sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aquilo que nos serve

Hoje, imbuídos do espírito dos cinquenta por cento de desconto em cartão, compramos pijamas para nós, em tons de vermelho e azuis, axadrezados, riscados e com esquilos. Cheesy, mesmo. Os pijamas dos grandes são para trocar, não experimentámos e errámos nos tamanhos. Comprei também um pack de seis meias a cinco euros e noventa e nove, duas vermelhas, duas cor-de-rosa e duas azuis escuras. Mal cheguei a casa calcei umas vermelhas e aquele primeiro contacto não foi propriamente amor à primeira vista. Muito pelo contrário. As meias estão a irritar-me solenemente. A costura chateia-me e parece que não aderem ao pé, como outras que tenho. Detesto meias com vontade própria e tenho a certeza absoluta que, tendo adormecido e aquecido os pés, as meias vão borda fora. I'm pissed. 
Vai daí, tomei uma decisão. De hoje em diante vou dedicar-me mais a descobrir quais são os meus tecidos preferidos, a sua composição, quais são as texturas que quero sentir na pele, qual o shampoo que deixa o meu cabelo mais bonito. Porquê? O pijama que comprei era muito giro, de casaco com botões e tal, mas esqueci-me de um pequeno pormenor, a minha barriga de sete meses (já disse que não o experimentei?). Depois estou mesmo irritada com o raio das meias, acho que vou tirá-las e é já. E ultimamente só tenho comprado peças de roupa com que adoro ver-me, isso sabe bem p'ra caraças. E estou farta de gramar com merdas que não me fazem feliz. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

Depois de aplacar febres, desentupir narizes, controlar birras, alinhar em brincadeiras, ser consumida por stresses de freelancer, olhar para a minha casa, fazer um encolher de ombros mental e pensar que a faxina pode esperar (mais um dia), acalmar as minhas dores de costas, o melhor do meu dia (há muitos dias) é finalmente deitar a cabeça na almofada.
E adormecer.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

Foi ler isto sobre o casamento. Parece fácil, não parece? 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Slowing down. Countdown.

É incrível como quando não obedecemos ao corpo ele se revolta e deixa de nos responder. Agora entendo melhor aquele conceito "corpo e mente" e realmente não sei porque andam sempre os dois tão desencontrados. E, como acontece tantas vezes, quando eu mais puxo por mim, mais depressa fico encostada. Depois de uma semana a fazer malabarismos com a Bárbara a recuperar em casa, com o elevador do prédio avariado, com assuntos vários a tratar, tinha que acontecer. E no final da semana não conseguia mexer-me com uma dor estranha. Não eram contracções, não era nas costas, nem nas pernas, era nos ossos ou músculos. Liguei para o meu número S.O.S. e aconselharam-me uma ida às urgências da maternidade. Fiz o primeiro CTG desta gravidez, fui observada, a bebé também [está linda e atravessada], tenho uma articulação inflamada, tomei uma injecção para as dores e trouxe recomendações de repouso, não absoluto, mas o máximo que conseguisse.
Para ajudar, tenho imenso trabalho para pôr em dia e a Bárbara recaiu no fim-de-semana.

Já entrei em contagem decrescente, apesar de não ter assim muitaaa coisa para preparar, há sempre algumas coisas. Não sei se estou a avariar da cabecinha, mas chego ao ponto de planear ementas saudáveis e rápidas para fazer nas semanas de pós parto. Penso em encher a despensa e artilhar a casa, mas depois caio na real, não vou para nenhuma guerra. Contudo, a ideia das ementas acho que é de manter.

Também ando a pensar também em pintar o quarto das miúdas, como eu costumo dizer, fazer um quarto à Pinterest. Mas sou demasiado desorganizada e ou a minha vida é demasiado imprevisível [não sei porquê mas soa-me à mesma coisa] para fazer muitos planos. Lá que sabe bem fazê-los, isso sabe. Pôr em prática, isso é já é outra conversa.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o melhor do meu dia

