quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Deixem sentar a senhora grávida!

Se há coisa que me deixa com comichão é estar na fila do supermercado com a minha filha ao colo, para comprar um pacote de queijo ralado e quatro iogurtes, e ter uma chata atrás de mim a moer-me a paciência para eu ter prioridade "Mimimimimimi, porque tem uma bebé ao colo", "mimimimimimimi, porque as pessoas não enxergam", "mimimimimimimi, porque já não há educação". E se eu explico que estou bem, que deixe estar, olham-me como se fosse a maior bocó à face da terra.
Ok, a caixa prioritária não estava aberta. Mas eu não levo a B. ao colo para ter prioridade. Eu levo-a porque gosto que ela vá comigo, porque quero, porque não vou tirar um carrinho com mini cadeira só para comprar duas coisas. Porque estou confortável, as minhas costas ainda aguentam e porque consigo fazer tudo só com uma mão.
Era a mesma coisa quando eu estava grávida. Muito grávida, diga-se. Entrava no metro e ouvia logo um "deixem sentar esta senhora grávida!", de alguém que ia de pé, obviamente. Claro que se eu andasse só duas paragens, não aceitava o lugar. Dava-me mais trabalho sentar e levantar do que ficar de pé, bem segura.
Mas não pensem que não sei fazer uso dos meus direitos. Sei. E quando precisei, usufruí. Quando estava de quase 9 meses e já não me aguentava das pernas, agradeci a prioridade no supermercado. Agradeci o lugar no metro, agradeci que me abrissem portas, que me dessem a vez.
Quando a minha filha era bebé e tive que tratar de burocracias, agradeci a fila prioritária, para a sujeitar o mínimo possível a espaços com muita gente. 
E acho que cada pessoa sabe o que aguenta. Uma mulher grávida, de 10, 11, 12 semanas, ainda com pouca ou nenhuma barriga pede prioridade e a maior parte das pessoas pensa que é esquisitice e até chegam a duvidar. Mas só ela sabe se tem dores, ou se tem algum factor de risco. 
Disto tudo o que é que eu tiro? Que atitudes como as da mulher do super, nada têm de altruísta. São formas de expelir raivinhas. Acho estas pessoas muito irritantes. Estão ali simplesmente a querer prevaricar, tamanha é a agressividade com que exigem que me deixem passar à frente. Teria ela tanto empenho, se estivesse à minha frente na fila? Teriam as pessoas do metro a mesma atitude se fossem sentadas? Não sei. Que me lembre, nunca aconteceu.


Quando ainda estava grávida, perguntava-me muitas vezes onde é que andava o meu instinto materno. Se ia adivinhar, se ia saber. Isso era uma comidela de cabeça, porque eu, ingenuamente, achava que era assim que a coisa funcionava. Basicamente, o bebé chorava e a mãe passava a possuir um qualquer mecanismo interno, tipo lâmpada a dizer "passa-se isto". E achava que não ia ser assim tão perspicaz. 
Felizmente acordei a tempo desta "fantasia". Sim, porque isto era um delírio de perfeição. E dei-me conta que havia uma aprendizagem a fazer. A Bárbara não ia saber mamar desde logo, nem eu saberia logo amamentar, até poderia acontecer, mas não aconteceu e tudo bem. Fomos conseguindo, as duas, que resultasse. E resultou.
Lembro-me do primeiro banho que lhe deram, no segundo dia de vida, ainda na maternidade. Aliás, eu não me lembro de nada! Eu estava tão cansada e ela berrava tanto, que eu só me lembro de a enfermeira pegar nela e mostrar-me como se fazia e dizer umas cem vezes "está bem, mãe?"
Adivinhar os choros era outra coisa que me assustava. Era sono, era fome, cólicas, frio, calor? Mas a certa altura foi mesmo altura de tirar o peso dos ombros. E foi bem melhor. A Bárbara chorava e eu ia fazendo coisas, até perceber o que ela precisava. E fui-me tornando muito boa nisso.
Até que dei por mim a percebê-la tão bem e tão rápido como ninguém. E isso não tem nada a ver com instinto materno que, btw, já me disseram que there's no such thing as instinto materno. Há sim, uma relação. Assim como eu sei que de manhã não me posso meter muito com o meu homem, também já sei quando é que a pequena está a fazer birra de sono, ou quando está a ficar doente.
Já por duas vezes, ainda bem antes de a B. ter febre, senti-lhe a temperatura alterada, a aumentar, daí a umas horas lá vinha febre em força. Desta última vez também notei qualquer coisa de diferente quando fomos a Serralves. A B. no início quis andar, mas a certa altura ia para a relva, sentava-se e deixava-se estar, muito quietinha. Achei que não era muito normal para quem não pára por natureza e só recentemente tinha a liberdade de ir onde quiser, pelo seu próprio pé. E de facto, mais tarde, adoeceu.
Suponho que seja isto, o que chamam de instinto, e que afinal é aprendizagem. Quanto a mim, bem mais interessante, porque é fruto de meses de conhecimento, de estar atenta, de amar os nossos filhos e os conhecermos como ninguém. E isso dá-me um orgulho do caraças.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A primeira reunião de pais da minha vida

