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segunda-feira, 3 de junho de 2013

O dia de ontem






Estava tudo pronto para uma festa ao ar livre, no Parque da Lavandeira. Já tínhamos escolhido o lugar ideal, uma mesa junto ao lago dos patos, com árvores perfeitas para pendurar os pompons e os balões, um relvado perfeito para estender mantas e brinquedos. E estava um dia lindo, perfeito.
Como ultimamente sempre tem acontecido, os nossos planos saíram furados. A B. passou a noite mal, e de manhã vomitou este mundo e o outro. Por isso depois de alguma hesitação, desistimos da ideia de ir para o parque e reunimos as pessoas cá em casa, e fora o espaço mais apertado, conseguimos fazer as devidas adaptações, não tive tempo de fazer tudo o que queria, como os meus cupcakes de limão, mas correu tudo pelo melhor. A Bárbara andou divertida e sempre de sorriso aberto, como se não tivesse tido aquela noite e manhã infernais. Foi dormir exausta, mas feliz.
Ser mãe acho que também é isto, ter sempre um plano B. Improvisar, e ficar satisfeita com o que se conseguiu. E eu fiquei.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os terríveis vinte e três

Vinte e três meses. Falta um para os dois anos, os terríveis dois. E textbook baby como ela é, claro que já faz birras de gente grande. Ontem não foi um dia fácil, porque voltou ao infantário depois de uma semana inteira em casa. 
Quando chegou a casa pela tarde foi o descalabro. Pranto no banho e o pai a enervar-se e mais pranto. Fui lá pôr água na fervura, na cabeça da menina é que não dava porque ela desatou num berreiro, detesta água na cabeça e ontem ainda mais. E logo ontem tínhamos que lhe cortar as unhas, quase que lhe arrancava um pé-minha-rica-filha. E pelo meio ia esfregando os olhos, desesperada. Fui à caderneta, dormiu a sesta. Jantou bem e foi brincar. Hoje não houve Peppa, castigo por ter batido à mãe. Não se bate na mãe, mas parece que dizer-lho não basta, pelo menos hoje não. Atirou com tudo e foi preciso uma grande dose de paciência para repetir trinta vezes a mesma coisa "não-se-atira-o-livro", "não-se-atira-a-banana", "não-se-atira-o-Beco (o que era a Beca)". Já dizia a Tracy "pick your fights" e eu comprei-as todas hoje. Não a deixei ver a Peppa, não lhe dei maçã nem quando ela pediu "fabô" (por favor) depois de ter atirado com a banana, nem a deixei pegar em mais nada enquanto ela não apanhou o Beco. Vi que ela estava cansada, podia ter relevado algumas coisas. Mas hoje não senti que pudesse ou devesse ceder. E sempre calma, sempre sem perder a paciência lá levei a água ao meu moinho. Ela deitou-se exausta e muito meiguinha, porque dentro daquela cabecinha ficou a certeza de que estes pais querem o melhor para ela, mesmo que não a deixem ser rainha e senhora. Que grande responsabilidade esta de criar um pequeno ser. Deixar andar e ter uma futura psicopatazinha que não sabe lidar com a frustração não é opção. Darmo-nos ao trabalho agora e já e prepararmos esta criança para o mundo, é nisso que acreditamos. E mesmo que agora pareça que ela não ouve nada e que ignora, sei que um dia iremos ver frutos. Palavra de Mãe.




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terça-feira, 9 de abril de 2013

O primeiro dia

Correu muito bem, a B. veio com as cuecas com que foi de manhã e fez dois xixis no pote. Já tinha feito um cá em casa logo pela manhã. Tinha resolvido não fazer muita festa com os sucessos para não a deixar envergonhada, mas ela é que começou a rir e a bater palminhas quando se levantou, por isso alinhei com ela e foi logo uma alegria. Ultimamente, e não sei se ainda é efeito das bichezas, anda a comer muito mal. Já não engole sopa nem-por-nada-deste-mundo, e deixou de querer fruta. Não quer banana, nem maçã, nem pêra, nem morangos, nada. Se come massa não come a carne, se come o peixe não come as batatas. É esquisita com os pedaços do iogurte. Mas está sempre pronta para pão e bolachinhas. I wonder a quem sairá ela? Hmmm.




