terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hora do Vitinho report - os altos e baixos

Quem achar que ensinar os bebés a dormir não é importante, ou não vive com eles, ou tem os dias inteiros para se arrastar pela casa aos caídos. Como eu estou.
A virose da Bárbara fez com que lhe déssemos cuidados redobrados e muitos mimos. Desta vez não caímos no erro de a levar para a nossa cama, mas mesmo assim o sono dela está a ressentir-se daqueles dias em que passou muito tempo no nosso colo ou, porque a febre o exigia, a dormir sestas fora de horas. Está cheia de mimo, a garota.
E agora vai de acordar durante a noite, a reclamar. Nada de choro, mas aquele resmungo que dura horas e horas e não nos deixa pegar no sono. Até que vou lá. Não lhe falo, não rio, nem vou com "cutchi-cutchi", mas tento aconchegá-la na cama. Tapá-la é mentira. Levanta a perna em jeito de "you shall not pass!", e ficam os edredons numa rodilha, ao fundo da cama. É nestas alturas que me dá o desânimo. Ficar ali especada à espera que sua excelência se digne a voltar a dormir, é pedir demais ao meu pobre corpo a precisar de descanso. Se me for embora, fica o caldo entornado. Eu sabia que isto ia acontecer, mas tem que se ter uma paciência de santo.
A coisa estava ali no chove e não molha até que o pai se chateou e foi lá oferecer duas palmadas. Mandei-o dormir, que o mal dele era sono. Mas aquilo assustou a pequena, e berrou tanto tanto (não as levou, o que faria se as levasse) que depois lá acalmou quando peguei no "Sapo e a Pata" e encostei nas grades da cama. Dormir com um livro é estranho. Mas se lhe dá segurança, não sou eu que me vou importar. Lá me deixou aconchegar-lhe a roupa, e foi fechando os olhos, mas de vez em quando tinha que checkar se eu lá estava. Até que entrou naquela ronha em que eu acho que já quer lá saber, e eu voltei para a cama. Às seis e meia da manhã, senhores. Escusado será dizer que estou um trapo. Apetece-me tanto enfiar-me outra vez na cama, mas duvido que adormecesse, tal seria o peso na consciência. Anyway, o que eu acho é que, se a criança da casa não dormir bem, nada funciona. Falta a energia, falta a boa disposição, concentração, acho que nem litros de cafeína restituem isto.  A casa descarrila, a família também.
Desde que a B. começou a adormecer sozinha na cama à noite, eu e o meu marido ganhámos um tempo de qualidade incrível. Deitamo-la, arrumamos a cozinha ou fazemos outras tarefas, vemos televisão, trabalhamos se for preciso. 
Um destes dias ela fez a tal resistência, adormeceu perto da meia-noite, e deixou-nos desgastados, cansados e sem paciência. E dantes era sempre assim. 
Se eu um dia tiver outro filho, hei-de educá-lo para dormir desde o primeiro dia. Rotinas de sono à nascença. Para bem dele. Para bem de nós. E ora porque não, para bem da paz mundial.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As aventuras da B.


Este vídeo tem alguns meses e hesitei bastante em publicá-lo. Mas é irresistível. Não me canso de o ver e rio-me sempre, sempre tanto. Entretanto a B. já desce da cadeira quase de olhos fechados, e vai onde quer, pelo seu próprio pé. E já diz tantas coisas. E isto em dois meses.
Anyway, vai ser tão giro, um dia mostrar-lhe isto. Que fofinha, god... :-)



Monday, crazy monday

Eu bem que me esforço para começar bem as semanas. Certo que ainda não domino a arte da gestão doméstica, quero organizar um plano de refeições e respectiva lista de compras e fico sempre horas indecisa, para além de nunca ser um plano muito equilibrado, leia-se massa, massa, massa, massa, risotto, massa. E tenho que rever tudo.
Também ainda não foi desta que a miúda levou duas mudas de roupa suplentes para o infantário. Mas eu tentei, a sério que tentei.
Andar de volta dela em exclusivo mais de 48 horas, seguramente, obviamente que não ajudou. Mas está melhor, parece outra e só isso já alegra o meu coração de mãe.
E disto resulta também um montão de coisas para pôr em dia. Incluindo myself. Sim, que pareço o autêntico monstro das bolachas. Preciso de um tratamento vip, ASAP. Preciso de ginásio, preciso de dormir! Preciso de um jantar, um de grown-ups. E precisamos de sair mais com a nossa B. De gorro, cachecol, luvas, "armada" até aos dentes, se for preciso. Mas precisamos de ar. De sumo de laranja. Do Outono.
Hoje o despertador não tocou, e tivemos um começo de dia atrasado e apressado. Mas já estamos todos orientados e  agora vou só ali fazer umas 387 coisas a ver se a coisa não descamba de vez.
Boa semana! (Não se nota nada os nérvus, pois não? Nãaaaooo...)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

God is in the details


 Eu sou arquitecta, mas não gosto muito de obras. Normalmente quando tenho que ir a alguma, nunca é por puro acompanhamento, mas sim porque há problemas que resultam da falta de projecto de execução, ou de um empreiteiro que não sabe ler projectos, ou que gosta de inventar. Ou seja,  chamam-me para ir resolver as cagadas dos outros. E eu vou, claro. Porque são os meus projectos.
Mas por isso mesmo, encanta-me mais o desenho, o projecto.
Hoje lá fui ver uma casa e pensar que outras surpresas ia encontrar. Será que a casa-de-banho de serviço ficou ainda mais estreita? Será que tiraram outra janela? Mas não. Felizmente era só para discutir alguns pormenores. Fiquei contente. Dei com alguns pontos que me fizeram sentir orgulho no meu trabalho. A arquitectura fazia-me sofrer muito, mas pelo que vi hoje, valeu a pena. 
Nesta (má) foto vê-se uma das janelas do quarto de hóspedes. Lutei por aquela janela, o meu cliente não a queria, porque há uma outra, bem maior. Eu achei que era burrice não aproveitar aquele arvoredo. Lutei e consegui. E quando a vi hoje, até respirei fundo. Fica mesmo em frente à porta de entrada, e funciona como boas vindas. Quero acreditar, que um dia alguém entrará naquele quarto, e como eu, vai respirar fundo. Nessa altura, o trabalho de Arquitecto será um bocadinho mais reconhecido, um bocadinho mais valorizado.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Deixem sentar a senhora grávida!

