segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um novo ano

 
Foto: Catarina Ferreira, Ties Photo

Passagem de ano não seria passagem de ano se eu não estivesse com uma constipação do tamanho do Empire State Building, mas tudo bem. Deu-me alguma predisposição para pensar em algumas coisas. 
Nunca tive o hábito de fazer resoluções de ano novo, nunca achei que fosse um dia que marcasse uma descontinuação de 365 dias. Durante muitos anos e até há não muito tempo atrás, os meus anos eram os lectivos, e habituei-me a fazer o balanço nas férias de Verão, debaixo do sol quente, já nos últimos dias de férias, aqueles em que já começa a apetecer regressar. Já até falei sobre isso.
Este ano é diferente, muita coisa mudou. Dentro e fora de mim. Ainda está a mudar. E apetece-me tomar decisões, fazer escolhas, pensar, resolver, fazer mais. Eu digo isto muitas vezes, mas já chega de me ficar por intenções. Quero ter a coragem de fazer. Quero concretizar. Não quero sonhos impossíveis, mas posso ter objectivos e trabalhar para eles. Traçar o plano A, mas pensar no plano B. Pensar no meu futuro, pensar onde quero ir. E não descurar coisas fundamentais, como estas:

Cuidar de mim. Sempre que há algum imprevisto, sempre que a B. fica doente, sempre que há mais trabalho, quase que me esqueço que tenho estou inscrita no ginásio, que preciso de comer bem, dormir bem, tratar do meu corpo e alma. Em caso de emergência, relego-me para último plano, muitas e muitas vezes. Até perceber o quanto isso está errado, por tantas e tantas razões. Quero, preciso de equilibrar a mãe com a mulher que sou.

Cuidar da minha vida profissional. Estabelecer objectivos mais concretos. Focar-me naquilo que sei fazer bem, naquilo que gosto mesmo de fazer. Descobrir o que é. Investir mais tempo no meu currículo, no meu portfólio. Documentar-me melhor, valorizar-me sempre. Estar preparada, porque nunca se sabe que oportunidades poderão surgir.

Cuidar mais da minha casa. Manutenção é palavra de ordem. Todos os dias um bocadinho, uma tarefa. Organizar, perder tempo a planear refeições, compras. Depois ganha-se esse tempo. Ir às compras às pinguinhas, planear o jantar às 5 da tarde é terrivelmente desgastante e não ajuda em nada as rotinas familiares. Encher a casa de flores, de vez em quando. Encher mais as minhas paredes.

Cuidar da minha família. Este ponto está muito relacionado com o primeiro. Não trabalhar tantas vezes à noite, estabelecer um horário e cumprir. Sentar-me mais vezes no sofá com o marido, afastar telemóveis, ipad e portáteis da nossa vista, quando brincamos com a B. Fazer mais programas fora de casa. Eu e o D. também devíamos sair mais, só os dois. Porque sim.

Cultivar-me. Ler mais. Ando há tanto tempo com vontade de voltar a colar-me a livros. Tenho saudades de outras estórias. De começar um livro desconfiada e depois terminá-lo arrebatada. De aprender mais coisas, sem ser pela www. Retomar as idas a exposições, ao teatro, a concertos. Dentro do possível.

Tudo se resume a pensar e agir um bocadinho além da minha zona de conforto. Sad, but true. Mas a vida é uma, caramba, não há desculpas. E não é que eu não seja feliz, mas posso ser muito, muito mais. Se fizer por isso.

E antes de me lançar nos festejos desta passagem chuvosa, quero deixar aqui os meus votos de um Bom Ano de 2013 a todos e todas que me lêem. Feliz Ano Novo!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Rabanadas pós-natalícias


Pela primeira vez na vida fiz rabanadas. Sempre achei que era coisa para durar horas e horas, mas não, demorei vinte minutos a fazer esta dúzia. Hoje provei as da minha mãe e estão tão boas, mas acho que estas não ficam nada atrás. Thumbs up!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Hoje

Abracei finalmente a minha irmã.
A B. voltou ao infantário depois da bronquiolite. Ainda não era meio-dia e já morria de saudades dela. E está tão chatinha, faz tantas birras, por tantas coisas. Para onde foi a minha menina gentil? Apesar de tudo, dou por mim a ter muito mais paciência do que imaginava. Tem dias. A tolerância é inversamente proporcional ao cansaço. O mais curioso é que encontro dentro de mim confiança, serenidade e força para lidar com tudo isto, mas às vezes isso assusta-me. Como se não me reconhecesse. Como se tivesse que ser difícil para ser válido. Mas nem tudo tem que ser uma guerra. Nem um acto faraónico. E tenho mesmo que meter isto na minha cabeça.

