sábado, 12 de janeiro de 2013

Está tudo no equilíbrio ou as leituras do marido dão muito jeito

(...) Um bebé não precisa de uma "mãe perfeita" que satisfaça todas as suas necessidades, nem de uma mãe que providencie, no sentido de FAZER, todas as satisfações pulsionais, mas precisa sim de uma mãe "suficientemente boa", isto é, uma mãe que ao mesmo tempo "É" e "FAZ", ou seja, alguém que possa ter uma relação viva com a criança, a ponto de se preocupar o bastante para perceber o momento de suprir e frustrar, para possibilitar experiências de suprimento e frustração suportáveis, para que o bebé se integre como pessoa, inicie e desenvolva a sua relação com a realidade.

Winnicott, texto adaptado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Até ver


Correu bem a segunda semana do ano. Cinco dias de infantário e não fomos mais chamados a meio do dia. Mas têm sido todos diferentes, no que diz respeito a little miss B. Uns dias acorda mal disposta, noutros, cheia de sorrisos. Uns dias, vem exausta para casa, noutros, cheia de pilhas. Uns dias come bem, noutros não come nada, e tem dias em que come este mundo e o outro (note to self: fazer uma lista de dúvidas deste género para a consulta dos 21 meses). Nuns dias adormece mal a deito na cama, noutros dias, adormeço eu primeiro deitada no tapete do quarto dela. Por isso temos tentado manter o mesmo ritmo todos os dias. Chegar, lanchar, brincar, banho, jantar, deitar. Se há um mês ela andava sempre atrás de nós a pedir histórias, agora quer leitinho directo. Sempre em mudança. Mas diz muito bem o que quer, e eu gosto disso. A minha rica filha.
Diria que esta semana foi revigorante. Ela voltou às brincadeiras, às rotinas, à disciplina. Nós voltamos às nossas tarefas. A nossa casa está bem mais organizada, andamos mais descansados, e por isso com muitos assuntos em dia. Recomecei a ir ao ginásio, e mesmo faltando algumas coisas para estar tudo actualizado, a vida começa a entrar nos eixos. Mas o melhor de tudo é ver a bebé saudável. Brincar com ela, alimentá-la, cuidá-la, mimá-la. Com as birras podemos bem. Sim, podemos. Quase sempre (glup).

O desafio fotográfico

Abundam pela blogosfera os desafios de fotografia. Uma imagem por dia, uma por semana, dez a cada dia 10, and so on, and so on. Eu adoro a ideia, e no ano passado tentei manter um registo diário, sem um tema específico, mas compliquei. Quis tratar as imagens, quis dar-lhes uma moldura e isso implicava tempo com edição. Implicava ter sempre pilhas na máquina fotográfica, implicava saber sempre onde parava o cabo ou o adaptador do cartão para descarregar as fotos. Porque é o meu tipo preferido, ter fotos grandes, luminosas. Mas eu não sou o tipo organizado. Too bad.
E então é assim. Vamos ter uma foto por dia. 365. À segunda-feira publico sete fotos da semana anterior.  Instagram. Porquê? Está sempre no telemóvel e este está (quase) sempre comigo. Os filtros são apetecíveis, apesar de a câmara do meu Samsung ser uma bela piiiiiiiiiiiiiiii. Mas assim sinto-me capaz.
Let's keep it simple, shall we? 


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Insta report

#03


Animal Print para mini pessoas? Não me parece.


#04


Já não usava este casaco desde 2010.


#05




#06


Domingo foi dia de ir matar saudades do nosso mar.


#07


 Shopping for hubby.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Restart?

Juro que tinha boas intenções, de começar um ano novo, em branco e cheio de promessas. Apesar da crise, apesar de o mês de Dezembro ter voado por entre maleitas, minhas e da Bárbara, e de tentar viver o Natal o melhor possível, e de pôr a vida em ordem e o coração ao largo.

Mas a terceira noite do novo ano é passada no hospital, à conta de uma gastroenterite. O médico não quis internar a Bárbara, mas passámos 7 horas enfiadas na urgência do hospital, ora a ver se aguenta o xarope, ora a ver se aguenta o chá, ora análise à urina, ora exame médico a dobrar. A urgência de um hospital, mesmo com bonequinhos fofos nas paredes é sempre um ambiente hostil e cru. Agradeço do fundo do coração estar ali por uma coisa que é chata, que mói, mas que passa dentro de dias. E no fim, viemos para casa, exaustas, com a roupa vomitada, sem saber bem o que o resto do dia nos iria reservar.