Se há coisa que me deixa com comichão é estar na fila do supermercado com a minha filha ao colo, para comprar um pacote de queijo ralado e quatro iogurtes, e ter uma chata atrás de mim a moer-me a paciência para eu ter prioridade "Mimimimimimi, porque tem uma bebé ao colo", "mimimimimimimi, porque as pessoas não enxergam", "mimimimimimimi, porque já não há educação". E se eu explico que estou bem, que deixe estar, olham-me como se fosse a maior bocó à face da terra.
Ok, a caixa prioritária não estava aberta. Mas eu não levo a B. ao colo para ter prioridade. Eu levo-a porque gosto que ela vá comigo, porque quero, porque não vou tirar um carrinho com mini cadeira só para comprar duas coisas. Porque estou confortável, as minhas costas ainda aguentam e porque consigo fazer tudo só com uma mão.
Era a mesma coisa quando eu estava grávida. Muito grávida, diga-se. Entrava no metro e ouvia logo um "deixem sentar esta senhora grávida!", de alguém que ia de pé, obviamente. Claro que se eu andasse só duas paragens, não aceitava o lugar. Dava-me mais trabalho sentar e levantar do que ficar de pé, bem segura.
Mas não pensem que não sei fazer uso dos meus direitos. Sei. E quando precisei, usufruí. Quando estava de quase 9 meses e já não me aguentava das pernas, agradeci a prioridade no supermercado. Agradeci o lugar no metro, agradeci que me abrissem portas, que me dessem a vez.
Quando a minha filha era bebé e tive que tratar de burocracias, agradeci a fila prioritária, para a sujeitar o mínimo possível a espaços com muita gente. 
E acho que cada pessoa sabe o que aguenta. Uma mulher grávida, de 10, 11, 12 semanas, ainda com pouca ou nenhuma barriga pede prioridade e a maior parte das pessoas pensa que é esquisitice e até chegam a duvidar. Mas só ela sabe se tem dores, ou se tem algum factor de risco. 
Disto tudo o que é que eu tiro? Que atitudes como as da mulher do super, nada têm de altruísta. São formas de expelir raivinhas. Acho estas pessoas muito irritantes. Estão ali simplesmente a querer prevaricar, tamanha é a agressividade com que exigem que me deixem passar à frente. Teria ela tanto empenho, se estivesse à minha frente na fila? Teriam as pessoas do metro a mesma atitude se fossem sentadas? Não sei. Que me lembre, nunca aconteceu.


Quando ainda estava grávida, perguntava-me muitas vezes onde é que andava o meu instinto materno. Se ia adivinhar, se ia saber. Isso era uma comidela de cabeça, porque eu, ingenuamente, achava que era assim que a coisa funcionava. Basicamente, o bebé chorava e a mãe passava a possuir um qualquer mecanismo interno, tipo lâmpada a dizer "passa-se isto". E achava que não ia ser assim tão perspicaz. 
Felizmente acordei a tempo desta "fantasia". Sim, porque isto era um delírio de perfeição. E dei-me conta que havia uma aprendizagem a fazer. A Bárbara não ia saber mamar desde logo, nem eu saberia logo amamentar, até poderia acontecer, mas não aconteceu e tudo bem. Fomos conseguindo, as duas, que resultasse. E resultou.
Lembro-me do primeiro banho que lhe deram, no segundo dia de vida, ainda na maternidade. Aliás, eu não me lembro de nada! Eu estava tão cansada e ela berrava tanto, que eu só me lembro de a enfermeira pegar nela e mostrar-me como se fazia e dizer umas cem vezes "está bem, mãe?"
Adivinhar os choros era outra coisa que me assustava. Era sono, era fome, cólicas, frio, calor? Mas a certa altura foi mesmo altura de tirar o peso dos ombros. E foi bem melhor. A Bárbara chorava e eu ia fazendo coisas, até perceber o que ela precisava. E fui-me tornando muito boa nisso.
Até que dei por mim a percebê-la tão bem e tão rápido como ninguém. E isso não tem nada a ver com instinto materno que, btw, já me disseram que there's no such thing as instinto materno. Há sim, uma relação. Assim como eu sei que de manhã não me posso meter muito com o meu homem, também já sei quando é que a pequena está a fazer birra de sono, ou quando está a ficar doente.
Já por duas vezes, ainda bem antes de a B. ter febre, senti-lhe a temperatura alterada, a aumentar, daí a umas horas lá vinha febre em força. Desta última vez também notei qualquer coisa de diferente quando fomos a Serralves. A B. no início quis andar, mas a certa altura ia para a relva, sentava-se e deixava-se estar, muito quietinha. Achei que não era muito normal para quem não pára por natureza e só recentemente tinha a liberdade de ir onde quiser, pelo seu próprio pé. E de facto, mais tarde, adoeceu.
Suponho que seja isto, o que chamam de instinto, e que afinal é aprendizagem. Quanto a mim, bem mais interessante, porque é fruto de meses de conhecimento, de estar atenta, de amar os nossos filhos e os conhecermos como ninguém. E isso dá-me um orgulho do caraças.