Natal imprevisto

Saiu tudo ao contrário.
Na noite do dia 23, fiquei a saber que o voo da minha irmã foi cancelado, devido ao nevoeiro. Esta foi a maior baldada de água fria.  
Com a Bárbara a recuperar de uma bronquiolite (primeira e espero que única), ficamos praticamente enclausurados em casa, envolvidos que estávamos em nebulizações, verdadeiros cocktails de soro fisiológico, Atrovent e Ventilan, mais Neo-Sinefrina para o nariz, e gotas de Fenistil, e Benuron para a febre. Pelo meio, muitas birras (my god!), muito pouco apetite e noites muito mal dormidas. 
Para não pôr em causa a recuperação da pequena, decidimos passar a véspera em terras de Gaia, com as minhas 35 pessoas e passámos o dia de Natal no countryside. Falámos com a minha irmã pelo Skype e adiámos a troca de prendas para hoje à noite, quando jantarmos todos juntos. Por isso, para mim, hoje ainda é Natal. Se calhar mais do que há dois dias atrás. O Natal é quando um homem quiser, eu quero que seja hoje. 
E por isso, Feliz Natal!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!



Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.


David Mourão-Ferreira

domingo, 23 de dezembro de 2012

Isto não está a correr nada bem


Montar este mobile estava a ser um exercício interessante, meticuloso e estava aqui a formar-se uma bela estrutura de pássaros de papel. Adorei. A tranquilidade que transmite. Transmitia. Falta uma vareta, e não consigo equilibrá-lo. Lá tenho que ir procurar o talão para o trocar.
Parece que não é desta que os pássaros brancos vão voar.(Olha, rimou).

sábado, 22 de dezembro de 2012

É uma prenda portuguesa concerteza


Alguém adivinha o que é?

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal:

Já não te escrevo praí desde 1985, por isso o mais certo é já não te lembrares de mim. Eu sou aquela miúda que metia os pinipons no jipe de plástico do meu irmão para conhecerem os estrumfes e fugirem do Gasganete. Estás a ver...? Sempre fui boa menina. Aquela vez em que lhe dei um pontapé por ele me ter acertado com uma moeda de dois e quinhentos no dente da frente, foi legítima defesa. O meu dente escapou ileso por uma unha negra! Adiante.
Nunca te pedi muita coisa. Uma Barriguita, uma Barbie (já agora, aquela Barbie de franja não dava com nada, mas pronto), e pouco mais. Até fecho os olhos a tu não teres respondido ao meu pedido de um Nenuco, e ficamos conversados.
Pai Natal, o que te venho pedir aqui hoje é uma coisa baratinha baratinha. Tempo. Preciso de tempo, Pai Natal. A minha Cuquinha tem estado doente, e o tempo não me chega.
Cuquinha acorda e é preciso mudar a fralda, aquecer o leite, ver a temperatura, dar as vitaminas, fazer a nebulização, pôr as gotas no nariz, lavar os dentes, lavar a cara, vestir. Cuquinha vai com a mãe para a cozinha, e quer ver o " Paia" (Panda), qué "tei", qué pão, qué pepé. Depois colo. É de perder o apetite, não concordas?
Cuquinha vai para a sala, mas não vai à cesta dos brinquedos. Vai ao iPad, ao computador, à box, ao telemóvel. Cuquinha qué colo, mas depois quer chão. E colo outra vez. E chão. Vezes trinta.
Pai Natal, eu não consigo descrever todo o meu dia, porque não tenho tempo. Eu só queria tomar banho. E secar o cabelo. Lavar os dentes, passar fio dental, pôr um creme, na loucura passar uma base. Vestir-me com calma. Fazer as camas. Arrumar a cozinha bem arrumada. Ter a roupa em dia, de uma vez por todas. E o trabalho em dia. E o ginásio em dia. Eu preciso de tempo, Pai Natal. E de dar uma saídinha, só para espairecer. Achas que é pedir muito?
Já agora, pedia-te mais uma coisinha. Era para levares a minha já longa constipação para outro lado. Eu como laranjas e tudo, e já gastei dois packs de lenços. Eu não consigo temperar a comida, e tu sabes como o sal a mais faz mal. Também não consigo saboreá-la, nem cheirar nada. Pai Natal, eu agora nunca sei se a Cuquinha tem cocó. Não cheirar cocó até que é bom, mas também não consigo cheirar a pelezinha dela, nem o cabelinho. E isso faz-me falta, Pai Natal. Eu prometo que não te peço nem uma blusinha da Zara, mas leva-me lá esta coisa embora, que já chega.
Acho que é isto. Por agora. Espero que te portes à altura, porque senão nunca hei-de alimentar a fantasia da Cuquinha de que tu existes e fica o Menino Jesus com os créditos. 
Chantagem? Chama-lhe como quiseres. Faz o teu trabalho, que eu faço o meu.