Ontem foi dia de reunião no infantário. Eu, que não fui à primeira, à que fizeram logo no início do ano, estava em pulgas para conhecer o espaço onde a pequena passa os dias, saber o que ela faz lá.
Claro que tem que haver sempre um pai revoltado e zangado com alguma coisa. Já me tinham prevenido para isso. E de facto, eles andem aí. Mas gostei de ver que a educadora estava bem preparada para lhe responder, com sucessivas chapadas de luva branca até ele desistir. Adiante.
O que eu adorei ver a salinha da B. O autocarro que nós decoramos está lá pendurado, o lugar dela no grande círculo onde cantam a canção dos bons dias, os pequenos trabalhos que foram feitos, e até um slideshow com fotos deles nas suas actividades. E é giro ver como 18 miúdos reagem de maneira tão diferente às mesmas coisas. Havia uma fotografia de um, já quase com 2 anos, sentado numa espreguiçadeira de baloiço. Rimo-nos imenso quando a educadora disse que ele todos os dias começava por se sentar ali, era a sua forma de começar o dia, não era logo a socializar. E outra foto da minha filha a chorar quando tocou pela primeira vez na digitinta. 
Saí de lá muito satisfeita com o que vi e ouvi. E com a certeza de que fiz o melhor. Mesmo que ontem a tenha ido buscar ao meio-dia com febre. Ela anda cuidada, feliz, e a progredir a olhos vistos. A minha pequena está lá muito bem entregue. Well done!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Help!

 


São amantes de cinema e estão com vontade de responder a um questionário rapidinho?
O meu colega Pedro Alves pede a colaboração para o seu projecto de investigação doutoral, e quer saber da vossa experiência individual de recepção filmica.
São 12 questões, quase todas de escolha múltipla, é rápido rápido. E quanto maior a quantidade e abragência de respostas, melhor!
É só ir aqui.
Muito e muito obrigada!

domingo, 28 de outubro de 2012

Hora do Vitinho Report - We did it!

