quinta-feira, 28 de agosto de 2014

douro

Passar uns dias fora este ano era um desejo, mas com o nascimento da Teresinha e com demasiadas incertezas, não fizemos planos. O tempo não se recomenda, por isso vamos passeando, convivendo com amigos e família, descobrindo sítios novos ao nosso ritmo, à nossa vontade. 

Um destes dias fomos até ao Douro matar saudades e mostrá-lo às nossas filhas. [Há 4 anos fugimos para lá, literalmente, por um pouco de sossego, um mês ou dois antes de ficar grávida da Bárbara. Ficámos num quarto lindo sem televisão, decorado de forma simples e romântica, e com a vista mais maravilhosa: as montanhas altas, ondeadas, os socalcos, as vinhas, o rio, as quintas. Maravilhoso.

Não chegámos cedo, a nossa vontade era de ficar, dar entrada num hotel e passar a noite para aproveitar um pouco mais. Mas com duas crianças pequenas a improvisação tem limites.
Voltámos então por estes dias, a um Douro não tão profundo mas igualmente apaixonante. Demorei um dia inteiro a preparar malas para duas noites e fomos, iludidos pela ideia de descanso e de paz, mas foi a última coisa que tivemos. Num dos almoços no hotel, o Daniel interrompeu a refeição para ir mudar a fralda à bebé e a Bárbara quis ir com eles. Fiquei sozinha durante 10 minutos, em silêncio, na sala quase deserta, garfada atrás de garfada, limpava a boca, bebia água. Sem interrupções, sem mandar sentar, sem apanhar brinquedos do chão. Foi então que percebi duas coisas. Faz-me [nos] falta tempo assim, a sós ou a dois, mesmo sabendo que não vamos falar de outra coisa senão delas e que vamos morrer de saudades. A outra coisa é que fazemos isto agora por elas, o importante é que elas usufruam, se divirtam, brinquem e riam, mesmo que isso implique sacrificar o descanso. Vê-las felizes, em constante exploração e descoberta, é tão compensador.

O regresso foi doce e a Bárbara não poderia ter expressado melhor aquilo que também nós sentimos: "Mamã, eu adoro a minha casa".

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

[correr, saltar, rir, brincar]


Um dia maravilhoso no meio deste Agosto incaracterístico.

domingo, 10 de agosto de 2014

síndrome dos SIMS desnaturados

Para quem conhece o jogo dos SIMS, imaginem o seguinte. Sabem quando um casal [de SIMS] vive na mesma casa e se apaixonam um pelo outro [no início do jogo e apesar de coabitarem é como se fossem estranhos] e depois perguntam-lhes se querem um bebé? Se a resposta for afirmativa, aparece lá uma pequena alcofa com um bebé para tratar. Sempre tive curiosidade para saber se aquele bebé eventualmente cresce, se terá nome e essas coisas. Mas nunca consegui ficar com ele. Era tal o frenesim de dar de comer, adormecer, brincar, etc., o bebé só chorava e os pobres dos pais não tinham tempo de responder a tudo. Acabava por vir a assistente social e levava o petiz. 
Cá em casa as coisas não são tão drásticas, mas é assim que me sinto, como um SIMS desaustinado. Passamos muitos dias em correria, a cruzarmo-nos por uma casa caótica a acorrer a todas as necessidades das nossas filhas, a tentar deixar pelo menos o básico feito. Tem dias em que nem à noite temos tréguas e o sossego já chega demasiado tarde e as manhãs começam invariavelmente cedo. Na maior parte das manhãs acordo com muitas dores nos ombros, nos pulsos, julgo ser da tensão em que durmo. Quando me levanto pareço uma mulher sob o  efeito do álcool. Na maior parte das noites deito-me ainda em estado de alerta. Só penso em tarefas e coisas que queria tanto ter feito e não fiz, sítios onde queria ter ido e não fui. 
Uma das coisas que mais me custa é ver o D. chegar do trabalho e não o deixar sentar 5 minutos. Ele entra e leva logo com uma filha nos braços, para que eu possa ao menos começar o jantar. 
Não sei como os outros conseguem, se passam pelo mesmo, se também sentem este esmagamento. Ouço muitas vezes que vai passar, que o tempo torna as coisas mais fáceis. Talvez. Eu queria-as mais fáceis já. Para aproveitar mais e melhor esta fase delas. São pequeninas, são surpreendentes, são tão deliciosas. E precisam tanto de nós. Mais do que a casa arrumada, ou de incontáveis brinquedos. 
A assistente social não vem cá a casa. Se viesse gostava que ma arrumasse, que passasse umas roupitas a ferro, e talvez o fizesse, talvez, se lhe pedisse com jeitinho.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

seis meses, teresinha


É a bebé mais cool, mais querida e sorridente. Adora a irmã, adora brincar com palhinhas, adora dormir de barriga para baixo. Não é muito fã de banho, mas adora os cremes e as massagens a seguir. Tem os pés mais lindos, o pescocinho mais cheiroso. Faz hoje seis meses que nasceu e é a nossa ternura, o nosso tesouro, a nossa caçula. 

*Quando publiquei o post era já dia 7. Mas o dia dela é o 6. Seis aos seis. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

[playlist] para trabalhar

Agosto começa com muito trabalho. Se por um lado é mesmo bom, por outro tenho muita vontade de parar por uns dias e não pensar em mais nada senão praia, sandes e aproveitar as miúdas. Enquanto isso não é possível e para que o seja de facto, tenho que me abstrair de tudo por umas horas e dar o litro.








domingo, 3 de agosto de 2014

[inveja]

Sempre que ouço "ai que inveja... mas inveja boa...!", "inveja branca", "inveja saudável", dá-me comichão. Da má. Há inveja. Inveja é um sentimento. Ponto. Lá porque se tem inveja, não significa que o invejoso magoe o invejado, ou que lhe faça mau olhado. [O mau olhado também tem que se lhe diga. Desde quando isso prejudica alguém? Furar o pneu a alguém, fazer uma rasteira, isso sim é mau. E depois dizem-me que las hay las hay, las brujas. E eu digo para mim, as brujas las hay dentro de nós, que somos muitas vezes os nossos piores inimigos.] Anyway, a inveja. É um sentimento como outro qualquer. Gostávamos te ter aquilo que alguém tem, sentir aquilo que alguém sente, estar no sítio onde alguém está. Na medida certa, a inveja pode ser impulsionadora. Para irmos à luta, para nos mexermos do sítio, para mudarmos o que não está bem. 
Eu sinto inveja de muita gente. Nem branca, nem verde. Pura. Sou uma invejosa. Mas sou boa pessoa. Garanto.