Então adia-se ginásio, os olhos fecham-se mal pousam nas páginas do livro que queria mesmo começar, a ida para a cama é tão urgente que só há disposição para lavar os dentes. A manutenção da casa resume-se ao essencial para funcionar.
Acho que às vezes o cansaço é tanto que deixo de o sentir, para ficar frenética. Passo o dia a suspirar pela minha cama, mas quando finalmente me deito, sinto-me bem alerta. 
Hoje que a Bárbara voltou para o infantário comecei finalmente a pôr assuntos em dia. E sabe bem, sabe bem saber que ela está lá porque está bem. Mas também pelo sossego, a possibilidade de me poder concentrar noutras coisas. Finalmente pensar e cuidar um bocadinho de mim. Sou tão melhor mãe quando me sinto bem. E não só. Sou tão melhor pessoa.  

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hora do Vitinho report - O descalabro

Não há maneira simpática de dizer isto. Estamos reféns de uma pequena menina e eu não me conformo com isto. Todas as noites temos perdido duas, três horas a adormecê-la e grande parte desse tempo é às escuras, no quarto dela, a tentar que ela pelo menos fique na cama.
Se eu quiser ir pela lógica, posso dizer que ela está a entrar na fase dos medos. Tem tido pesadelos, mostra medo do escuro, de cenas mais agressivas que vê na televisão e de alguns animais e barulhos. A fase das birras também chegou em força, contava com mais 4, 5 meses para me poder preparar, mas nop, elas andem aí, e entre dar-me uma vontade enorme de rir quando a vejo estendida do chão, possessa, a berrar sem saber o que quer, e uns nervos do caraças por não saber bem o que fazer, há cá de tudo. Normalmente viro costas, deixo-a chorar e volto quando a ouço abrandar o choro para conversar com ela. 
Ah, e só quer mamã. Mamã, mamã, mamã, mamã. Ansiedade de separação, check.
Também está com um apetite voraz e algo me diz que não tem só a ver com as três semanas de quase jejum por ter estado doente. 
Ora, já deu para perceber que estamos aqui a atravessar um marco importante. Mas se eu pensar no que realmente sinto, ah, o que eu sinto. De cada vez que estou naquele quarto a fazer "shhhh-bebé-ó-ó" pela milionésima quadragésima vez, sinto-me a enlouquecer. Mas também me sinto amedrontada por seguir o meu instinto. Que é sair do quarto. Dar-lhe as boas noites, à minha rica filha que tanto amo, e sair. Sei que na primeira noite vai cair o Carmo e a Trindade, vai espernear, vai berrar mal a porta abra e que vou ter que voltar, dez, vinte vezes. E na segunda também, na terceira, na quarta. Sei que vai melhorar. Mas ainda não tive coragem de passar por isso outra vez. Também sinto alguma culpabilidade por estar de novo neste ponto. Esforçámo-nos tanto para que ela adormecesse sozinha, tranquila, feliz no seu quarto. Mas é tudo tão inconstante, a começar pelas nossas rotinas, ou falta delas. E voltamos à vaca fria. Mas é a verdade. E depois as doenças, e os fins-de-semana fora, e as festas. Quase que são mais as excepções do que a regra.
Ah, uma nota para 2013. Parar com as lamentações. Quando dizia no post das resoluções, que tinha que fazer mais, era exactamente a este tipo de situação a que me referia. Perder o medo e sair do quarto. Ver o que acontece. Agir. Como é que eu quero que a minha filha seja segura se eu não for? Tão simples quanto isto.
Agora quem vai dormir sou eu. Se conseguir, tamanha é a camada de nervos que tenho em cima do lombo. Até estou a tremer por dentro. Cheia de tremeliques internos. A sério. Boa noite, pessoas.

#1 + #2

#1


Duas grandes razões de viver.

#2


Poinsettia aka Euphorbia pulcherrima aka Planta do Natal