Deitar a Bárbara na sua cama, depois de tomar o seu leitinho e encostar a cabeça no meu ombro para o beijinho de boa noite, deixá-la enroscadinha com o Sr. Rato, e com as mãos a fazer rolinhos no cabelo, sair do quarto e ouvi-la chuchar mais e mais tranquila, saber que vai adormecer entretanto e que daí a uns minutos terei que lá voltar para a tapar, mas já a encontrar a dormir, é uma sensação tão boa, tão boa, tão boa. Para chegar até aqui, tudo o que tivemos que corrigir, amadurecer e insistir valeu tanto a pena.
Para mim, é muito mais gratificante e honesto deitá-la na cama acordada, esperar tranquilamente que adormeça por si, mesmo que fale muito ainda, que se vire, destape, puxe o boneco de música, resmungue até, do que deitá-la depois de adormecer no meu colo. O acto de a deitar já adormecida, faz-me sentir que ela pode acordar e pensar "onde estou?", "porque estou aqui sozinha?".
Tive que me mentalizar que ensinar a B. a dormir não podia ser uma guerra, uma fonte de ansiedade, mas uma aprendizagem, um processo com avanços e retrocessos, e depois mais avanços, com muita paciência e persistência. E uma coisa era eu saber isto, saber onde tinha que chegar, outra coisa era sentir, e outra ainda era cumprir.
E foi assim que a nossa pequena família fez uma grande e poderosa conquista. E por causa disto, somos (ainda) mais felizes.

Lovely sunday morning


 




Este fim-de-semana teve dois tipos de momentos. Os para esquecer e os para mais tarde recordar. Pois que ontem fizemos a nossa primeira corrida até ao hospital, depois de a cara da B. ter um encontro imediato com a esquina (arredondada, ufa!) da mesa de centro da minha mãe. Abriu a boca por dentro e por fora, teve muito aparato, mas acabou por não ser nada tão grave como pensávamos. Grave como quem diz, dispensou pontos. 
Surpreendemente, a pequena continuou o dia na sua boa disposição, e apesar de estarmos de sobreaviso por ter batido com a cabeça, brincou, comeu, dormiu, tudo normal.
E por isso mesmo hoje aproveitámos o Sol, e fomos dar um passeio apetitoso por Serralves. A planta de Serralves, que tão bem conheço, tem uma forma parecida com a de um coração. E é mesmo um músculo de força nesta cidade, com a sua diversidade, com as pessoas que por lá andam. Hoje, com a B. a pisar as folhas, a vibrar com as cores, com as outras crianças, foi tão diferente, e tão melhor. 
Como é que coisas tão simples como esta trazem uma felicidade tão tamanha?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pela primeira vez desde que a B. começou a caminhar com mais segurança, fomos a um centro comercial e deixamo-la andar livremente. Quando digo livremente entenda-se que íamos atrás, a uma distância segura. Ela deu a volta ao bar redondo, disse adeus à funcionária, entrou na Lion of Porches, disse olá à funcionária, entrou na Adidas, pegou nuns mini ténis, entrou na Massimo Dutti e saiu, ficou especada a olhar para os ecrãs com as paisagens zen do corredor, depois foi checkar as máquinas de multibanco, as plantas, entrou numa ouriversaria, pelo meio corria para alguém a rir, depois foi ver as filas do cinema, tentou roubar uma pipoca a uma senhora que tinha um balde cheio pousado no banco, disse olá a uma família de três, sorriu para a filha adolescente e abraçaram-se as duas, tão felizes. 
Eu e o pai sempre um bocadinho atrás, e de vez em quando pensava comigo que ela é pequenina, não sabe andar no meio de tanta gente estranha. Mas, na verdade, as pessoas não estão habituadas a ser abordadas desta maneira, por uma criança com um grande sorriso na cara, sempre pronta a dizer olá, a dar um abraço, a atirar um beijo. É assim a minha filha. Não fui eu que lhe ensinei, nem sei se o herdou de nós. É dela. Gosto de pensar que lhe damos segurança para ela se afastar, que se sente protegida apesar da distância. Mas é dela ser de bem com a vida. 
E eu quero que ela seja sempre, sempre, sempre assim.

Absolutely love


A música, a maneira como a Blake Lively aparece, o vestido, o cabelo, a landscape. Absolutely everything.

Sexta-feira

Em modo organize it! Com tanta coisa para fazer, o melhor é estabelecer um plano de acção. Otherwise, vou entrar em pânico. E nós não queremos isso, pois não?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cantos da casa #11


"Comer e coçar, vai de começar"

Bang?

