Acho que já sinto umas coisinhas aqui bem no fundo da barriga. Há três dias que acontece, umas leves pancadinhas quando menos espero. Só senti a Bárbara pela primeira vez com 20 semanas, era a primeira gravidez e tinha placenta anterior, por isso não estava à espera disto tão cedo. Que boa surpresa.
sábado, 24 de agosto de 2013
A Mãe que sou
Quando educamos uma criança nunca estamos sós. Há avós, tios, primos, amigos, conhecidos, por aí fora. Eu não sou de me melindrar com opiniões alheias, mesmo se contrárias à minha, nem é do meu feitio pôr em causa a forma de proceder de outros pais relativamente aos seus filhos.
Mas detesto, odeio que me digam o que fazer numa situação mais constrangedora, que interfiram directamente na educação que dou à minha filha, que façam ouvir a sua voz em paralelo com a minha quando estou a falar com ela. Para mim, isso são atestados de incompetência que me querem passar. Umas vezes de forma mais velada, outras vezes mesmo à descarada.
Não sou, nunca serei a melhor mãe do mundo, longe disso. Mas sou a melhor mãe que consigo ser, e isso implica falhar, cometer erros, mas reconhecê-los e corrigi-los. Quando fui mãe cresci. Crescer implica ser capaz de escolher e aceitar as consequências das nossas escolhas. Acho que todos os dias me torno um bocadinho melhor mãe, e isso acontece porque a determinada altura experimentei, errei, acertei, tentei, quis saber, importei-me, ouvi-me. Todos os dias, a todas as horas, sem nunca desistir, mesmo que às vezes a paciência fosse de menos e o cansaço fosse de mais. Mesmo que às vezes me fartasse de ouvir choros e resmunguices. Mesmo que isso significasse ir para a cama exausta e esgotada por amainar as birras. Nunca desisti, nunca desisto, nem delego a educação da minha filha em ninguém.
Tento erradicar a culpa dos sentimentos que às vezes me assaltam, porque se há coisa que não posso sentir é culpa por fazer o melhor que sei. Há muito tempo que deixei de precisar da validação dos outros para sentir que estou a fazer bem. Gosto de ser a mãe que sou, porque sei que tenho uma filha feliz. Se tudo correr bem, terei duas filhas felizes. Não sou demasiado ansiosa como alguns acham, nem sou negligente como às vezes insinuam. As pessoas vêm o que querem, e quando escolhem dizer-mo, acho cruel e mesquinho, mas já não me faz duvidar.
Não sou, nunca serei a melhor mãe do mundo. Eu sou uma mãe normal, uma mãe do caraças. Não tenho que o provar. Tenho apenas que o ser.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
...
Ontem morreu uma bombeira. Vi algures uma foto dela a acompanhar a notícia da sua morte, onde se lia que tinha vinte e poucos anos, e que tinha uma filha pequena.
Ontem fez oito anos que morreu um primo da minha prima, numa morte também relacionada com incêndios florestais. Sonhei com eles.
Quando chega o Verão, chega também o cheiro a fumo, o céu negro e as notícias de gente desesperada a tentar salvar as casas, as aldeias, as próprias vidas. Morre gente, morre esperança e assim morre o mundo, lentamente.
É o que eu digo
Ontem levámos a Bárbara a um concerto onde estavam os avós, que nos apresentaram algumas pessoas. Várias me perguntaram coisas relativas à gravidez, de quanto tempo estava, se tinha enjoos, até que uma senhora me abordou:
- Já sabe o que vai ter?
- Sim. Uma menina.
- (olha para a Bárbara e faz um ar pesaroso) Deixe lá, eles às vezes enganam-se!
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Fada do lar... ou não
Já tenho dito por aqui que não sou nenhuma fada do lar, muito pelo contrário. Tudo seria uma maravilha se me sentisse bem assim, com a desarrumação. Mas não sinto, é uma dor de cabeça. Preciso de ordem e organização à minha volta, não convivo bem com o caos, mas não sei muito bem como não o criar. Como tenho pensado bastante no assunto, chego à conclusão que é mesmo uma questão de manutenção, de persistência. Voltar a pôr no sítio o que tirei, ter sítios fixos para as coisas e ter onde as arrumar.
Eu cedo muito ao cansaço, e apesar de cá em casa insistirmos imenso na ideia de que devemos dedicar [pelo menos] meia hora por dia à casa para uma arrumação geral, muitas vezes simplesmente não sou capaz. E sou muito do "provisório". Estou sempre a arranjar sítios provisórios, o que depois se revela muito ineficaz. Acho sempre que vou ter muito tempo e muita vontade para pôr tudo em ordem depois. Por isso não é invulgar ter a casa num alvoroço, mas como disse, não consigo estar em paz com isto.