Atenciosamente, 
Mãe da Cuquinha

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Factos Natalícios


Habemus árvore de Natal. Ou "a tauuuu", como diz a B. Devo dizer que este ano está a passar-me muito ao lado, à conta de viroses, amigdalites, idas intermitentes ao infantário, prazos, e outras correrias, para além de eu própria estar com uma mega constipação, incluindo uma cabeça que pesa uma tonelada. Então, no meio disto tudo, só ontem é que houve alguma disposição para enfeitar a árvore. Já fiz melhores, mas prefiro pensar que ainda está em aberto, e que ainda posso acrescentar umas bolas ou uns laços.
Uma coisa que me dá um ânimo incrível é que a minha emigra está a chegar de Barcelona.  E isso é bom! A pequena B. cresceu muito desde a última vez que ela esteve cá, e há coisas imperceptíveis via Skype.
Este ano, a véspera de Natal é em casa dos meus sogros, no countryside. Meaning, vamos ser 5 pessoas à mesa. Quando a consoada é cá em cima somos 35. Trinta e cinco, cinco, trinta e cinco, cinco. Estão a ver...? Há dois anos, estava à espera da Bárbara. No ano passado, ela tinha quase 7 meses. Este ano, tem 18. 
Este ano, não mandei postais Unicef pelo correio, não comprei presentes, e ainda não preparei as fotos para distribuir pela família. 
Se chegar ao dia 24 com a miúda sem febre, sem tosse e sem ranho, fico feliz. E se eu chegar com as costelas inteiras, depois de tanto me assoar, ainda melhor. Haja saúde.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Pensamentos de uma pobre mãe deslumbrada


Quando olho para estas fotografias e penso há quanto tempo foram tiradas, todo o meu coração transborda, aperta-se, encolhe-se, expande-se, tudo ao mesmo tempo. Esta foto tem pouco mais de dois meses. E desde então tudo está tão diferente. Com tantas conquistas. Andar. Falar, cada dia mais. Dançar! Hoje perguntámos: Babá, dormiste bem? E ela disse que sim com a cabeça. E com isto é ver dois adultos emocionados e em êxtase com as pequenas grandes coisas que a sua filha lhes diz. Aquilo que é tão natural, o desenvolvimento humano, à escala da família é a coisa mais importante do mundo. É tão simples.
E é tão bom.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Bicho Homem e os papelinhos amarelos

Quando eu e o marido-então-namorado fomos viver juntos, há 4 anos, tivemos que afinar agulhas no que diz respeito à (falta) de organização de cada um. Eu achava-me arrumadinha, mas era pura ilusão, na casa da minha mãe, era a D. Teresa que me ia pondo as coisas no lugar. Na minha casa, isso não acontecia por magia, ohhhhhhh.
O marido-então-namorado também não era nenhum exemplo a seguir, mas sempre era um bocadinho menos desarrumado. Reparem que eu não disse "um bocadinho mais arrumado".
Um dia, começaram a aparecer post-its amarelos colados pela casa, no armário da cozinha, com "arrumar o pacote de leite" e coisas assim. Epá, ficava piursa. Mas arrumava. Depois comecei eu a espalhar os papelinhos amarelos com notificações para ele, mas devo dizer que surtiam mais efeito em mim.
Com a Bárbara, tivemos que marcar passo, e ser muito mais cuidadosos. Mesmo assim, temos muuuuito que melhorar. Agora sou eu a menos desarrumada (lá está, continuo a não dizer "a mais arrumada"), e há um dado novo. Eu peço coisas ao marido-já-marido, que ele diz que sim, diz que sim, e depois vai-se a ver e é como se eu tivesse falado para uma parede. Ajudai-me aqui nisto: será coisa de bicho-homem? É que enerva pra burro.
Eu digo "o conjunto de louça da B. não pode ir à máquina de lavar", e no dia seguinte eu vejo o conjunto de louça da B. na máquina de lavar. Eu digo "louça suja à esquerda, lavar no centro, louça lavada à direita" e quando olho para a banca  é uma misturada. Eu digo "passa a louça por água antes de ir para a máquina" e quando vou guardar as coisas nos armários tenho panelas com resto de comida, pratos, garfos, colheres e facas idem. Eu só estou a falar na cozinha porque é lá que ele vai fazendo alguma coisa. Vá lá. E eu aprecio isso, juro que aprecio, mas pergunto-me porque raio o que eu digo não fica dentro daquela cabecinha? Porquê, hum? Se é falta de papelinhos amarelos isso resolve-se já a seguir. Vou fazer stock de post-its e ter caneta sempre à mão. Já que não o posso pôr a escrever 100 vezes "passar a louça por água antes de ir para a máquina de lavar", vai ter que gramar com os papelinhos. Amarelos, rosa, aos corações, whatever. Se não resultar, é caso para dizer "tá cutucando onça com vara curta" e aí o cirrrrco pega fogooooo! Valeu?

