sexta-feira, 6 de agosto de 2010

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Estamos a 6 de Agosto. Estou no computador há mais horas do que devia, doem-me as costas, estou ansiosa. Tenho calor e estou cansada. O meu prazo expirou e continuo aqui, de dia para dia a avançar pouco de cada vez. E quanto mais cansaço sinto, menor é a minha capacidade de discernir, de me acalmar, de contar até as horas, chegando ao ponto de achar que ter que parar para comer é um insulto.
Sou assim, dramática e fatal. Só podia ser assim. Infelizmente, funciono bem entre a espada e a parede. Mas a minha ânsia de inverter este processo nunca foi maior e travo uma luta sem igual entre os meus vários "eus". O Eu que quer vencer, mudar, ser feliz e o Eu que é nada menos que um carrasco e se alimenta da tristeza e da solidão.
Por isso, entre momentos de felicidade, em que simplesmente sorrio, me alimento, e me sinto pertença do mundo e de alguém, afasto-me tanta vezes, de mim, das pessoas e da vida. E enquanto assim for, hei-de sempre acordar de noite, insconsciente, petrificada por um único pensamento: vou morrer.
Estou toda fragmentada por dentro e por fora já se nota. Nesta altura quase não me preocupo com isso. Precisava de chegar aqui. É que isto é de facto, uma questão de vida ou morte.
Pois de todas as lutas que travei pela minha vida fora, esta é, de longe, a mais dolorosa, a mais profunda e a mais perigosa.

1 comentário :

  1. bem amiga... profunda mas ao mesmo tempo corajosa esta tua reflexão... às vezes faz-nos bem olhar para dentro com olhos de ver, mas sempre com os pes na terra de que nada é tao mau como ... Beijo

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