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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quedas e potes

Já não bastava na semana passada termos voltado à chata da virose, o sábado foi passado no hospital à conta de uma queda da B. que ia ao colo da avó, que por sua vez caiu com a bisavó, e lá foram as três, escada rolante abaixo. A minha avó com um grande ferimento na perna, a Bárbara com um hematoma na testa, tinoni para o hospital. Três horas e alguns raios-x, tac's e suturas depois, saímos as quatro de lá, esfomeadas e desorientadas, mas bem. Foi um terror e nem é bom lembrar, mas a verdade é que podia ter sido pior. Curiosamente, depois disso não houve mais febre, o domingo acabou por ser muito tranquilo e bem disposto e o regresso ao infantário foi tranquilo. 
À tarde já tínhamos indicações para o início do potty training, que vai começar amanhã. Por acaso já tinha aumentado a reserva de fatos de treino, mas  hoje lá fomos nós comprar umas "crocs", e uns dez pares de cuecas-so-cute, assim para começar. Amanhã a pequena já vai encuecada para a creche, fingers crossed para não haver nenhum "acidente" pelo caminho. Isto significa que cá em casa temos que ser consistentes. É mais uma fase, não é? Vamos a isso, e que corra tudo na paz do Senhor.





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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Por aqui


Há viroses. Felizmente tratar dela já não é o drama que era há uns meses atrás. Colabora em quase tudo: deixa medir a temperatura debaixo do braço, fica muito quietinha e quando o termómetro apita diz contente: "pontooooo!", toma os medicamentos sem dificuldade (acho que até gosta porque ontem trouxe-me o frasco do Benuron para lhe dar), já tolera as gotas no nariz, e faz os aerossóis enquanto vê a Peppa. Só não deixa que lhe aspire o nariz o que é uma grande chatice já que passo a vida a ouvir a ranhoca para cima e para baixo naquele nariz, ou então a pingar desenfreadamente. É uma paciente que só se vai abaixo quando a febre sobe, altura em fica combalida e ensonada, fora isso parece que não se passa nada. 
Mesmo assim, é sempre um transtorno, estas viroses-de-costas-largas. Há noites mal dormidas, umas boas horas perdidas nestes cuidados extra todos, e privação de ar livre. Mesmo com esta Primavera que não está a fazer jus ao nome, já apetece passar mais tempo lá fora.
Nem que seja de gorro, cachecol e luvas.



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terça-feira, 12 de março de 2013

O pote

Já temos um pote estacionado na casa-de-banho, mas do infantário ainda não temos novas. Queria que o arranque fosse lá, porque não sei muito bem como fazer isto. Mas comecei a reparar que na hora do banho, mal a B. aterrava na água, xixi. Outras vezes, se demorasse um pouco mais a despi-la, xixi. Ora eu vi aqui um excelente ponto de partida. Xixi antes do banho. Vai daí, ontem posicionei o pote em posição privilegiada, como quem diz, no meio da casa-de-banho, com a história que ela insiste em levar para todo o lado. Sentamo-nos com ela no chão a ler. Mas ela não parecia muito confortável e ia-se levantando. Uma das vezes vimos duas gotinhas de xixi. Insistimos um bocadinho, e no meio de "olha o lobo que vai atrás do capuchinho", ela diz "xixi", e era mesmo. Foi uma alegria, mas já percebi que ela não lida muito bem com os festejos. Assim sendo, ficamo-nos por um "A Babá fez xixi no pote, muito bem, que linda!" e ela toda contente e crescida entra no seu banho, testa a temperatura da água e reúne os seus amigos para quase meia hora de brincadeira aquática.



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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sou até capaz de começar a fazer uma série de posts destes

Todos os dias temos sessão de Pocoyo e Peppa, cá em casa. Eu tenho muitos episódios que vou gravando para a Bárbara ver, e muitas vezes, quando chega a casa ela vem pedir para eu pôr ou a Peppa ou o "Coié".
Fica atenta nos primeiros minutos e depois vai buscar um brinquedo, mas quando acaba vem logo pedir outro. Acho que gosta do som, da companhia. Então ontem, quando me pediu para ligar a tv eu disse: "deixa-me só pegar aqui no comando" e ela repetia "oano". Eu: "comando", e ela "anooooo" e assim estivemos uns instantes.
Hoje quando chegou a casa foi direitinha à televisão, "Mamã, qué Coié!", e eu disse, "está bem, a mamã vai pôr". E foi aí que fiquei de boca aberta, queixo caído, inchada de orgulho, a pequena quase corre para o sofá, ainda nem eu tinha dado por ele, traz-mo e diz: "Mamá, táqui o anooooo!"
I die.