Não sei se é isto 


Ou isto


Todos os anos é a mesma indecisão.

O ginásio e eu

Ligaram-me do ginásio para saber o que era feito de mim. Que já não vou há algum tempo. Ya right. estão muito preocupados com o dinheiro que eu gasto sem lá pôr os pés. Sim, eu quero lá pôr os pés, as mãos, todo o meu corpo, porque preciso, mas também é certo que não tenho tido tréguas no departamento das viroses e quanto a isso não posso fazer nada. Não é a constipação em si, é a falta de força que isso me provoca. 
Vai daí, lá vou eu para a semana fazer nova avaliação física. Pois sim. Mais uma tentativa de me tentar a ser acompanhada por um personal trainer, pago a peso de ouro. Se gostava de ter um personal trainer? Ah, gostava. Morro de inveja quando estou sozinha no tapete a dar o litro, enquanto há pessoas que têm exercícios orientados e no fundo, mais incentivo e maior compromisso. 
Mas o meu budget não mo permite, e estar inscrita num ginásio, sabe Deus. Se eu gosto de pagar e não ir? Não gosto. Se vou fazer algo por isso? Mas concerteza. Quando? Não sei. ASAP. Prometo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bach Forever

A Suite nº 1 para Violoncelo de Bach foi a música que escolhi para a abertura do copo d'água no meu casamento. Esta versão é soberba e uma excelente variação de um tema que me acompanhou ao longo da vida e que tenho um enorme prazer de ouvir uma e outra e outra vez.


B.


O jeito tão terno como ela se levanta sozinha, pega num livro ou dois e vai ter comigo à cozinha com pequeninos passos vacilantes.


*

 Nigella Lawson

Jamie Oliver

José Avillez

Adoro ver estes Chefs em acção. Para mim, os mais apaixonantes. O José Avillez surpreendeu-me pelo entusiasmo com que descreve cada passo de uma receita, com que fala de cada ingrediente e para mim isso distingue-o de um Henrique Sá Pessoa, ou da uma Mafalda Pinto Leite, que têm muito mérito, adoro o que fazem, mas falam baixo, sem sal e pimenta na voz. E falta-nos isso, entre as nossas gentes. Tenham orgulho, caraças!

Bom dia!

good morning 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Top chef... not

Eu não sou uma dona de casa nada prendada, super organizadíssima. E demorei para admitir isto, mas se pudesse tinha empregada todos os dias. Acho que há coisas mais importantes para fazer, como ler, passear, fazer nada. São só exemplos. 
Mas há uma coisa que eu adoro e que raramente delego, que é cozinhar. Gosto de o fazer só para nós os três, para a família, para amigos, ponho música, preparo tudo, provo, rectifico, emprato se for preciso. 
Não sei se é por ainda não conhecer bem o forno ou o fogão, se é por ter muito mais coisas para fazer, ultimamente são mais os fiascos do que os sucessos. Fico frustradíssima, se há coisa de que me orgulhava era de cozinhar bem, bons temperos, cozedura certeira, bom equilíbrio de sabores. Mas os meus cozinhados têm deixado muito a desejar, hoje as minhas lulas estufadas pareciam borracha, o bolo de chocolate queimou por cima, as natas talharam. 
Vamos acreditar que é mesmo uma fase de reconhecimento, uma mistura de cansaço com muitos afazeres ao mesmo tempo. Vamos acreditar que são estas as causas. E que daqui a uns tempos vou voltar a ser a Nigella cá da casa. Vamos acreditar com muita força. Muita muita muita... muita força.

