lavagens. E tantas outras coisas.
Daqui a uns meses será altura de seleccionar e lavar roupas pequeninas, comprar o que falta, pensar nos produtos, preparar a casa, o quarto. Preparar a irmã. Preparar-me. Preparar-nos. E esperar pelo dia 2 de Fevereiro de 2014.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Regressos

Hoje é a minha rentrée. Projectos novos (thank god!), muita coisa para fazer. Não que as últimas semanas tenham sido uma calmaria, foram tudo menos isso. Mas agora há que ter prioridades bem definidas, fazer ginástica com as horas do dia, para que tudo caia no seu lugar. É um jogo de cintura. Porque o tempo corre a uma velocidade incrível, ou não tivesse chegado (já?!) à vigésima semana. E enquanto tenho tempo, energia e agilidade física, preciso de aproveitar. Gosto desta dança, eu quero, eu tenho que a executar, neste palco imenso e intenso que é a vida.


sábado, 14 de setembro de 2013

Ou talvez ouça mal

Sempre que o Daniel vai à horta, costumo fazer uma lista de aromáticas a usar nos próximos dias. Além de poupar muito dinheiro no supermercado, posso variar os temperos e numas semanas ora vem tomilho e hortelã, ora vem manjericão, malagueta, salvia. Ele chega a casa e põe o lindo ramalhete num copo com água. Porém, tenho reparado que passado um dia ou dois as ervas já não ficam a cheirar muito bem, os troncos começam a apodrecer, enfim. Acho que, à semelhança dos raminhos que se compram, o melhor é guardar no frigorífico, sem água. Então tratei de (com muito muito jeitinho), dizer ao senhor meu marido que não pusesse as aromáticas na água, que coisa e tal, tudo o que já disse acima. 
Ontem pedi hortelã para o meu sumo de tomate e hoje, toda despachada a fazer o mise-en-place fui dar com a ervinha espetada onde? 
...
Já toda mirradinha e pastelenta.
Dai-me paciência, senhora das graças.

Sábado

Não liguei ao sol e ao dia magnífico que está lá fora. Deixamo-nos dormir e tomamos um pequeno-almoço saboroso e demorado. Depois mandei-os sair de casa e fiquei a arrumar a casa a roer-me de inveja. Mas tenho vindo a perceber que é a melhor forma de poder arrumar sem estar a ter que interromper de 5 em 5 minutos (nem isso) para ir pôr episódios da Peppa à pequena, ou a dar indicações ao homem que de vez em quando foge para o iPad e isso drives me crazy! Assim, lá vão eles e eu fico cá a adiantar serviço. Estou muito empenhada em aproveitar estes meses em que ainda tenho muita energia e mobilidade para fazer grandes organizações. Os meus armários agradecem. O meu tempo também. 
Bem diz a minha mãe que as tarefas de casa nunca têm fim. Eu subscrevo e corroboro. Que canseira! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Poder de argumentação

- Mamã, qué fuado.
- Querida, a mamã não tem gelado.
- A Peppa tem fuado.

Daí a uns minutos...

- Mamã, qué fuado.
- Filha, não temos gelado.
- ... A vó "Uímpia" tem fuado.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Violência doméstica!

Hoje depois do jantar, estava com a minha mais velha a ver "chenhos-nimados", com ela muito sossegadinha já a fazer rolinhos no cabelo. Eis que, fica toda empolgada com um boneco qualquer e vai de me saltar para cima da barriga. Ela adora fazer isto, mas sempre lhe digo que não, que magoa a mãe, o que não adianta nada. Normalmente vou a tempo de evitar e amorteço a queda agarrando-a a meio. Desta vez não consegui. A mocinha aterra-me mesmo do lado direito da pança. Até congelei, a tentar perceber se tinha feito estrago, se me doía alguma coisa, se, se, se. Depois penso que as mães são à prova de tanta coisa, também devem ser resistentes a este tipo de traquinice. Espero eu.

*

Com a nova marina, um parque infantil, uma vista única para o Porto, o Estuário do Douro onde podemos observar as aves e um dos melhores cafés que saboreámos nos últimos tempos, a Afurada está a tornar-se obrigatória no nosso roteiro de turistas na nossa própria cidade.
As fotos são do senhor meu marido.

domingo, 8 de setembro de 2013

Fins-de-semana

Hoje quando chegámos a casa do nosso último evento de fim-de-semana, uma festa de aniversário, estávamos estafadinhos. Os três. Preparámos um jantar rápido, no qual a Bárbara nem tocou. E ao conversar na cozinha demo-nos conta de que há largos meses que não passamos um sábado e domingo sem fazer rigorosamente nada. Isto tem sido por demais! Não que não saiba bem, sabe muitíssimo bem sair, ver, olhar, cheirar. Conhecer, rever. E a verdade é que ter uma criança fechada em casa o dia todo, às vezes é bem complicado. E uma que adora sair, quanto mais não seja para ir fazer bolinhas de sabão para a rua com o pai. Estou tentada a que no próximo fim-de-semana os nossos planos se resumam a uma meia horita na esplanada em frente ao mar. E that's it. E... lembrei-me agora que vai haver a D'Bandada. Raios. Será que vamos conseguir resistir?

sábado, 7 de setembro de 2013

Cinco meses

Ontem perguntaram-me de quantos meses é que eu estava? Fiquei apalermada, disse "quatro". Mas hoje, dia em que marco as 19 semanas, lembrei-me de ir ver. Já conto com 5 meses. Faltam apenas 4 para sermos 4. Awesome! 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fim-de-semana no Porto

Ultimamente temos passeado muito pelo Porto. É bom viver a cidade e mostrá-la à Bárbara. E ela adora, sobretudo quando há parques, mar, rio ou escorregas pelo caminho. Hoje, vamos dar-lhe música. 
Este fim-de-semana vão decorrer os Concertos 1ª Avenida, nos Aliados. Esta noite jazz, com a Orquestra Jazz de Matosinhos & Kurt Rosenwinkel. Amanhã, música clássica com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música. Vai ser lindo, especialmente se o S. Pedro colaborar. Nove e meia da noite, entrada livre. Até já!


Mesmo com as roupas do primo esta miúda é uma estampa. Mãe babada é o que sou.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013