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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ainda não é hoje que vou falar do meu shampoo

As primeiras semanas da Bárbara no infantário correram muito bem, quer em termos de horários, quer de adaptação. Foi sempre uma menina valente, chorou nos dois primeiros dias, depois ficou sempre muito bem nos braços da D. Os horários também eram sempre cumpridos por nós, levantávamo-nos muito cedo, preparávamos tudo com calma e chegávamos antes das 9 horas, tal como nos era pedido. 
A grande dificuldade partiu de mim, porque desorganizada como sou, quando soube que tinha que ter sempre duas mudas de roupa impec para ter lá no colégio, x fraldas, x pacotes de toalhitas, mais isto e mais aquilo e a caderneta sempre na mochila, e um saco para a roupa suja, de modo que ficava um bocado aflita, achava uma comidela de cabeça estar sempre em cima do assunto. Mas foi correndo bem, ainda havia calor, dias grandes, pouco cansaço. 
A partir de uma certa altura, a coisa descambou. Primeiro foi a mudança de casa e as primeiras noites muito mal dormidas à conta da adaptação ao quarto novo, e o desconhecimento do trânsito a partir da casa nova, mas raramente chegámos depois das 9h.
Chegou o frio, chegaram as viroses. As ites, as malfadas ites! E estamos cansados. Dormimos mal, dormimos pouco. E desde o início de Dezembro que acordamos no limite, e no limite saimos de casa. E isto tem muito que se lhe diga, porque nós já começamos o dia em tensão, a Bárbara sai de casa visivelmente insatisfeita com aquela pressa toda, ela que gosta de dizer bom dia aos popós, quando abrimos a persiana, e de ouvir a previsão metereológica feita pela mãe e até sentar-se um bocadinho à mesa connosco a comer pão com "tei". Não tem dado para isto. E é pena.
Hoje recebemos um recado do colégio, uma nota para os pais a reforçar a importância da pontualidade. Nós temos amigos cujos filhos entram às 10 da manhã, ou que têm uma espécie de liberdade de entrar até às 9h 30m, por exemplo. Onde a Bárbara está não é assim. Pedem-nos que deixemos as crianças às 8.45h, 8.50h, para que às 9h estejam a dar início às actividades, que começam sempre com uma canção de bons dias. É um horário complicado, para nós que temos andado com (muitas) horas de sono a menos, agastados por tantas maleitas. Mas temos que respeitar e a mim até me dá um jeitaço, para ir de seguidinha para o ginásio. 
Eu acho bem que não facilitem e aceito o puxão de orelhas e a "ameaça" de começarem a fechar o portão às 9.15h. As educadoras dizem que este aviso diz respeito a uma minoria de pais e eu fico incomodada por ter enfiado a carapuça. Mas há que dar bons exemplos, ser pontual é tão importante e tão desvalorizado. Para além disso, fico muito mais descansada por saber que a Bárbara chega com calma, ambienta-se e se integra no grupo grande, ao invés de chegar à pressa a meio de qualquer coisa.
Da minha parte comprometo-me a não deixar que estes atrasos se prolonguem, para bem de todos. Para começar, a B. adormeceu cedo, e já está tudo preparado para amanhã, mochila e roupas.
Fiz mea culpa, agora é só não voltar a pecar. Amen.