And that's a wrap!

Hoje arrumei com tanto trabalhinho. Caraças. Por outro lado, tenho ali um monte de roupa que só vou despachar lá para 2019. Sou uma desequilibrada.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Insta-momentos

 Work. Muito. Variado. E tudo para ontem, está bom de ver.

 Depois de uma semana difícil, com birras. Sim, birras. 
Acho que os terrible two's chegaram meio ano mais cedo. Me-do.

Encontrei esta pauta, e ando a reaprender isto. Como o piano está na casa dos meus pais, sempre que lá vou, avio mais uns compassos. É uma pena não aproveitar 13 anos de aulas de piano.

 O ar livre faz muito bem e gostamos de o aproveitar. Mas com as amigdalites e outras ites que tais, não dá para grandes aventuras. Por isso aproveitamos os espaços indoors para passar uns bocadinhos.
Tem sido hábito passar pela Fnac para ver livros. Nós ficamo-nos por folhear, ela tem mais sorte, que de vez em quando ganha um "vivo" novo. O último que trouxe é o da sua grande paixão do momento. O Uki. E que bem que ela diz: Uki.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Eu queria

Aproveitar o sol, sentar-me numa esplanada qualquer, de blusão de penas, cachecol a tapar a boca e as orelhas. Esticar as pernas em cima da cadeira da frente e direccionar a cara para os raios de sol mais ou menos quentes.
Bebericar café e pensar na vida. Ouvir o mar, e as conversas dos outros. Ouvir as revistas a serem folheadas. Ouvir a música, a mais calma possível e de vez em quando debitar um pensamento em voz alta. Passear na areia e ficar feliz por ter este pedaço de paraíso à distância de um capricho.
Hoje fico-me pelo desejo. Mas ter imaginado este cenário, os cheiros, os sons, já teve um grande efeito na minha pobre alma cansada. O marido diz que eu hoje estou ligada às máquinas. Digo não, digo não, mas é sim. Estou. Pi... pi... pi-pi... pi... pi... pi-pi...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Insta-Natal

Gosto. Gosto muito. Eu sou bicho da cidade. Fazer o quê?

 Comprei só um e ainda não sei onde vai ficar. Mas é especial, isso é de certeza.

A porta da B. merece estar assinalada. Aqui é o seu reino.

Se acordarmos bem cedo, ainda é possível ir fazer uma visita à cesta dos brinquedos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Acordar





Um acordar tardio, convalescente, doce e traquina. Gosto quando ela acorda lentamente e fica ali a namorar com os bonecos, a pôr a sua música, a olhar pela janela, a rir, sorrateirinha.

Oscar Niemeyer 1907-2012


Até sempre.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Little girls

  

O meu board Little Girls no Pinterest, está a crescer.