À medida que o dia passava ia-me perguntando o que seria o melhor. Foi um dia doce, bonito. A Bárbara tem estado adoentada e por isso resolvemos mantê-la em casa por estes dias, mas hoje saímos para almoçar nos meus pais e para a levar ao médico, por haver alguns sintomas que persistem. Ela, que por lhe custar a adormecer com a tosse, acordou tarde, não dormiu a sesta, mas andou sempre a cantar, a rir, a brincar. Até que à noite se "transformou" num diabinho. Foi um berreiro daqueles para lhe vestir o pijama, nem houve história, nem anjo da guarda, e as canções que lhe costumo cantar já de luz apagada serviram para acalmar os soluços do choro com ela no meu colo, e eu sentada na cadeira baixinha, exausta de ouvir chorar e com algumas dores. Com ela muito aninhada no meu peito, agasalhei-a com uma manta e lá cantei a "Sorry", o "João Pestana" e a canção da Lua, como todas as noites. E foi então que se deu o melhor do meu dia, sem qualquer dúvida ou engano, a bebé começou a dar pontapés, a mexer a mexer, a ondular, a serpentear. Não é a primeira vez que isto acontece quando pego na Bárbara ao colo. Acontece quase sempre. Desta vez achei que foi especial, como um pequeno mimo da mais nova para a mais velha que já tinha passado o limiar do cansaço e precisava de conforto naquele momento. Gosto de pensar que as duas vão ser assim, amigas e cúmplices. E que este momento foi apenas um prenúncio do que será a relação entre as duas irmãs, as minhas filhotas, os meus tesouros.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

e porque não?



Há pouco tempo que sigo os blogues da Catarina e da Ana. Rendi-me, agora fazem parte da minha lista diária (ou quase) de visitas, são blogues inspiradores e bonitos. Foi lá que li sobre esta ideia tão simples e tão importante de reflectir sobre o melhor dos nossos dias. Engraçado alguém ter que nos desafiar para isto.
Aqui está tudo dito. Quem se segue?

(a)normalidade dos dias

De vez em quando lá ouço "ah eu sei da tua vida toda, leio o teu blog". Eu rio-me tanto por dentro. Que disparate. Eu nunca faria isso a quem me lê, expor todos os pormenores da minha vida, há dias em que é um tédio! E outros em que me apetece falar de tudo o que vi, ouvi, cheirei e senti. Mas mesmo nesses dias ficaria muita coisa por dizer. É assim. Gostava muito de ter poder de análise e jeito para a escrita suficiente para dizer tudo o que penso sobre a blogosfera, sobre quem lê e quem comenta. Enquanto não acontece, limito-me a reflectir muito, primeiro porque tenho um blog desde 2008 e deve haver uma boa razão para isso. Depois porque cada vez a lista de blogues que visito com alguma regularidade é maior e identifico-me com alguns por motivos vários. Gosto de pensar sobre isto.
Gosto de escrever, mas há dias em que sinto que nada interessa e outros em que não me calava. 
Estes dias têm sido assim, calados por aqui. Mas intensos por casa, com as primeiras maleitas de Outono, mas também as primeiras castanhas. As primeiras contracções (as de Braxton-Hicks), e os primeiros sinais de que é preciso pensar em abrandar. Com dias muito muito ocupados, outros muito muito produtivos, outros muito, mas mesmo muito frustrantes. Daqueles que começam logo mal, com uma multa, ou com uma birra monumental só para tirar o pijama. O que é desafiante e gratificante no final do dia é tentar tirar partido das coisas boas, retê-las e dizer a nós mesmos "não há mal que sempre dure", porque a dada altura as coisas lá se compõem, tranquilizamos os nossos ânimos, sintonizamo-nos e arranjamos forças para avançar. E são assim as nossas vidas, tão ricas, naturalmente normais. Graças a Deus.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Iphone lover

Nunca tive um iPhone, mas ando a pedinchar um há quatro anos e tal à família. Todos se fazem de surdos, e assobiam para o lado. Já tentei negociar. Em troca de um iPhone no Natal ou no meu aniversário, eu aceito até 5 anos sem mais presentes. Nada mau, hã? Mas nem isto tem resultado. Este fim-de-semana e assim de forma meia inesperada, recebi um iPhone 3Gs (não se riam!) do meu irmão, que comprou um mais recente. Eu ia dizer que não? Não ia. Agora ando a explorar as apps que não conseguia instalar no meu Android. Espectacular. E pronto, de brinquedo "novo" estou mais satisfeita. Por agora... por agora.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Quando a Bárbara nos pedia a chupeta, mal a punha na boca, os deditos iam sincronizadamente agarrar uma madeixa de cabelo para fazer uns rolinhos. Era assim que ela relaxava. Desde que deixámos de lha dar, acabaram-se os rolinhos, aquele gesto que eu gostava tanto e que a confortavam tanto. Muito self soothing, já diria a Tracy, bem mais legítimo do que um objecto de latéx. E tão ternurento. Ontem, e como ainda tem dificuldade em adormecer, agora que tem que o fazer sem ajuda, tenho ficado mais tempo com ela. E disse-lhe "faz um rolinho no cabelo". Ela pôs a mão na cabecita e começou a sacudir os caracóis, meia sem jeito. Um movimento não existe sem o outro e vou ter muitas saudades de ver aqueles dedinhos amorosos a encaracolar madeixas. Mas também é tão bom ver que ela é capaz de crescer, de se adaptar e de aceitar aquilo que lhe ensinamos. Antes de me deitar fui aconchegá-la e ela dormia profundamente, pernita dobrada, as mãozitas a agarrar de um lado o Sr. Coelho, do outro lado a Gertrudes. A boca desenhada, perfeita e pequenina. Tão tranquila, tão doce. Tão minha... tão crescida.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quase 28