Os três últimos dias

Nem o alerta vermelho nos assustou e abalámos para o countryside. Era a festa, e festa é festa. Nada de rede, nada de internet, nem sms's, nem telefonemas, estávamos oficialmente incontactáveis. Não pudemos pedir café, nem descafeinado, nem pão com chouriço (whaaaaat?), porque a tempestade fez das suas, mas não conseguiu calar o senhor do one man show que animou o baile da terra. Ah, e o marido puxou-me para dançar duas ou três danças daquelas pimbalhuças*, mas caraças, aquilo faz doer as ancas. E ri-me tanto. Anyway. Deitei-me às duas, adormeci às cinco e acordei às oito. 
O Domingo passou a chover, não houve procissão. Mas houve um dia aconchegado, sempre no quente da lareira. Custa-me caro, venho sempre doente.
Hoje a B. foi para o infantário, e ficámos com a sensação de que nos faltava muito cá em casa. Depois destas semanas todas de maleitas e recolhida, agora até me sinto como que desorientada, apesar de ter umas trinta mil coisas para fazer. Nunca estamos bem. E eu que hoje já tinha o saco do ginásio à porta estou a Ilvicos, febril e a ponderar ir ao médico. E como hoje quero enroscar-me cedo, no sofá a ver uma série ou na cama a ler, aposto que vou ter fandango no quarto da piquena. É sempre assim. Porque é que hoje haveria de ser diferente?

*O marido apostou comigo que eu não era capaz de dizer isto num post. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Potty training

Ainda não faço a mínima ideia de como se faz. Mas já nos falaram no infantário que se quisermos, começam a tirar as fraldas à Bárbara lá para Março, que nessa altura terá quase 2 anos. Parece-me bem. Por acaso (ou não), ela anda muito interessada num link do youtube que acho horrendo, de um bebé no pote a cantar uma versão de It's my party (potty)  and I cry if I want to. Estará ela a tentar dizer-nos alguma coisa? (giggles!)
Anyway, começou cá em casa o debate sobre se vamos optar pelo redutor na sanita, ou pelo pote, ou pelos dois. Ainda não li nada sobre isto, a não ser uma ou outra opinião. Estamos a meio de Janeiro, portanto vou começar a ver o que dizem os entendidos na matéria, falar com amigas mais experientes, para ver qual a melhor solução. Mais um passo no crescimento da nossa filhota, isto é galopante.
Assim em jeito de motivação, andei a ver estes potes, da marca da banheira dela que btw adorei usar.
São os dois giros, não são? Até que são. Crap!



sábado, 12 de janeiro de 2013

Está tudo no equilíbrio ou as leituras do marido dão muito jeito

(...) Um bebé não precisa de uma "mãe perfeita" que satisfaça todas as suas necessidades, nem de uma mãe que providencie, no sentido de FAZER, todas as satisfações pulsionais, mas precisa sim de uma mãe "suficientemente boa", isto é, uma mãe que ao mesmo tempo "É" e "FAZ", ou seja, alguém que possa ter uma relação viva com a criança, a ponto de se preocupar o bastante para perceber o momento de suprir e frustrar, para possibilitar experiências de suprimento e frustração suportáveis, para que o bebé se integre como pessoa, inicie e desenvolva a sua relação com a realidade.

Winnicott, texto adaptado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Até ver


Correu bem a segunda semana do ano. Cinco dias de infantário e não fomos mais chamados a meio do dia. Mas têm sido todos diferentes, no que diz respeito a little miss B. Uns dias acorda mal disposta, noutros, cheia de sorrisos. Uns dias, vem exausta para casa, noutros, cheia de pilhas. Uns dias come bem, noutros não come nada, e tem dias em que come este mundo e o outro (note to self: fazer uma lista de dúvidas deste género para a consulta dos 21 meses). Nuns dias adormece mal a deito na cama, noutros dias, adormeço eu primeiro deitada no tapete do quarto dela. Por isso temos tentado manter o mesmo ritmo todos os dias. Chegar, lanchar, brincar, banho, jantar, deitar. Se há um mês ela andava sempre atrás de nós a pedir histórias, agora quer leitinho directo. Sempre em mudança. Mas diz muito bem o que quer, e eu gosto disso. A minha rica filha.
Diria que esta semana foi revigorante. Ela voltou às brincadeiras, às rotinas, à disciplina. Nós voltamos às nossas tarefas. A nossa casa está bem mais organizada, andamos mais descansados, e por isso com muitos assuntos em dia. Recomecei a ir ao ginásio, e mesmo faltando algumas coisas para estar tudo actualizado, a vida começa a entrar nos eixos. Mas o melhor de tudo é ver a bebé saudável. Brincar com ela, alimentá-la, cuidá-la, mimá-la. Com as birras podemos bem. Sim, podemos. Quase sempre (glup).

