quarta-feira, 13 de novembro de 2013

e porque não?



Há pouco tempo que sigo os blogues da Catarina e da Ana. Rendi-me, agora fazem parte da minha lista diária (ou quase) de visitas, são blogues inspiradores e bonitos. Foi lá que li sobre esta ideia tão simples e tão importante de reflectir sobre o melhor dos nossos dias. Engraçado alguém ter que nos desafiar para isto.
Aqui está tudo dito. Quem se segue?

(a)normalidade dos dias

De vez em quando lá ouço "ah eu sei da tua vida toda, leio o teu blog". Eu rio-me tanto por dentro. Que disparate. Eu nunca faria isso a quem me lê, expor todos os pormenores da minha vida, há dias em que é um tédio! E outros em que me apetece falar de tudo o que vi, ouvi, cheirei e senti. Mas mesmo nesses dias ficaria muita coisa por dizer. É assim. Gostava muito de ter poder de análise e jeito para a escrita suficiente para dizer tudo o que penso sobre a blogosfera, sobre quem lê e quem comenta. Enquanto não acontece, limito-me a reflectir muito, primeiro porque tenho um blog desde 2008 e deve haver uma boa razão para isso. Depois porque cada vez a lista de blogues que visito com alguma regularidade é maior e identifico-me com alguns por motivos vários. Gosto de pensar sobre isto.
Gosto de escrever, mas há dias em que sinto que nada interessa e outros em que não me calava. 
Estes dias têm sido assim, calados por aqui. Mas intensos por casa, com as primeiras maleitas de Outono, mas também as primeiras castanhas. As primeiras contracções (as de Braxton-Hicks), e os primeiros sinais de que é preciso pensar em abrandar. Com dias muito muito ocupados, outros muito muito produtivos, outros muito, mas mesmo muito frustrantes. Daqueles que começam logo mal, com uma multa, ou com uma birra monumental só para tirar o pijama. O que é desafiante e gratificante no final do dia é tentar tirar partido das coisas boas, retê-las e dizer a nós mesmos "não há mal que sempre dure", porque a dada altura as coisas lá se compõem, tranquilizamos os nossos ânimos, sintonizamo-nos e arranjamos forças para avançar. E são assim as nossas vidas, tão ricas, naturalmente normais. Graças a Deus.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Iphone lover

Nunca tive um iPhone, mas ando a pedinchar um há quatro anos e tal à família. Todos se fazem de surdos, e assobiam para o lado. Já tentei negociar. Em troca de um iPhone no Natal ou no meu aniversário, eu aceito até 5 anos sem mais presentes. Nada mau, hã? Mas nem isto tem resultado. Este fim-de-semana e assim de forma meia inesperada, recebi um iPhone 3Gs (não se riam!) do meu irmão, que comprou um mais recente. Eu ia dizer que não? Não ia. Agora ando a explorar as apps que não conseguia instalar no meu Android. Espectacular. E pronto, de brinquedo "novo" estou mais satisfeita. Por agora... por agora.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

♥

Quando a Bárbara nos pedia a chupeta, mal a punha na boca, os deditos iam sincronizadamente agarrar uma madeixa de cabelo para fazer uns rolinhos. Era assim que ela relaxava. Desde que deixámos de lha dar, acabaram-se os rolinhos, aquele gesto que eu gostava tanto e que a confortavam tanto. Muito self soothing, já diria a Tracy, bem mais legítimo do que um objecto de latéx. E tão ternurento. Ontem, e como ainda tem dificuldade em adormecer, agora que tem que o fazer sem ajuda, tenho ficado mais tempo com ela. E disse-lhe "faz um rolinho no cabelo". Ela pôs a mão na cabecita e começou a sacudir os caracóis, meia sem jeito. Um movimento não existe sem o outro e vou ter muitas saudades de ver aqueles dedinhos amorosos a encaracolar madeixas. Mas também é tão bom ver que ela é capaz de crescer, de se adaptar e de aceitar aquilo que lhe ensinamos. Antes de me deitar fui aconchegá-la e ela dormia profundamente, pernita dobrada, as mãozitas a agarrar de um lado o Sr. Coelho, do outro lado a Gertrudes. A boca desenhada, perfeita e pequenina. Tão tranquila, tão doce. Tão minha... tão crescida.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quase 28

