Dormi 3 horas. Ando há umas noites com insónias. Há seis, precisamente, que foi quando comecei a tomar antibiótico por causa da rinite.
Dormir mal faz-me ter frio... e mais fome. Mas o pior, o que menos suporto é o que faz ao meu feitio, à minha capacidade de relativizar e de me acalmar. Então gritei com a Bárbara de manhã. Atrasados como de costume para sair de casa queria vestir-lhe a bata mas ela não colaborava. Queria dizer-me alguma coisa. Num dia normal eu diria: "podes falar e vestir a bata ao mesmo tempo", ou "já falamos". Sei lá. Mas mandei um berro, gritei, já nem sei o que disse, passei-me. Ela começou a chorar, assustada. Vesti-lhe a bata, o casaco, pegamos na mochila, e saímos. Entrou com ar grave no elevador, já sem chorar, seguiu-me para o carro sem dizer o habitual "eu é que vou à frente!", esperou muito quieta enquanto eu abria o carro e colocava tudo na mala. Senti que tinha dado cabo da alegria caótica que há nas nossas manhãs, caí em mim. Quando a sentei na cadeira disse-lhe "desculpa querida, a mamã hoje está tão cansada que exagerou. Não devia ter gritado contigo. Gosto muito muito de ti." Ela sorriu e disse "eu também gosto muito muito de ti, mamã, desculpa também." Respondi-lhe "está tudo bem agora".
Fui pelo caminho meio atordoada. Não quero ser aquela mãe histérica e desorganizadora. Mas momentos assim acontecem. Poucos felizmente, mas acontecem. Mas também não tenho a pretensão de ser a mãe perfeita. Já não. Não senti culpa. Só lamentei que o cansaço tivesse levado a melhor, mas sei que não sou assim. Não a humilhei, descontrolei-me, só isso. E só isso pode ser muito assustador. As pessoas costumam dizer "as desculpas evitam-se". Mas eu acredito que as desculpas são para se pedir, com toda a sinceridade e humildade, as vezes que forem precisas. Mesmo que seja à nossa filha pequenina, especialmente a ela. A mãe errou, e não há mal nenhum que ela saiba que a mãe às vezes também falha, que as situações se resolvem, que as falhas se perdoam.