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Restart?

Juro que tinha boas intenções, de começar um ano novo, em branco e cheio de promessas. Apesar da crise, apesar de o mês de Dezembro ter voado por entre maleitas, minhas e da Bárbara, e de tentar viver o Natal o melhor possível, e de pôr a vida em ordem e o coração ao largo.

Mas a terceira noite do novo ano é passada no hospital, à conta de uma gastroenterite. O médico não quis internar a Bárbara, mas passámos 7 horas enfiadas na urgência do hospital, ora a ver se aguenta o xarope, ora a ver se aguenta o chá, ora análise à urina, ora exame médico a dobrar. A urgência de um hospital, mesmo com bonequinhos fofos nas paredes é sempre um ambiente hostil e cru. Agradeço do fundo do coração estar ali por uma coisa que é chata, que mói, mas que passa dentro de dias. E no fim, viemos para casa, exaustas, com a roupa vomitada, sem saber bem o que o resto do dia nos iria reservar.

Então adia-se ginásio, os olhos fecham-se mal pousam nas páginas do livro que queria mesmo começar, a ida para a cama é tão urgente que só há disposição para lavar os dentes. A manutenção da casa resume-se ao essencial para funcionar.
Acho que às vezes o cansaço é tanto que deixo de o sentir, para ficar frenética. Passo o dia a suspirar pela minha cama, mas quando finalmente me deito, sinto-me bem alerta. 
Hoje que a Bárbara voltou para o infantário comecei finalmente a pôr assuntos em dia. E sabe bem, sabe bem saber que ela está lá porque está bem. Mas também pelo sossego, a possibilidade de me poder concentrar noutras coisas. Finalmente pensar e cuidar um bocadinho de mim. Sou tão melhor mãe quando me sinto bem. E não só. Sou tão melhor pessoa.  

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Acordar





Um acordar tardio, convalescente, doce e traquina. Gosto quando ela acorda lentamente e fica ali a namorar com os bonecos, a pôr a sua música, a olhar pela janela, a rir, sorrateirinha.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O dialecto da Bárbara

Ontem foi um daqueles dias que acabou completamente ao contrário. Fomos buscar a pequenina ao colégio, para depois irmos os três fazer compras para a despensa e dar um saltinho para ver a árvore de Natal. A Bárbara quer andar livre, raramente dá a mão, mas ontem estava muita gente e não podíamos perder muito tempo. Ainda havia as compras, o banho, a brincadeira, o jantar. Demos-lhe a mão, um de cada lado, e ela, a contragosto, arrastou-se literalmente. Segurei-a e senti um estalo no braço dela. Estava barulho, mas na minha cabeça fez-se silêncio. E depois o choro, aquele choro estridente. Magoei-a. Tentamos perceber se era caso para alarme. Agarrou-se à mão, eu senti um nó na garganta, e fomos ao hospital. Chorou o caminho todo, e parecia que nunca mais chegávamos. Entrámos e a conselho da médica fomos para a sala de espera brincar, e tentar que ela voltasse a mexer o braço para o levar ao sítio. E ao fim de umas horas isso aconteceu. Não foi preciso ir lá o ortopedista fazer o "clique". Durante aquelas horas no médico, vi a minha filha dizer palavras que nunca lhe tinha ouvido. O báco (barco). Ai a minha vida (ai viva). Cada vez diz mais. A má (o mar), a chave (vavo), o livro (vivo), a lebre (véve), atchim (tim), xixi (ssi-ssi) e uma palavra indecifrável, sempre a mesma, que define um qualquer objecto que quer alcançar. E fala, fala, fala. E mais uma vez, percebi que o tempo não pára, corre, voa. Caramba.
Adormeceu a caminho de casa, estourada. Mas quando foi efectivamente para dormir, nada a calava. Quería-nos, queria brincar, queria falar. Minha querida, doce filha. Custa muito ter que lhe cortar o barato, pô-la a dormir, sabendo que ela nos quer, tanto, naquele dia.
É por isso que ser mãe é tão bom, mas tão complexo. Mas tão simples. Basta fazer o melhor possível.
Mas ao mesmo tempo, parece que nunca nada é suficiente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Monday, crazy monday

