segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Restart?

Juro que tinha boas intenções, de começar um ano novo, em branco e cheio de promessas. Apesar da crise, apesar de o mês de Dezembro ter voado por entre maleitas, minhas e da Bárbara, e de tentar viver o Natal o melhor possível, e de pôr a vida em ordem e o coração ao largo.

Mas a terceira noite do novo ano é passada no hospital, à conta de uma gastroenterite. O médico não quis internar a Bárbara, mas passámos 7 horas enfiadas na urgência do hospital, ora a ver se aguenta o xarope, ora a ver se aguenta o chá, ora análise à urina, ora exame médico a dobrar. A urgência de um hospital, mesmo com bonequinhos fofos nas paredes é sempre um ambiente hostil e cru. Agradeço do fundo do coração estar ali por uma coisa que é chata, que mói, mas que passa dentro de dias. E no fim, viemos para casa, exaustas, com a roupa vomitada, sem saber bem o que o resto do dia nos iria reservar.

Então adia-se ginásio, os olhos fecham-se mal pousam nas páginas do livro que queria mesmo começar, a ida para a cama é tão urgente que só há disposição para lavar os dentes. A manutenção da casa resume-se ao essencial para funcionar.
Acho que às vezes o cansaço é tanto que deixo de o sentir, para ficar frenética. Passo o dia a suspirar pela minha cama, mas quando finalmente me deito, sinto-me bem alerta. 
Hoje que a Bárbara voltou para o infantário comecei finalmente a pôr assuntos em dia. E sabe bem, sabe bem saber que ela está lá porque está bem. Mas também pelo sossego, a possibilidade de me poder concentrar noutras coisas. Finalmente pensar e cuidar um bocadinho de mim. Sou tão melhor mãe quando me sinto bem. E não só. Sou tão melhor pessoa.  

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hora do Vitinho report - O descalabro

Não há maneira simpática de dizer isto. Estamos reféns de uma pequena menina e eu não me conformo com isto. Todas as noites temos perdido duas, três horas a adormecê-la e grande parte desse tempo é às escuras, no quarto dela, a tentar que ela pelo menos fique na cama.
Se eu quiser ir pela lógica, posso dizer que ela está a entrar na fase dos medos. Tem tido pesadelos, mostra medo do escuro, de cenas mais agressivas que vê na televisão e de alguns animais e barulhos. A fase das birras também chegou em força, contava com mais 4, 5 meses para me poder preparar, mas nop, elas andem aí, e entre dar-me uma vontade enorme de rir quando a vejo estendida do chão, possessa, a berrar sem saber o que quer, e uns nervos do caraças por não saber bem o que fazer, há cá de tudo. Normalmente viro costas, deixo-a chorar e volto quando a ouço abrandar o choro para conversar com ela. 
Ah, e só quer mamã. Mamã, mamã, mamã, mamã. Ansiedade de separação, check.
Também está com um apetite voraz e algo me diz que não tem só a ver com as três semanas de quase jejum por ter estado doente. 
Ora, já deu para perceber que estamos aqui a atravessar um marco importante. Mas se eu pensar no que realmente sinto, ah, o que eu sinto. De cada vez que estou naquele quarto a fazer "shhhh-bebé-ó-ó" pela milionésima quadragésima vez, sinto-me a enlouquecer. Mas também me sinto amedrontada por seguir o meu instinto. Que é sair do quarto. Dar-lhe as boas noites, à minha rica filha que tanto amo, e sair. Sei que na primeira noite vai cair o Carmo e a Trindade, vai espernear, vai berrar mal a porta abra e que vou ter que voltar, dez, vinte vezes. E na segunda também, na terceira, na quarta. Sei que vai melhorar. Mas ainda não tive coragem de passar por isso outra vez. Também sinto alguma culpabilidade por estar de novo neste ponto. Esforçámo-nos tanto para que ela adormecesse sozinha, tranquila, feliz no seu quarto. Mas é tudo tão inconstante, a começar pelas nossas rotinas, ou falta delas. E voltamos à vaca fria. Mas é a verdade. E depois as doenças, e os fins-de-semana fora, e as festas. Quase que são mais as excepções do que a regra.
Ah, uma nota para 2013. Parar com as lamentações. Quando dizia no post das resoluções, que tinha que fazer mais, era exactamente a este tipo de situação a que me referia. Perder o medo e sair do quarto. Ver o que acontece. Agir. Como é que eu quero que a minha filha seja segura se eu não for? Tão simples quanto isto.
Agora quem vai dormir sou eu. Se conseguir, tamanha é a camada de nervos que tenho em cima do lombo. Até estou a tremer por dentro. Cheia de tremeliques internos. A sério. Boa noite, pessoas.

#1 + #2

#1


Duas grandes razões de viver.