Santa ignorância


Entro na Oysho para ver a secção de gymwear que me piscou o olho na montra, e muito afoita pergunto a uma funcionária, se agora iam ter sempre roupa de desporto, ou se era uma espécie de edição limitada. Mas parece que já existe desde o Inverno passado...
E ainda bem. São peças giras, com estilo, andam ali nas minhas cores preferidas, os cinzas, os antracites, tem umas sweats muito engraçadas sem ar de fato de treino desleixado, sacos, tops com bom suporte, sim senhora... fiquei admirada, sobretudo por não ter visto mais cedo, volta e meia entro lá. Eu às vezes ando mesmo a dormir.

O que seria do amarelo?

Por estes dias chegou-nos mais um TPC do infantário da Bárbara. Numa capa amarela, deveríamos fazer uma colagem de figuras... amarelas. Cada menino e menina tem uma folha para si. E como a Bárbara ainda não sabe (nem pode!) pegar na tesoura, aqui a mummy pôs-se a fazer uma montagem gira. Confesso que tenho um certo prazer nestas coisas. Mas o mais giro foi o facto de eu também estar a fazer um board de Amarelos no Pinterest.
Aqui estão algumas das minhas preferidas. 

Image of Elephants Letterpress Notecards 

Jaune escaliers.


.

Mais aqui.

Amor


Mesmo rabujenta do sono, é a visão mais bonita do meu whole wide world.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bom dia!


In the mood for old movies. In the mood for movies, pronto.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sexta-feira em A...furada




Já não me lembrava de sentir tanta alegria por ser sexta-feira. Desde que trabalho como freelancer, ser sexta, ser segunda ou ser domingo é mais ou menos igual ao litro. Daí ter-me passado como por magia aquela neura que associamos ao começo da semana de trabalho. Bem, nem sempre me dou bem com as segundas-feiras, mais pela desorganização mental que a pausa do fim-de-semana provoca. Anyway. Desde a entrada da B. no infantário, dou bastante mais valor ao fim-de-semana, porque são dias de matar de saudades, de mimar, de esquecer horas. Há mesmo muito tempo que não sabia o que isto era. E é bom. 
Por isso, para celebrar o final da semana, fomos passear a um dos nossos sítios preferidos. Passámos no atelier dos nossos amigos e depois fomos ver a marina nova, o rio, as velhas embarcações, as roupas a secar nas janelas, aquele lugar tão único que é a Afurada.
Hoje deixámos as preocupações um bocadinho de lado, e preparamo-nos para um fim-de-semana recatado, como há muito não temos. Dois dias inteiros sem horários ou obrigações, a cuidar da nossa casa, a cuidar de  nós.

A primeira encomenda

Andava doida pela touca que vi no site, mas nada de a ver nas lojas. Nenhuma, em cor nenhuma. Alguém me sugeriu que comprasse online, e eu resolvi ver como se fazia. Foi fácil. Paguei, escolhi, os prazos foram cumpridos, e a touquinha para a minha B. está cá, sã e salva, num lindo package. 
Vale a pena mostrar. Thumbs up!



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Cantos da casa #10


Not so classy. As minhas pantufas. E o meu tapete, ao fim do dia. Perfeito.

Habemus Toddler

Chegou o dia em que ela estava no tapete da sala, sentada a brincar. Fincou os dois pés no chão, arrebitou o rabo e endireitou-se. Levantou ligeiramente os braços, para dar equilíbrio, abriu as mãozinhoas "à menina" e off she went. Deu a volta ao sofá, à mesa da sala, transpôs a porta, passeou pelo hall e foi à cozinha ter com o pai. Pelo caminho ainda afastou o cabelo dos olhos e rodou os pulsos, em jeito dançante. 
Já não são uns passos tímidos da mãe para o pai, do pai para mãe, já em desequilíbrio mal vê os braços abertos para a receber. Já não é passar do sofá para o banco, da cadeira para o boneco pendurado nas grades da cama. Precisa cada vez menos da nossa mão para ir onde quer. E é isto, que no meio de toda esta alegria e toda esta conquista me faz ficar um bocadinho melancólica: ela está a crescer tão, tão depressa.