Eu bem que me esforço para começar bem as semanas. Certo que ainda não domino a arte da gestão doméstica, quero organizar um plano de refeições e respectiva lista de compras e fico sempre horas indecisa, para além de nunca ser um plano muito equilibrado, leia-se massa, massa, massa, massa, risotto, massa. E tenho que rever tudo.
Também ainda não foi desta que a miúda levou duas mudas de roupa suplentes para o infantário. Mas eu tentei, a sério que tentei.
Andar de volta dela em exclusivo mais de 48 horas, seguramente, obviamente que não ajudou. Mas está melhor, parece outra e só isso já alegra o meu coração de mãe.
E disto resulta também um montão de coisas para pôr em dia. Incluindo myself. Sim, que pareço o autêntico monstro das bolachas. Preciso de um tratamento vip, ASAP. Preciso de ginásio, preciso de dormir! Preciso de um jantar, um de grown-ups. E precisamos de sair mais com a nossa B. De gorro, cachecol, luvas, "armada" até aos dentes, se for preciso. Mas precisamos de ar. De sumo de laranja. Do Outono.
Hoje o despertador não tocou, e tivemos um começo de dia atrasado e apressado. Mas já estamos todos orientados e  agora vou só ali fazer umas 387 coisas a ver se a coisa não descamba de vez.
Boa semana! (Não se nota nada os nérvus, pois não? Nãaaaooo...)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Quando ainda estava grávida, perguntava-me muitas vezes onde é que andava o meu instinto materno. Se ia adivinhar, se ia saber. Isso era uma comidela de cabeça, porque eu, ingenuamente, achava que era assim que a coisa funcionava. Basicamente, o bebé chorava e a mãe passava a possuir um qualquer mecanismo interno, tipo lâmpada a dizer "passa-se isto". E achava que não ia ser assim tão perspicaz. 
Felizmente acordei a tempo desta "fantasia". Sim, porque isto era um delírio de perfeição. E dei-me conta que havia uma aprendizagem a fazer. A Bárbara não ia saber mamar desde logo, nem eu saberia logo amamentar, até poderia acontecer, mas não aconteceu e tudo bem. Fomos conseguindo, as duas, que resultasse. E resultou.
Lembro-me do primeiro banho que lhe deram, no segundo dia de vida, ainda na maternidade. Aliás, eu não me lembro de nada! Eu estava tão cansada e ela berrava tanto, que eu só me lembro de a enfermeira pegar nela e mostrar-me como se fazia e dizer umas cem vezes "está bem, mãe?"
Adivinhar os choros era outra coisa que me assustava. Era sono, era fome, cólicas, frio, calor? Mas a certa altura foi mesmo altura de tirar o peso dos ombros. E foi bem melhor. A Bárbara chorava e eu ia fazendo coisas, até perceber o que ela precisava. E fui-me tornando muito boa nisso.
Até que dei por mim a percebê-la tão bem e tão rápido como ninguém. E isso não tem nada a ver com instinto materno que, btw, já me disseram que there's no such thing as instinto materno. Há sim, uma relação. Assim como eu sei que de manhã não me posso meter muito com o meu homem, também já sei quando é que a pequena está a fazer birra de sono, ou quando está a ficar doente.
Já por duas vezes, ainda bem antes de a B. ter febre, senti-lhe a temperatura alterada, a aumentar, daí a umas horas lá vinha febre em força. Desta última vez também notei qualquer coisa de diferente quando fomos a Serralves. A B. no início quis andar, mas a certa altura ia para a relva, sentava-se e deixava-se estar, muito quietinha. Achei que não era muito normal para quem não pára por natureza e só recentemente tinha a liberdade de ir onde quiser, pelo seu próprio pé. E de facto, mais tarde, adoeceu.
Suponho que seja isto, o que chamam de instinto, e que afinal é aprendizagem. Quanto a mim, bem mais interessante, porque é fruto de meses de conhecimento, de estar atenta, de amar os nossos filhos e os conhecermos como ninguém. E isso dá-me um orgulho do caraças.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A primeira reunião de pais da minha vida