Back in the old days


Quando eu era pequena, era assim que a minha mãe me vestia. Saias de pregas, de peito, xadrez, vestidos de tweed, meias calças vermelhas, verdes, azuis ou brancas. Até uma certa idade, nunca tive grande escolha, embora me desagradassem aqueles vestidos que picavam. Depois comecei a ver colegas de escola vestidas de cor-de-rosa, amarelo, e também queria. Tinha preferência por calças, se estava vestida assim esta foto foi tirada a um domingo, de certezinha. 
Agora eu e aquilo que faz a minha mãe abrir a boca de espanto. No início, quando era mãe inexperiente e não fazia a mínima ideia de como vestir um bebé, ainda mais quase no Verão, optei  por vestir a B. com roupa simples, ternurenta. Adorava o branco, as golas, os laços, nunca sequer ponderei uma peça com bonecada da hello kitty, minnies ou outros. Agradam-me padrões, flores, ou outros motivos adequados, mas deus-que-me-livre de muita letra e muito desenho, muito pink. E dei por mim, incansavelmente à procura do casaco comprido perfeito: um azul escuro. A visão da minha pequena vestida com ele, uma touca, um vestido de xadrez, meia calça da cor do sapatinho, um laço no cabelo... faz-me sorrir. É assim mesmo que tem que ser. E hoje quando revejo as minhas fotos de criança, com vestidos deliciosos, sóbrios, intemporais quase, agradeço à minha querida mãe não ter alinhado nos meus delírios fashion. Está mais que visto, eu não percebia mesmo nada do assunto.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Advento report #01

Ultimamente os planos andam a sair-me muito furados. Eu contava por esta altura ter uma série de trabalhos arrumados e estar a tratar de outras vidas. Mas a pequena adoeceu, as coisas atrasaram.
Também contava ter já o Calendário do Advento operacional, mas a pequena adoeceu, de novo.
É a vida. Infantário, infectário, whatever. Inevitável alterar tudo e prioritizar. 
Mas!, o calendário vai ser afixado em breve! Aliás, estamos já no segundo dia de actividades. Ontem foi a inauguração, hoje vamos ter o primeiro sinal de Natal cá em casa, com um enfeite na nossa porta. Prometo fotos e updates, se é que já não estou completamente desacreditada, aqui pela blogosfera. :-)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

18 meses

Foi há dezoito meses, um ano e meio. Aqui, estão apenas os primeiros meses, os de deslumbramento, de descoberta. Tudo aquilo que ainda hoje continua. Parabéns, minha Cuquinha.

Calendário do Advento report


Está quase quase a chegar o dia em que vamos pendurar o nosso calendário do Advento. Hoje vou reunir os materiais para ter tudo pronto no fim de semana. O sistema é simples. Uma base forrada a papel ou tecido, uns alfinetes, fio, molas de madeira, pequenos envelopes, papéis coloridos e os cartões onde vão estar escritas as actividades. Depois é só pendurar e fazer.
Pediram-me a lista das actividades. Honestamente, acho giro que cada família faça a sua, de acordo com os seus gostos, hábitos, bla bla bla. Mas pediram, aqui fica, a ordem é completamente aleatória, porque vou ter que ajustar às nossas rotinas e, claro, aos dias da semana. Enjoy!

Hoje inauguramos o nosso Calendário, com um bombom! 
Vamos ao Porto ver as luzes de Natal
Vamos decorar biscoitos
Vamos ver um filme de Natal
Hoje é dia de leite com canela
Vamos decorar a árvore de Natal
Vamos fazer o nosso Presépio
Hoje vamos pôr luzes de Natal
Conto de Natal!
Vamos embrulhar os presents de Natal
Junta este enfeite à árvore de Natal
Hoje é Natal! Feliz Natal!
Véspera de Natal! Tudo a postos?
Vamos fazer doces de Natal
Concerto de Natal!
Vamos aprender uma canção de Natal
Vamos decorar a nossa porta!
Fazer  bolachas de Natal para oferecer
Vamos tirar fotografias!
Vamos escrever postais de Natal
Vamos fazer o nosso CD de Natal!
Vamos comprar um livro de Natal
Vamos ver o Pai Natal?
Vamos fazer um jantar especial de Natal, com amigos!
Vamos colocar a estrela na árvore de Natal.




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Copenhaga, 2004

Pensar em sair do país, faz-me inevitavelmente, lembrar de viagens, poucas, que já fiz.
Apetece muito recordar, pelas fotografias, os sítios onde estive.
Para já lembro-me de Copenhaga, há 8 anos atrás, pela mão dos meus amigos S. e J., que estavam lá a estagiar. Foi com uma mega constipação, numa tarde fria de Outubro, que cheguei à terra do Lego.

Copenhaga é uma cidade sem muito sol, com pessoas frias. Mas é monumental e muito civilizado. 


Tem museus lindos, cafés lindos, lojas lindas.
E uma coisa que não acontece cá: na rua está frio, mas quando entramos em qualquer sítio
é fora com o casaco, gorro, cachecol e luvas, porque a temperatura é muito agradável.

