sexta-feira, 23 de agosto de 2013

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Ontem morreu uma bombeira. Vi algures uma foto dela a acompanhar a notícia da sua morte, onde se lia que tinha vinte e poucos anos, e que tinha uma filha pequena. 
Ontem fez oito anos que morreu um primo da minha prima, numa morte também relacionada com incêndios florestais. Sonhei com eles.
Quando chega o Verão, chega também o cheiro a fumo, o céu negro e as notícias de gente desesperada a tentar salvar as casas, as aldeias, as próprias vidas. Morre gente, morre esperança e assim morre o mundo, lentamente.

É o que eu digo

Ontem levámos a Bárbara a um concerto onde estavam os avós, que nos apresentaram algumas pessoas. Várias me perguntaram coisas relativas à gravidez, de quanto tempo estava, se tinha enjoos, até que uma senhora me abordou:
- Já sabe o que vai ter?
- Sim. Uma menina. 
- (olha para a Bárbara e faz um ar pesaroso) Deixe lá, eles às vezes enganam-se!


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fada do lar... ou não

Já tenho dito por aqui que não sou nenhuma fada do lar, muito pelo contrário. Tudo seria uma maravilha se me sentisse bem assim, com a desarrumação. Mas não sinto, é uma dor de cabeça. Preciso de ordem e organização à minha volta, não convivo bem com o caos, mas não sei muito bem como não o criar. Como tenho pensado bastante no assunto, chego à conclusão que é mesmo uma questão de manutenção, de persistência. Voltar a pôr no sítio o que tirei, ter sítios fixos para as coisas e ter onde as arrumar. 
Eu cedo muito ao cansaço, e apesar de cá em casa insistirmos imenso na ideia de que devemos dedicar [pelo menos] meia hora por dia à casa para uma arrumação geral, muitas vezes simplesmente não sou capaz. E sou muito do "provisório". Estou sempre a arranjar sítios provisórios, o que depois se revela muito ineficaz. Acho sempre que vou ter muito tempo e muita vontade para pôr tudo em ordem depois. Por isso não é invulgar ter a casa num alvoroço, mas como disse, não consigo estar em paz com isto.
Uma das razões é que gosto de encontrar as coisas depressa. Gosto muito de sair, de fazer programas com a minha gente e ter que ficar em casa a fazer faxina é coisa que me revolta. Mas também odeio sair e deixar a casa desarrumada. Queríamos contratar uma empregada. Mas não podemos agora, temos que nos desenrascar.

Agora que vamos ser quatro, uma das coisas que mais me aflige é a logística de uma família aumentada. A roupa em dia para todos, os produtos da bebé nova a postos, as fraldas que são reutilizáveis sempre à mão e prontas a ser usadas, e para a Bárbara as batas do infantário, a mochila preparada. 
Sinto que tenho que dedicar algum tempo a preparar-me para estas mudanças e para ser tudo rápido e fácil, dentro do possível, e que porventura facilite a ajuda da minha mãe, da empregada dela ou do Daniel, para por exemplo não terem que estar a perguntar "onde estão as molas da roupa?" e tudo o mais que queiram encontrar. 
Isto é uma coisa que já devia estar interiorizada e mecanizada, mas não está. Apenas cheguei a um ponto em que reconheço a minha incapacidade de aceitar as coisas como estão, e acho mesmo que está na altura de fazer alguma coisa. Se há tanta gente que consegue, também eu hei-de conseguir.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Menino ou menina