Ontem foi dia de reunião no infantário. Eu, que não fui à primeira, à que fizeram logo no início do ano, estava em pulgas para conhecer o espaço onde a pequena passa os dias, saber o que ela faz lá.
Claro que tem que haver sempre um pai revoltado e zangado com alguma coisa. Já me tinham prevenido para isso. E de facto, eles andem aí. Mas gostei de ver que a educadora estava bem preparada para lhe responder, com sucessivas chapadas de luva branca até ele desistir. Adiante.
O que eu adorei ver a salinha da B. O autocarro que nós decoramos está lá pendurado, o lugar dela no grande círculo onde cantam a canção dos bons dias, os pequenos trabalhos que foram feitos, e até um slideshow com fotos deles nas suas actividades. E é giro ver como 18 miúdos reagem de maneira tão diferente às mesmas coisas. Havia uma fotografia de um, já quase com 2 anos, sentado numa espreguiçadeira de baloiço. Rimo-nos imenso quando a educadora disse que ele todos os dias começava por se sentar ali, era a sua forma de começar o dia, não era logo a socializar. E outra foto da minha filha a chorar quando tocou pela primeira vez na digitinta. 
Saí de lá muito satisfeita com o que vi e ouvi. E com a certeza de que fiz o melhor. Mesmo que ontem a tenha ido buscar ao meio-dia com febre. Ela anda cuidada, feliz, e a progredir a olhos vistos. A minha pequena está lá muito bem entregue. Well done!

domingo, 28 de outubro de 2012

Lovely sunday morning


 




Este fim-de-semana teve dois tipos de momentos. Os para esquecer e os para mais tarde recordar. Pois que ontem fizemos a nossa primeira corrida até ao hospital, depois de a cara da B. ter um encontro imediato com a esquina (arredondada, ufa!) da mesa de centro da minha mãe. Abriu a boca por dentro e por fora, teve muito aparato, mas acabou por não ser nada tão grave como pensávamos. Grave como quem diz, dispensou pontos. 
Surpreendemente, a pequena continuou o dia na sua boa disposição, e apesar de estarmos de sobreaviso por ter batido com a cabeça, brincou, comeu, dormiu, tudo normal.
E por isso mesmo hoje aproveitámos o Sol, e fomos dar um passeio apetitoso por Serralves. A planta de Serralves, que tão bem conheço, tem uma forma parecida com a de um coração. E é mesmo um músculo de força nesta cidade, com a sua diversidade, com as pessoas que por lá andam. Hoje, com a B. a pisar as folhas, a vibrar com as cores, com as outras crianças, foi tão diferente, e tão melhor. 
Como é que coisas tão simples como esta trazem uma felicidade tão tamanha?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pela primeira vez desde que a B. começou a caminhar com mais segurança, fomos a um centro comercial e deixamo-la andar livremente. Quando digo livremente entenda-se que íamos atrás, a uma distância segura. Ela deu a volta ao bar redondo, disse adeus à funcionária, entrou na Lion of Porches, disse olá à funcionária, entrou na Adidas, pegou nuns mini ténis, entrou na Massimo Dutti e saiu, ficou especada a olhar para os ecrãs com as paisagens zen do corredor, depois foi checkar as máquinas de multibanco, as plantas, entrou numa ouriversaria, pelo meio corria para alguém a rir, depois foi ver as filas do cinema, tentou roubar uma pipoca a uma senhora que tinha um balde cheio pousado no banco, disse olá a uma família de três, sorriu para a filha adolescente e abraçaram-se as duas, tão felizes. 
Eu e o pai sempre um bocadinho atrás, e de vez em quando pensava comigo que ela é pequenina, não sabe andar no meio de tanta gente estranha. Mas, na verdade, as pessoas não estão habituadas a ser abordadas desta maneira, por uma criança com um grande sorriso na cara, sempre pronta a dizer olá, a dar um abraço, a atirar um beijo. É assim a minha filha. Não fui eu que lhe ensinei, nem sei se o herdou de nós. É dela. Gosto de pensar que lhe damos segurança para ela se afastar, que se sente protegida apesar da distância. Mas é dela ser de bem com a vida. 
E eu quero que ela seja sempre, sempre, sempre assim.