Ali ao fundo, o Black Diamond, aka The Royal Library. Lindo por dentro, e por fora.

O escritório onde o J. estagiava. Muito cosy. Não sei qual era a bicicleta dele.

Pinturas em Freetown Christiania, um bairro "independente", que penso que já não existe.

Amalienborg. O pátio octogonal da "Casa de Inverno" da família real dinamarquesa.
E ao fundo, a Marble Church, uma das mais bonitas que já vi. A cúpula é de sonho.

Não é?


Consta que quando a Rainha de Inglaterra visitou a Dinamarca em 1960,
todos os painéis de elevador foram tapados com fita-cola, para esconder este botão.
Em dinamarquês, I Fart nada tem a ver com flatulência. Siginifica apenas
que o elevador está em movimento. E ainda dizem que a língua portuguesa é traiçoeira.

Uma rua encantadora de Copenhaga. 
Neste dia fomos a um, diria hipermercado, só de produtos italianos. Queijo, pasta,
de todos os géneros e feitios, you name it!
Se um dia fôr morar para Copenhaga, vou procurar um letreiro "aluga-se" nesta rua. For sure.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Vingança-zinhas de gaja que não levam a lado nenhum

- D., tens que guardar a comida que sobra no frigorífico, boa?
- ...
- Sim?
- Siiiiiiiimmmmmmm. Olha, queres comprar uma máquina de caf...
- Não.
- Queres comprar uma máquina Ping...
- Não.
- Tens aqui um vale de 10 euros de desconto, numa máquina de café. Posso deitar fora?
- Podes.
(Deitou)
- Epá, mas porque é que deitaste isso fora? Podia querer comprar uma máquina de café!

O dialecto da Bárbara

Ontem foi um daqueles dias que acabou completamente ao contrário. Fomos buscar a pequenina ao colégio, para depois irmos os três fazer compras para a despensa e dar um saltinho para ver a árvore de Natal. A Bárbara quer andar livre, raramente dá a mão, mas ontem estava muita gente e não podíamos perder muito tempo. Ainda havia as compras, o banho, a brincadeira, o jantar. Demos-lhe a mão, um de cada lado, e ela, a contragosto, arrastou-se literalmente. Segurei-a e senti um estalo no braço dela. Estava barulho, mas na minha cabeça fez-se silêncio. E depois o choro, aquele choro estridente. Magoei-a. Tentamos perceber se era caso para alarme. Agarrou-se à mão, eu senti um nó na garganta, e fomos ao hospital. Chorou o caminho todo, e parecia que nunca mais chegávamos. Entrámos e a conselho da médica fomos para a sala de espera brincar, e tentar que ela voltasse a mexer o braço para o levar ao sítio. E ao fim de umas horas isso aconteceu. Não foi preciso ir lá o ortopedista fazer o "clique". Durante aquelas horas no médico, vi a minha filha dizer palavras que nunca lhe tinha ouvido. O báco (barco). Ai a minha vida (ai viva). Cada vez diz mais. A má (o mar), a chave (vavo), o livro (vivo), a lebre (véve), atchim (tim), xixi (ssi-ssi) e uma palavra indecifrável, sempre a mesma, que define um qualquer objecto que quer alcançar. E fala, fala, fala. E mais uma vez, percebi que o tempo não pára, corre, voa. Caramba.
Adormeceu a caminho de casa, estourada. Mas quando foi efectivamente para dormir, nada a calava. Quería-nos, queria brincar, queria falar. Minha querida, doce filha. Custa muito ter que lhe cortar o barato, pô-la a dormir, sabendo que ela nos quer, tanto, naquele dia.
É por isso que ser mãe é tão bom, mas tão complexo. Mas tão simples. Basta fazer o melhor possível.
Mas ao mesmo tempo, parece que nunca nada é suficiente.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Mundo está à nossa espera

Dubai
Singapura
Londres
Kuala Lumpur
Rio de Janeiro
Copenhaga
Santiago de Chile


E porque não?


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Calendário do Advento report

Embora cá em casa ainda não reine o espírito natalício, não vou privar a Bárbara, nem a nós mesmos, de viver o Natal. Ela merece tudo, no mínimo. 
Por isso, e para entrarmos bem vou manter a ideia do calendário do Advento. Já tenho as 25 actividades diárias pensadas, e a lista de material. Vai ser um DIY fácil, sem grandes riscos, mas espero que o suficientemente digno para ser levado a sério. 
Portanto, actividades check. Uma por dia, simples simples. 