Uma das razões é que gosto de encontrar as coisas depressa. Gosto muito de sair, de fazer programas com a minha gente e ter que ficar em casa a fazer faxina é coisa que me revolta. Mas também odeio sair e deixar a casa desarrumada. Queríamos contratar uma empregada. Mas não podemos agora, temos que nos desenrascar.
Uma das razões é que gosto de encontrar as coisas depressa. Gosto muito de sair, de fazer programas com a minha gente e ter que ficar em casa a fazer faxina é coisa que me revolta. Mas também odeio sair e deixar a casa desarrumada. Queríamos contratar uma empregada. Mas não podemos agora, temos que nos desenrascar.
Agora que vamos ser quatro, uma das coisas que mais me aflige é a logística de uma família aumentada. A roupa em dia para todos, os produtos da bebé nova a postos, as fraldas que são reutilizáveis sempre à mão e prontas a ser usadas, e para a Bárbara as batas do infantário, a mochila preparada.
Sinto que tenho que dedicar algum tempo a preparar-me para estas mudanças e para ser tudo rápido e fácil, dentro do possível, e que porventura facilite a ajuda da minha mãe, da empregada dela ou do Daniel, para por exemplo não terem que estar a perguntar "onde estão as molas da roupa?" e tudo o mais que queiram encontrar.
Isto é uma coisa que já devia estar interiorizada e mecanizada, mas não está. Apenas cheguei a um ponto em que reconheço a minha incapacidade de aceitar as coisas como estão, e acho mesmo que está na altura de fazer alguma coisa. Se há tanta gente que consegue, também eu hei-de conseguir.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Menino ou menina
Desde que começamos a dar notícia de um novo bebé a caminho, que uma das coisas que mais ouvimos foi: "agora é um menino!", ou a versão sentenciosa "agora TEM que ser um menino". De amigos, de família, sobretudo dos nossos pais. Os quatro avós foram unânimes, queriam um rapaz. Ou porque querem o nome continuado, ou porque o casalinho é que é giro, ou porque nem sei, idealizaram assim. Ora nós cá (nós leia-se eu e o pai) ficávamos contentes com o que viesse. Se fôssemos a olhar a aspectos puramente práticos e económicos, respondíamos logo que queríamos outra rapariga, para que se fosse um rapazito não tivesse que andar de cor-de-rosa. Isto pesa, porque infelizmente e não é só para nós, as coisas não estão fáceis. Do fundo do coração, acho que se houvesse uma balança, a minha penderia uns gramitas mais para a menina, porque adoro ser mãe da que já tenho. Mas como já disse, nunca pensei que isso fosse acontecer. Aconteceu, serei mãe de duas meninas. Por outro lado, penso como seria ter um filho, uma parte de mim gostava de saber.
Estas coisas da gravidez a meu ver acontecem muito ao nível da fantasia. A mãe fantasia, o pai também, os avós, os irmãos. Acho que é por isso que se lê tanto por aí coisas como "o bebé real" e o "bebé imaginado". A certa altura são mesmo os bebés que fantasiam com a mãe e por aí fora.
E por isso compreendo que os quatro avós tenham ficado como que desapontados (uns mais, outros menos), com a vinda da minha mais nova. Nem por sombras acredito que vá ser menos amada, menos acolhida. Mas se da Bárbara tivemos direito a sorrisos rasgados quando se soube o sexo, agora temo-los visto amarelos. Isso não nos belisca, porque afinal está tudo bem e o que eu quero mesmo é que continue assim. Mas se este post foi escrito é porque me surpreende mesmo é a quantidade e o tamanho das expectivas em relação a como deve ser constituída a família ideal. Dois pais e dois filhos, um de cada género. É curioso, a minha cabeleireira chegou a dizer-me que a coisa melhor que lhe aconteceu foi ter tido um casal logo à primeira, não ter tido que tentar um terceiro filho.
Anyway, estamos felizes. Mesmo felizes.
Ainda hoje fui abrir as gavetas e ver como estão as mini roupas, se servirão, porque a Bárbara nasceu quase no Verão, esta nascerá ainda no Inverno.
Ainda hoje entrei no quarto da Bárbara e pensei, este é, será o quarto das minhas filhas. Da Bárbara e de uma que ainda não tem nome, mas já tem tanta força de viver. Sou abençoada, acreditem. E que ninguém me venha dizer o contrário.
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