Hoje foi dia de consulta. A rasar as 28 semanas, a palavra "parto" já vai sendo dita mais amiúde, já vão começar as aulas de preparação, já me vão dizendo quais os motivos para ir à urgência a.s.a.p., digamos que a coisa começa a ficar séria. 
O que mais ouço é "vai ser mais rápido". Por mim tudo ok, eu não quero é que doa. 
A enfermeira Júlia disse-me uma coisa muito engraçada no outro dia: "Já ouviu falar dos bebés que nascem em ambulâncias a caminho do hospital? São os segundos filhos". Fiquei assim a saber que não é só nos filmes que acontece. Por isso, espero chegar a tempo para não ter que dizer à minha filha que ela nasceu ali no semáforo do cruzamento da Júlio Dinis com a Rua do Campo Alegre. Já que não posso piscar os olhos e ela nascer por magia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dores de crescimento

"Quem ama educa". Não sei quem foi o autor desta expressão, se é que houve um. Mas é verdade, quem ama educa, quem ama cuida, quem ama protege. Educar é proteger, porque é cuidar. Isto de cuidar de uma criança não é fácil. Não há direito a descanso, nem tréguas. Assim como não paramos nunca de amar.
E agora que resolvemos dar mais um passo, estamos aqui, como sentinelas, anjos da guarda. Como pais. O passo é tão simples e tão complicado. Tirar a chupeta. A pacificadora. Parece tão cruel. Mas é tão necessário. E decidimos que era agora, tinha mesmo que ser agora. No início parecia ser mais fácil. "Filha, vês, agora já não doem os dentinhos." Mas não houve um encerrar, um ritual. Simplesmente as chupetas saíram de cena, covardes. E a Bárbara continua a perguntar por elas. Demora muito tempo a adormecer e fica carente, muito carente na hora de dormir. Quer abraços, quer colo, quer água, quer xixi, quer mão, quer que me deite ao pé dela, "não vás embora, mamã". E eu vacilo, quase que abro a gaveta e escolho a chucha preferida dela. Decidimos que este fim-de-semana vamos tentar que ela as ofereça (a uma árvore, aos patinhos, aos meninos perdidos do conto do Peter Pan?), que se despeça. A mim custa-me pensar nisto, eu que deixei a chupeta tão tarde.
E entretanto vamos lidando com birras, muitas, e às vezes ficamos esmorecidos. Outras vezes acontecem coisas como o pai pôr a Bárbara de castigo e ela chorar desalmadamente, mas depois passar àquele chorinho mimalho, e eu desatar a rir do outro lado da casa, riso de descompressão. O meu amor pequenino. Mas depois vemo-la mais tranquila, mais cuidada, pronta para fazer aquilo a que se recusava. Amar é cuidar, cuidar é proteger. Cuidamos, protegemos, educamos. É uma doce, ao mesmo tempo árdua, por vezes ingrata missão, esta. Mas a melhor de todas, porque tudo isto é amor.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Hoje

Permiti-me começar a semana devagar. As insónias deram tréguas e agora durmo pesado, tão pesado que acordo sempre com uma leve dor de cabeça por, acho eu, precisar de dormir mais. Hoje especialmente, está a custar manter os olhos abertos e o espírito desperto. Eu encostava-me aí numa parede e dormia, juro. Não tenho desprendimento para isso e como tal estou a tentar produzir. De manta nas pernas, e daqui a pouco um chá, é certo. Mas trabalhar em casa tem que ter alguma vantagem.
Este fim-de-semana delicioso que passou foi também um marco. Faltam três meses. Já estou no último trimestre. Inacreditável. E sem saber bem em que ponto deveria estar agora. Ainda é cedo para ter tudo pronto, mas ainda não preparei quase nada. Não tenho grandes coisas a fazer, nada de especial a comprar. Mas isto dá-me uma sensação de "now what, faço o quê?". É esperar.