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ainda bem que nasci no século XX #02

Eu hoje estava a ler o blogue da Cocó, e cheguei ao último post, em que ela fala de um sítio em Barcelos, Manhente.
Lembrei-me logo de quando resolvemos ir passar o fim-de-semana a Barcelos quando a Bárbara estava para nascer. O marido, que adora o mundo rural (temos tudo a ver), andou a pesquisar e decidiu que queria ir visitar um sítio no dia seguinte, cujo nome vimos num site. Foi um nome aleatório, resultante de uma pesquisa de aldeias dali, poderia ter sido outra qualquer. Mas acabou por não ser nenhuma, porque como podem ler aqui, D. Bárbara resolveu dar ares da sua graça, e muito bem, diga-se.
Anyway, depois desse dia,  várias vezes demos voltas à cabeça para nos lembrarmos do raio do nome da aldeia. E hoje fui pesquisar. Mal abri o site, lembrei-me logo que foi precisamente este que vimos naquele dia. Fui lendo os nomes patuscos das freguesias, e cheguei lá. E era mesmo castiço.
Carapeços, o nome era Carapeços.

Na corda bamba

Nunca na vida tinha pensado nisto. Em ir embora. 
Nunca fiz Erasmus, sequer. 
As viagens, para mim, eram lazer. Cultura. Lua-de-mel.
Mas estou cansada de viver assim, na incerteza.
São mais os momentos de medo, do que os de segurança.
A nossa pequena família precisa de condições para crescer. Sabemos que temos família, disposta a ajudar, a dar um tecto, se preciso for. Mas estamos a definhar em carreiras que pouco evoluem, em cada vez mais contar os tostões. Estamos cansados, e ainda somos tão novos. 
É-me difícil escrever. Estou zangada. Nem sei com quem. Acredito que vamos encontrar uma solução, que tudo se vai resolver. Que hoje é um dia de desânimo, mas amanhã será um dia de luta, de alegria de viver. Acredito que sim, espero que sim.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"O" Mobile



Eu adoro mobiles e já tinha feito uma tentativa de colocar um no quarto da B. Era do Ikea, mas acabei por não gostar muito, porque não tem nada a ver com a paleta de cores que quero para o quarto dela, apesar de não querer que seja muito monocromático, muito pelo contrário. 
Um belo dia vi este mobile algures, penso que num blogue qualquer e adorei, é mesmo isto que quero, é este o feeling. Mas depois esqueci-me onde o vi, não sabia de quem era, onde se comprava, nada, nem consegui voltar à imagem onde o vi. Entretanto, andava doida atrás de uns outros pássaros pendurados, umas bolas de papel, umas dobragens de princesa, que estavam expostos na Fnac, mas não havia à venda, até que uma alminha me disse que eram da Djeco (o site é lindo). E descobri que tinham uma infinidade de jogos, autocolantes, coisas giríssimas, my kind of stuff, mesmo. Depois fui ao site da Fnac cuscar o que tinham à venda, tentar encomendar e descobri o mobile.
Voltinhas interessantes, não? Vai daí encomendei-o, e se tudo correr bem daqui a alguns dias este mobile "White Birds", ou em francês "Des Oiseaux Blancs", estará penduradinho no tecto do quarto da minha rica filha. 
Adoro quando o universo conspira a meu favor. Ou adoro a internet. Ainda bem que nasci no século XX!

Do Dia Nacional do Pijama


Ou de como "de pequenino se torce o pepino". 
Amanhã, 20 de Novembro, aliás, todos os 20 de Novembros, é dia de as crianças serem solidárias com outras crianças, que merecem tal como as nossas, crescer numa família. É o Dia Nacional do Pijama.
Por cá, temos o pijama a postos, já que amanhã é assim que a B. vai vestida para o infantário. O pijama e a Casa dos Pijamas, um pequeno mealheiro que construímos cá em casa, e que tem donativos da nossa família e amigos.
Há um grande buzz no Facebook da Mundos de Vida, que fez isto. E eu estou contente, porque gosto de ajudar e quero muito que a Bárbara cresça também com esta vontade. 
E assim, com esta iniciativa tão curiosa, parece-me uma excelente forma de começar.