Desde que começamos a dar notícia de um novo bebé a caminho, que uma das coisas que mais ouvimos foi: "agora é um menino!", ou a versão sentenciosa "agora TEM que ser um menino". De amigos, de família, sobretudo dos nossos pais. Os quatro avós foram unânimes, queriam um rapaz. Ou porque querem o nome continuado, ou porque o casalinho é que é giro, ou porque nem sei, idealizaram assim. Ora nós cá (nós leia-se eu e o pai) ficávamos contentes com o que viesse. Se fôssemos a olhar a aspectos puramente práticos e económicos, respondíamos logo que queríamos outra rapariga, para que se fosse um rapazito não tivesse que andar de cor-de-rosa. Isto pesa, porque infelizmente e não é só para nós, as coisas não estão fáceis. Do fundo do coração, acho que se houvesse uma balança, a minha penderia uns gramitas mais para a menina, porque adoro ser mãe da que já tenho. Mas como já disse, nunca pensei que isso fosse acontecer. Aconteceu, serei mãe de duas meninas. Por outro lado, penso como seria ter um filho, uma parte de mim gostava de saber. 
Estas coisas da gravidez a meu ver acontecem muito ao nível da fantasia. A mãe fantasia, o pai também, os avós, os irmãos. Acho que é por isso que se lê tanto por aí coisas como "o bebé real" e o "bebé imaginado". A certa altura são mesmo os bebés que fantasiam com a mãe e por aí fora. 
E por isso compreendo que os quatro avós tenham ficado como que desapontados (uns mais, outros menos), com a vinda da minha mais nova. Nem por sombras acredito que vá ser menos amada, menos acolhida. Mas se da Bárbara tivemos direito a sorrisos rasgados quando se soube o sexo, agora temo-los visto amarelos. Isso não nos belisca, porque afinal está tudo bem e o que eu quero mesmo é que continue assim. Mas se este post foi escrito é porque me surpreende mesmo é a quantidade e o tamanho das expectivas em relação a como deve ser constituída a família ideal. Dois pais e dois filhos, um de cada género. É curioso, a minha cabeleireira chegou a dizer-me que a coisa melhor que lhe aconteceu foi ter tido um casal logo à primeira, não ter tido que tentar um terceiro filho. 
Anyway, estamos felizes. Mesmo felizes. 
Ainda hoje fui abrir as gavetas e ver como estão as mini roupas, se servirão, porque a Bárbara nasceu quase no Verão, esta nascerá ainda no Inverno. 
Ainda hoje entrei no quarto da Bárbara e pensei, este é, será o quarto das minhas filhas. Da Bárbara e de uma que ainda não tem nome, mas já tem tanta força de viver. Sou abençoada, acreditem. E que ninguém me venha dizer o contrário.

Já estou quase a adormecer, ao menos isso

Adeus enjoos, olá azia.
Mas eu fiz algum mal a alguém?

terça-feira, 20 de agosto de 2013

De ontem

Para a consulta de ontem eu estava mais do que ansiosa. Não é aquela ansiedade histérica, não fico  visivelmente empanicada. Mas durmo mal, não consigo comer, fico com uma bola no estômago. E só ontem à tarde é que consegui verbalizar com o Daniel que estava em grande stress. Estava com medo que algo não estivesse bem, não sabia se íamos conseguir ver o sexo, e a insconstância do acompanhamento (depois explico) estava a deixar-me preocupada. 
Felizmente tudo correu bem. Está tudo bem com o bebé, medidas, órgãos, batimento, tudo aquilo que queremos ouvir. Gostei muito do médico,  de como detalhou todas as explicações, tudo. Gostei especialmente do suspense que fez sobre ser rapaz ou rapariga, as perguntas "têm alguma preferência?", "já têm uma menina ou um menino?", deixou-nos mesmo em pulgas. Adorei as notícias com que saímos de lá: às 16 semanas e uns dias, está tudo bem. Esta era a mais importante. A outra, foi uma notícia igualmente deliciosa. Saí de lá com um sorriso pateta, até meia incrédula. Não me via muito mãe de duas meninas, imaginava a Bárbara protectora do seu irmãozito e por cá falávamos muito em nomes de rapazes, talvez influenciados pelos desejos dos avós, tios, primos, de nos ver com o casalinho. Por outro lado, achávamos que ter mais uma menina seria mesmo muito prático, porque temos tudo, não demasiado cor-de-rosa, mas demasiado feminino. E uma menina é aquela ternura. Mas um menino também. 
Mas o médico viu, confirmou e tornou a confirmar, e eu tive que dizer aos meus pais: se quiserem netos homens, terão que falar com os meus irmãos. É uma menina e estamos felizes por demais!


sábado, 17 de agosto de 2013

Estes dois


Acho que hoje foi a primeira vez na vida dela que viu o mar tão revolto, de tão perto. Não estava maré vaza, as rochas dela estavam submersas, a praia estava bem diferente do que ela já se tinha habituado. De modo que nem pensar em largar os nossos colos. "Té medo do mar", disse ela vezes e vezes sem conta. Aqui, já estava mais tranquila, e abraçada ao pai, reunia coragem para se aproximar da areia molhada. Eu não a quero medrosa, mas há coisas pelas quais temos que ter muito respeitinho. O mar é uma delas.