#2


Poinsettia aka Euphorbia pulcherrima aka Planta do Natal

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um novo ano

 
Foto: Catarina Ferreira, Ties Photo

Passagem de ano não seria passagem de ano se eu não estivesse com uma constipação do tamanho do Empire State Building, mas tudo bem. Deu-me alguma predisposição para pensar em algumas coisas. 
Nunca tive o hábito de fazer resoluções de ano novo, nunca achei que fosse um dia que marcasse uma descontinuação de 365 dias. Durante muitos anos e até há não muito tempo atrás, os meus anos eram os lectivos, e habituei-me a fazer o balanço nas férias de Verão, debaixo do sol quente, já nos últimos dias de férias, aqueles em que já começa a apetecer regressar. Já até falei sobre isso.
Este ano é diferente, muita coisa mudou. Dentro e fora de mim. Ainda está a mudar. E apetece-me tomar decisões, fazer escolhas, pensar, resolver, fazer mais. Eu digo isto muitas vezes, mas já chega de me ficar por intenções. Quero ter a coragem de fazer. Quero concretizar. Não quero sonhos impossíveis, mas posso ter objectivos e trabalhar para eles. Traçar o plano A, mas pensar no plano B. Pensar no meu futuro, pensar onde quero ir. E não descurar coisas fundamentais, como estas:

Cuidar de mim. Sempre que há algum imprevisto, sempre que a B. fica doente, sempre que há mais trabalho, quase que me esqueço que tenho estou inscrita no ginásio, que preciso de comer bem, dormir bem, tratar do meu corpo e alma. Em caso de emergência, relego-me para último plano, muitas e muitas vezes. Até perceber o quanto isso está errado, por tantas e tantas razões. Quero, preciso de equilibrar a mãe com a mulher que sou.

Cuidar da minha vida profissional. Estabelecer objectivos mais concretos. Focar-me naquilo que sei fazer bem, naquilo que gosto mesmo de fazer. Descobrir o que é. Investir mais tempo no meu currículo, no meu portfólio. Documentar-me melhor, valorizar-me sempre. Estar preparada, porque nunca se sabe que oportunidades poderão surgir.

Cuidar mais da minha casa. Manutenção é palavra de ordem. Todos os dias um bocadinho, uma tarefa. Organizar, perder tempo a planear refeições, compras. Depois ganha-se esse tempo. Ir às compras às pinguinhas, planear o jantar às 5 da tarde é terrivelmente desgastante e não ajuda em nada as rotinas familiares. Encher a casa de flores, de vez em quando. Encher mais as minhas paredes.

Cuidar da minha família. Este ponto está muito relacionado com o primeiro. Não trabalhar tantas vezes à noite, estabelecer um horário e cumprir. Sentar-me mais vezes no sofá com o marido, afastar telemóveis, ipad e portáteis da nossa vista, quando brincamos com a B. Fazer mais programas fora de casa. Eu e o D. também devíamos sair mais, só os dois. Porque sim.

Cultivar-me. Ler mais. Ando há tanto tempo com vontade de voltar a colar-me a livros. Tenho saudades de outras estórias. De começar um livro desconfiada e depois terminá-lo arrebatada. De aprender mais coisas, sem ser pela www. Retomar as idas a exposições, ao teatro, a concertos. Dentro do possível.

Tudo se resume a pensar e agir um bocadinho além da minha zona de conforto. Sad, but true. Mas a vida é uma, caramba, não há desculpas. E não é que eu não seja feliz, mas posso ser muito, muito mais. Se fizer por isso.

E antes de me lançar nos festejos desta passagem chuvosa, quero deixar aqui os meus votos de um Bom Ano de 2013 a todos e todas que me lêem. Feliz Ano Novo!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Rabanadas pós-natalícias


Pela primeira vez na vida fiz rabanadas. Sempre achei que era coisa para durar horas e horas, mas não, demorei vinte minutos a fazer esta dúzia. Hoje provei as da minha mãe e estão tão boas, mas acho que estas não ficam nada atrás. Thumbs up!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Hoje

Abracei finalmente a minha irmã.
A B. voltou ao infantário depois da bronquiolite. Ainda não era meio-dia e já morria de saudades dela. E está tão chatinha, faz tantas birras, por tantas coisas. Para onde foi a minha menina gentil? Apesar de tudo, dou por mim a ter muito mais paciência do que imaginava. Tem dias. A tolerância é inversamente proporcional ao cansaço. O mais curioso é que encontro dentro de mim confiança, serenidade e força para lidar com tudo isto, mas às vezes isso assusta-me. Como se não me reconhecesse. Como se tivesse que ser difícil para ser válido. Mas nem tudo tem que ser uma guerra. Nem um acto faraónico. E tenho mesmo que meter isto na minha cabeça.

Natal imprevisto

Saiu tudo ao contrário.
Na noite do dia 23, fiquei a saber que o voo da minha irmã foi cancelado, devido ao nevoeiro. Esta foi a maior baldada de água fria.  
Com a Bárbara a recuperar de uma bronquiolite (primeira e espero que única), ficamos praticamente enclausurados em casa, envolvidos que estávamos em nebulizações, verdadeiros cocktails de soro fisiológico, Atrovent e Ventilan, mais Neo-Sinefrina para o nariz, e gotas de Fenistil, e Benuron para a febre. Pelo meio, muitas birras (my god!), muito pouco apetite e noites muito mal dormidas. 
Para não pôr em causa a recuperação da pequena, decidimos passar a véspera em terras de Gaia, com as minhas 35 pessoas e passámos o dia de Natal no countryside. Falámos com a minha irmã pelo Skype e adiámos a troca de prendas para hoje à noite, quando jantarmos todos juntos. Por isso, para mim, hoje ainda é Natal. Se calhar mais do que há dois dias atrás. O Natal é quando um homem quiser, eu quero que seja hoje. 
E por isso, Feliz Natal!