Hoje foi dia de consulta. A rasar as 28 semanas, a palavra "parto" já vai sendo dita mais amiúde, já vão começar as aulas de preparação, já me vão dizendo quais os motivos para ir à urgência a.s.a.p., digamos que a coisa começa a ficar séria. 
O que mais ouço é "vai ser mais rápido". Por mim tudo ok, eu não quero é que doa. 
A enfermeira Júlia disse-me uma coisa muito engraçada no outro dia: "Já ouviu falar dos bebés que nascem em ambulâncias a caminho do hospital? São os segundos filhos". Fiquei assim a saber que não é só nos filmes que acontece. Por isso, espero chegar a tempo para não ter que dizer à minha filha que ela nasceu ali no semáforo do cruzamento da Júlio Dinis com a Rua do Campo Alegre. Já que não posso piscar os olhos e ela nascer por magia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dores de crescimento

"Quem ama educa". Não sei quem foi o autor desta expressão, se é que houve um. Mas é verdade, quem ama educa, quem ama cuida, quem ama protege. Educar é proteger, porque é cuidar. Isto de cuidar de uma criança não é fácil. Não há direito a descanso, nem tréguas. Assim como não paramos nunca de amar.
E agora que resolvemos dar mais um passo, estamos aqui, como sentinelas, anjos da guarda. Como pais. O passo é tão simples e tão complicado. Tirar a chupeta. A pacificadora. Parece tão cruel. Mas é tão necessário. E decidimos que era agora, tinha mesmo que ser agora. No início parecia ser mais fácil. "Filha, vês, agora já não doem os dentinhos." Mas não houve um encerrar, um ritual. Simplesmente as chupetas saíram de cena, covardes. E a Bárbara continua a perguntar por elas. Demora muito tempo a adormecer e fica carente, muito carente na hora de dormir. Quer abraços, quer colo, quer água, quer xixi, quer mão, quer que me deite ao pé dela, "não vás embora, mamã". E eu vacilo, quase que abro a gaveta e escolho a chucha preferida dela. Decidimos que este fim-de-semana vamos tentar que ela as ofereça (a uma árvore, aos patinhos, aos meninos perdidos do conto do Peter Pan?), que se despeça. A mim custa-me pensar nisto, eu que deixei a chupeta tão tarde.
E entretanto vamos lidando com birras, muitas, e às vezes ficamos esmorecidos. Outras vezes acontecem coisas como o pai pôr a Bárbara de castigo e ela chorar desalmadamente, mas depois passar àquele chorinho mimalho, e eu desatar a rir do outro lado da casa, riso de descompressão. O meu amor pequenino. Mas depois vemo-la mais tranquila, mais cuidada, pronta para fazer aquilo a que se recusava. Amar é cuidar, cuidar é proteger. Cuidamos, protegemos, educamos. É uma doce, ao mesmo tempo árdua, por vezes ingrata missão, esta. Mas a melhor de todas, porque tudo isto é amor.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Hoje

Permiti-me começar a semana devagar. As insónias deram tréguas e agora durmo pesado, tão pesado que acordo sempre com uma leve dor de cabeça por, acho eu, precisar de dormir mais. Hoje especialmente, está a custar manter os olhos abertos e o espírito desperto. Eu encostava-me aí numa parede e dormia, juro. Não tenho desprendimento para isso e como tal estou a tentar produzir. De manta nas pernas, e daqui a pouco um chá, é certo. Mas trabalhar em casa tem que ter alguma vantagem.
Este fim-de-semana delicioso que passou foi também um marco. Faltam três meses. Já estou no último trimestre. Inacreditável. E sem saber bem em que ponto deveria estar agora. Ainda é cedo para ter tudo pronto, mas ainda não preparei quase nada. Não tenho grandes coisas a fazer, nada de especial a comprar. Mas isto dá-me uma sensação de "now what, faço o quê?". É esperar.