Cogumelos makeover

Antes 


Depois


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Com pérolas destas ninguém consegue discutir

Ele, em tom sarcástico: eu adoro essas tuas teorias.
Eu: Oh, se eu fosse a enteorizar as TUAS melhorias... 

Calei-me. Alguma coisa estava muito mal. Pois. O que eu queria dizer era "se eu fosse a falar das TUAS teorias brilhantes".
Preciso de férias.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Experiências na cozinha


Relax, foi só uma tarte de maçã. Estou só à espera que arrefeça para lhe dar aquele glacé com doce. As colegas de trabalho do marido deram-lhe maçãs e eu fiz uma tarte para ele levar para elas, amanhã. Portanto, nem sequer vou provar a minha criação. Sou tão f***ing altruísta.

Olha, afinal mais uma Hora do Vitinho report

Hoje tivemos uma noite à moda antiga, cheia de acordanços. A B. tem aqueles dentes lá atrás a nascer. Parecem umas agulhinhas. E tem as gengivas mega grandes. Mas não sei se foi isso que a incomodou. Acho que a certa altura teve frio, o que é estranho porque mal a tapo com o edredon ela levanta as pernas e põe-nas de fora. Só quando está ferradinha a dormir é que se deixa estar tapada.
Anyway, a certa altura já estava a ser difícil aguentar, porque eu estava cheia de sono e de cada vez que acordava tinha um braço a dormir. Então resolvi acampar no quarto dela. Assim, podia chorar, e apesar de não a socorrer logo, que não é isso que se pretende, se a coisa persistisse já não tinha que me levantar. Fazia-lhe um shhh shhh, dava-lhe a mão e ela lá adormecia. Depois lá me lembrei de lhe vestir o saco cama que lhe comprei no ano passado no Ikea. Bendito saco, que ela não acordou mais. Mas eu dormi toda a noite um bocadinho em stress. E não muito confortável. Estou aqui a modos que zombie. E com lots to do, ASAP. Valha-me a música. O café. A vontade, essa, não sei onde se meteu.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ai estás tão magra, filha.

Há não muito tempo, comecei a ter alguns cuidados alimentares para ver se reduzia os mais de dez quilos que tinha a mais e voltava ao meu peso normal. O meu normal é o peso com que me sinto bem, enérgica e bonita. Mas com a mudança de casa, gastros, gripes e sei lá que mais, isso ficou um bocadinho de lado. Houve coisas que não voltei a fazer, como repetir o prato, e comer mais do que um, máximo dois pães por dia. Reduzi imenso o consumo de sumos, de açúcar, de manteiga e raramente como fritos. Ainda assim, não me privo do que gosto. Não sou de ir a uma festa e ficar a olhar para os salgadinhos, nem digo que não a uma francesinha. Mas aquele regime mais rigoroso, não voltei a fazer. Mas ia regulando: de há uns meses para cá voltei a vestir três pares de calças que pus de lado logo no início da gravidez, e na semana passada comprei umas calças dois números abaixo do que usava antes do Verão. Tinha uma blusa encostada porque quase não conseguia respirar com ela, e agora fica folgada (é a da sessão).
Mesmo assim, quando tirei a balança do caixote na altura da mudança, pu-la logo debaixo do móvel da casa-de-banho, sem coragem para me pesar. 
Hoje, em casa dos meus pais, vi a balança deles toda xpto, que até dá o índice de gordura. Tenho-lhe uma certa raiva, porque dá-me sempre mais peso do que a minha própria balança e chama-me "fat". Mas pus-me em cima dela e preparei-me para o pior, porque estava vestida da cabeça aos pés e já era fim do dia. Qual não é o meu espanto, a "bitch" dá-me um peso nos cinquentas. Menos oito quilos do que há 3 meses atrás. Epá, só me apetecia dar-lhe beijinhos, abraçá-la, casar-me com ela. Kidding. 
Portanto, estou no bom caminho. Contas feitas, oito quilos down, cinco to go. Nada mau. Maravilha. Fantástico. Iei. 