Os mimos

Pronto, passou. O fim-de-semana e com ele, a nuvem negra. Não choveu, e eu que achava que ia dividir o tempo entre brincadeiras na sala, sestas, algum trabalho e arrumações, acabei por ter dois dias (três, que na sexta a coisa já começou a acontecer), de almoços, jantar em casa de amigos, cinema, caminhadas, esta e esta surpresas e uma ida à praia. Não nos poupámos a passeios. Nem a mimos. 
E a minha B., cada vez mais deliciosa, com as suas particularidades de menina, de toddler à conquista. 
Enfim, tive tudo o que precisava, e até mais do que esperei. Estou grata por estes dias. Vou ter mais uma semana igualmente difícil, talvez até mais do que a última. Mas com dias destes a dar um boost ao ânimo, tudo vale a pena. Já dizia o meu avô "Alma até Almeida!" E é mesmo. A começar bem com a B. sem chorar no infantário, bem disposta e eu já sentada ao computador a riscar tarefas. Isto promete.




sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O choro da minha filha

Uma das coisas que me apoquenta verdadeiramente desde há uns dias, é o comportamento da minha pequena. Há dois dias a minha mãe foi buscá-la ao infantário e ligou-me a dizer que ela vinha muito aborrecida e que acabou por adormecer no carro. Quando ma trouxe a casa, a B. vinha de facto irritada e chorosa. Não era aquele choro de "telha". Era um choro descontrolado, desesperado. Fui imediatamente ver a caderneta, para saber como tinha dormido, comido, etc. Tudo bem, mas tinha um recado a advertir sobre a falta da bata. O uniforme é obrigatório e a Bárbara foi dois dias sem bata porque ainda só tem uma e tive que a lavar. Estranhei a frieza do aviso, nada característico da educadora nem das auxiliares. Eu não sou de minhocas, mas achei que uma coisa poderia estar relacionada com a outra. 
Nessa noite, a Bárbara dormiu mal. Chorou toda a noite, mas chorou a dormir. Resolvi acampar no quarto dela, e só acalmou já quase de manhã. Nesse dia, foi calada no carro, no trajecto para o colégio, coisa rara nela. Deixei-a a chorar no infantário. E com bata. 
Hoje dormiu bem, mas de manhã a história repetiu-se. O caminho todo triste e calada, e lá, um choro como não vi nos primeiros dias. Vim embora muito triste, mesmo que me tivessem assegurado que era apenas uma fase. Não é o que me diz o meu coração. Eu não sou de me impressionar à toa. Se for uma fase, respiro fundo, aguento. Se não for, não sei ainda o que fazer. Seja o que for, venha o que vier, estou cá, contentora dos choros da minha filha, abraçando-a com asas gigantescas e protectoras.

Nuvem


Tirando o dia de anos da minha mãe, que me aqueceu um bocadinho o coração, foi uma má semana. 
Má, ruim, custosa. Aguardo ansiosamente por um fim-de-semana reparador, tranquilizador, curativo, terapêutico, whatever. Diz que vai chover. Tanto melhor. Quero mimos e quero mimar. 
Esquecer a ameaça de desemprego, esquecer as manifestações e debates acesos a discutir o sexo dos anjos, esquecer o computador que não está colaborante, esquecer as pessoas que nos desconsideram, esquecer que tenho deixado a pequena a chorar no infantário.
Deposito tanta esperança neste fim-de-semana. Se não saio dele vencedora desta nuvem negra, não sei não. Não sei não, meu bem. Tristeza não tem fim, felicidade sim, meu bem. Felicidade sim.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O bolo


Eu gosto muito de cozinhar, embora talento para bolos e sobremesas seja coisa que não me assiste. Mas hoje dei tudo por tudo para fazer um bolo de aniversário para a minha mãe. Ela quis reunir a família lá em casa, mas era só o que faltava ter que fazer o seu próprio bolo de anos. Não podia ser, no no. Desencantei uma receita catita, só com ingredientes simples e sem grandes acrobacias. Basicamente, era só pegar em farinha, açúcar, ovos, manteiga, raspa e sumo de limão, bater tudo e forno com ele.
A cobertura, bimbei-a já em casa da minha mãe. Uma cobertura glacé do mais simples que há. Página 120 do livro. Comprei umas bandeirinhas, umas velas e tivemos um bolo bem saboroso a terminar um jantar fabuloso. Adorámos, sim senhora, só faltou a nossa "emigra" para tudo ficar perfeito. Gostei muito, mesmo, foi um bocadinho muito bom. Parabéns, minha mãe!