Bonjour

Começo a semana com um sentimento de baaaah. Bah, quero outro sábado e outro domingo, all over again. Bah, quero boas perspectivas, para mim e para os meus. Bah, quero andar mais bem disposta. Bah, tenho saudades dos meus passeios matinais com a B. à beira mar. 
Depois de dois dias no countryside era de se esperar melhor disposição. A B. esteve absolutamente deliciosa. Sempre sorridente, tranquila, a comer e dormir bem, a arriscar os primeiros passos sem ninguém a incentivar, a brincar com os primos e a sua mini kitten, a atirar-se para o colo do avós que já não via há mais de um mês. 
E é ela, sem qualquer sombra de dúvida, que me dá força para enfrentar tudo o que aí vier.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Águas de Março



Uma das mais bonitas letras que conheço.


É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é um caco de vidro, é a vida, é o sol
é a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
é peroba do campo, é o nó da madeira
caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
é o mistério profundo
é o queira ou não queira
é o vento ventando, é o fim da ladeira
é a viga, é o vão, festa da cumeeira
é a chuva chovendo, é conversa ribeira
das águas de março, é o fim da canseira
é o pé, é o chão, é a marcha estradeira
passarinho na mão, pedra de atiradeira

Uma ave no céu, uma ave no chão
é um regato, é uma fonte
é um pedaço de pão
é o fundo do poço, é o fim do caminho
no rosto o desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego
é uma ponta, é um ponto
é um pingo pingando
é uma conta, é um conto
é um peixe, é um gesto
é uma prata brilhando
é a luz da manhã, é o tijolo chegando
é a lenha, é o dia, é o fim da picada
é a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
é o projeto da casa, é o corpo na cama
é o carro enguiçado, é a lama, é a lama
é um passo, é uma ponte
é um sapo, é uma rã
é um resto de mato, na luz da manhã
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é uma cobra, é um pau, é João, é José
é um espinho na mão, é um corte no pé
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é um passo, é uma ponte
é um sapo, é uma rã
é um belo horizonte, é uma febre terçã
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho

É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho

Pau, pedra, fim do caminho
resto de toco, pouco sozinho

Pau, pedra, fim do caminho,
resto de toco, pouco sozinho. 


Tom Jobim, 1972

Bits + Pieces

 O último (acho eu) baptizado do ano.

 Os dias agora começam tão cedo, que tenho que esperar que as lojas abram.

 A toalha de mesa preferida, acabada de lavar. Feita pela minha avó M. 

Esta foto podia ter como título "Já não se dispensa o pijama" ou "Perdi o lençol de cima".

 Algumas (boas) compras para o guarda roupa de Inverno. 

 Brincadeira matinal, enquanto os pais se preparam para sair de casa.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Bits and Pieces

Isto não é um desafio. Tenho dificuldade com os desafios, e isto é uma coisa que já queria explicar há algum tempo. Não acho piada a responder a x coisas sobre mim. Não acho espontâneo, nem sempre (quase nunca) vai de encontro à minha vontade de partilhar factos sobre a minha vida. Eu vou partilhando aquilo que vai acontecendo, que vai tendo relevância por cá. Também não acho particular piada a selos. Peço desculpa, mas não acho. Tenho os meus blogues favoritos, por onde passo independemente de serem muito lidos ou não. Blogues com quem me identifico, blogues de amigos, blogues de coisas sérias e blogues que me fazem sonhar, blogues que me inspiram. Um deles, que não está na lista abaixo, por pura preguiça, é este. Para mim, é um regalo para os olhos, imagens lindas de morrer, uma filosofia de vida muito interessante. Muito coerente, acima de tudo. Ora, a miss james, a autora do blogue, faz uns posts ocasionais chamados Bits and Pieces com uma selecção de fotos, de vários dias. Quase como um resumo da semana em imagens, pelo que entendo e desafia as pessoas que a lêem a fazer o mesmo e a partilhar com ela. À semelhança dos Cantos da Casa que é uma coisa que me tem dado algum gozo, está mesmo a apetecer-me fazer uma coisa deste género. Um Bits and Pieces semanal, com recortes da nossa semana. 
Repito, isto não é um desafio. Eu já me dei conta que não sou muito boa a manter coisas. Porque chega uma altura em que deixam de fazer sentido, ou dão mais trabalho do que prazer, como o projecto 366, mas isso porque acho que não soube simplificar o processo. Talvez retome para o ano.
A "hora do Vitinho" também deixou de ser motivo de conversa. A partir do momento em que a B. foi para o infantário, começou a dormir as noites inteiras, adormece cedo e o único problema agora é conseguir que ela adormeça na cama dela, ou sozinha, coisa que estamos a trabalhar. 
Anyway, ainda não sei se com este mesmo nome ou não, vamos avançar com um Bits and Pieces à moda da casa. Parece-me bem. 

Cantos da casa #09


Optámos por não ter coffee table ao pé do sofá e deixar o grande tapete livre. Enquanto a Bárbara for pequenina é um excelente espaço para brincar. E eu adoro deitar-me no chão a ver televisão, com montes de almofadas. Ou a ver revistas, ou como se vê aqui, a ver fotografias da família.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A criação da Cuquinha


"Pede-se a uma criança: desenha uma flor. Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo, o papel está cheio de linhas. Uma numa direcção; outras noutra; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis; outras mais custosas; outras não tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois, a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor! As pessoas não acham estas linhas parecidas com as de uma flor! Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça à procura das linhas com que se faz uma flor. E a criança fez no papel algumas dessas linhas, ou outras talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus fez uma flor!"

Almada Negreiros

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cá em casa

Cá em casa não temos ligado a televisão. Não foi uma coisa que tivéssemos decidido. É algo que não acontece. Ninguém está para ir ligar a televisão.
Cá em casa andamos em suspense. Não sabemos o que vai acontecer para o mês que vem, como vai ser do trabalho, se temos futuro neste país. 
Cá em casa estamos a tentar instalar-nos, mas estamos cansados, tão cansados.
Cá em casa vamos vivendo um dia após o outro, a tentar que o optimismo não fuja por aquela porta.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A sessão

Lembram-se de ter falado de uma sessão de fotos que fizemos? Pois é. Já há algum tempo que sou fã da Catarina Ferreira, do projecto Ties. Primeiro conheci o projecto, só depois o blogue, que é paragem obrigatória diária. Soube então que a Catarina vinha ao Porto, que ia estar disponível para sessões e marcámos encontro num dos meus sítios preferidos de toda a cidade, o Palácio de Cristal. Qualquer recanto é lindo, adoro o coreto onde já ouvi tocar o Bernardo Sassetti, a vista ímpar que se tem do Douro. Os socalcos, a vegetação, a luz. Não podia ser noutro lugar. 
Hoje recebi as fotos e fiquei mesmo emocionada. A nossa pequena família fotografada com tão grande sensibilidade. Adorei mesmo, e partilho aqui uma pequena, pequenina amostra da nossa sessão.



 

e porque é impossível não babar com esta foto. 
Apresento-vos a minha filha Bárbara. 




Bah

Começo o dia a queixar-me da vida. Primeiro foi a gastroenterite. Na semana passada foi uma amigdalite (?), este fim-de-semana devo ter espirrado umas 2057 vezes, gastamos uma catrefada de pacotes de lenços de papel, ando a halls e anti-histamínico, a pequena a Fenistil em gotas. Cá em casa é ranho que nunca mais acaba. E eu tenho os meus pulmões estouradinhos, de tanto tossir. Ahhhhh, estou farta de maleitas.

sábado, 6 de outubro de 2012